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Informações nutricionais dos alimentos vendidos no McDonald’s
Essa bolinha à direita do gráfico, rica em gorduras e calorias, é o Big Tasty
Para alterar as informações visualizadas basta fazer a seleção desejada nas caixas dos eixos X e Y.

Obs.: Os dados do “Mclanche Feliz”, infelizmente (…), encontram-se em branco no site da lanchonete.
Vendendo abundância

Fotos: Coma com os olhos
Coma com os olhos, novo blog, descoberto por mauricio
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Propaganda versus realidade
Não tem abacaxi hoje
Perigosos vendedores de abacaxis fatiados estão aterrorizando os paulistanos.
A gangue, segundo a Guarda Civil Metropolitana, age em diversos bairros da cidade e concentra-se em centros comerciais.
Ainda segundo a Guarda, especializada em agressões a moradores de rua, os criminosos não vendem apenas abacaxis. Outros artigos ilícitos já foram identificados pela equipe de inteligência da prefeitura, mangas frescas e melancias suculentas estão entre eles.
Um dos guardas declarou: “Este nível de doçura em abacaxis não é autorizado pelos órgãos municipais. No verão, as pessoas passam e logo param para se refrescar. Como este mercado negro vende as fatias por cerca de um real, têm gente que compra para os colegas do escritório, filhos… Não percebem o risco que correm, logo se tornam dependentes e partem para frutas mais pesadas. Vamos agir com rigor contra estes contrabandistas e fazer cumprir a lei!”
A subprefeitura da Sé promete acabar de vez com o problema na região central ao implantar o projeto “São Paulo sem frutas. Mais trufas, menos frutas”. Segundo a coordenadora do projeto “sobremesas como barras de chocolate e bolachas recheadas pagam impostos, são produzidas por indústrias idôneas e, além do mais, são muito mais saudáveis. Por isso, a linha de atuação da prefeitura é colocar ordem na casa combatendo as delícias da terra e estimulando o consumo de doces industrializados”.
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Ato falho
A Folha de S. Paulo do último domingo trouxe uma matéria sobre a “síndrome do ‘pavio curto’”. Vamos nos ater à manchete e seus resumos. Que existem justamente para serem lidos primeiro e, para a maioria, serem toda a leitura.
Nos textos de destaque. Um problema que possui forte ligação com o ambiente é personalizado, deslocado do plano coletivo para o individual. Você conhece essa artimanha faz tempo.
No telejornal do meio-dia ensinamos que as crianças devem comer frutas e verduras, durante o restante do dia veiculamos propagandas de guloseimas radicais. Então alguém questiona os fabricantes e publicitários. A criança está gordinha? Os pais não controlam o lanche da pestinha. Todos nossos produtos respeitam as normas. Cabe as pessoas se controlarem e educarem seus filhos.
Alguns anos adiante e uma bela porcentagem da população se vê com problemas de saúde ligados à obesidade e ninguém tem nada a ver com isso. Toda a questão é com o “descontrolado”. Restringir a publicidade? O quê? Isso é censura!
Ambiente violento, estressante, amedrontador, clima de “todos são inimigos” e, claro, supervalorização do carro. Erotização, poder e tudo que é desejado e está em falta na sua vida estão no carro. Encostou no carro, manda porrada e bala no safado.
A matéria da Folha traz bons exemplos e depoimentos sobre a violência no trânsito. Porém, ao ter como mote justamente um programa de tratamento de saúde, não conseguiu escapar da culpabilização do paciente.
A supervalorização do tabaco e do álcool gerou dependentes por onde passou. Esta cultura foi e é alimentada pela mídia e pela indústria pop. Hoje, o tabagismo já é recohecido como doença social pelo jornalismo e sua indústria é controlada governo. O alcoolismo ainda é visto pela imprensa como um problema de “descontrolados”, gente que não sabe beber. Afinal, eles avisam: “beba com moderação”.
Não somos muito bons em português (como podem perceber), mas até onde sabemos “até” (o advérbio) é usado para expressar com destaque “inclusive”. Desta forma, após o “até” vem o mais espantoso, o mais curioso, o mais absurdo. Como em “ele come todo tipo de carne: pato, coelho, porco, frango ou até cachorro”.
Na sociedade do automóvel é proibido tocar no carro dos outros. Se durante uma manobra encostarem no seu carro, você pode parar o trânsito no meio da avenida e sair xingando. Ninguém vai reclamar. É um direito supremo: ninguém mexe com o carro do outro.
Intimidar? É grave. Matar? Poxa, é grave. Destruir o carro? Gravíssimo. Até isso eles fazem… A que ponto chegamos! A Folha não pôde evitar este ato falho.
“..descontrole faz motoristas tentarem matar, machucar, intimidar pessoas ou até destruir carros alheios“
Propaganda versus realidade

Imagem: projekt1, Pundo3000. Todos os direitos reservados.
Propaganda já significou valorizar os atributos do produto que está à venda. Mas ficou para atrás o tempo da negociação direta, do comerciante que sabe como cativar o cliente e que busca fechar o negócio considerando que está tratando com uma pessoa que merece respeito.
O tempo em que a comida era algo que se encontra na natureza também já passou. A comida estilo fast food é algo não identificado embalado numa foto bonita.
Dois projetos sensacionais na web, utilizam a simplicidade para desvendar a mentira descarada e evidenciar como é tratado o consumidor da era globalizada.
Uma foto da embalagem inteira, outra da imagem do alimento estampada na embalagem e, finalmente, outra do conteúdo real. E o projeto do Pundo 3000 deixa claro a distância entre realidade e propaganda. (clique nas imagens para ampliar)





Todas imagens acima: projekt1, Pundo3000. Todos os direitos reservados.
O West Virgina Surf Report em Fast Food: Ads vs. Reality mostra-nos uma foto do mundo da propaganda e outra do mundo de quem recebe algo indecente para comer.




Imagens: Fast Food: Ads vs. Reality. Todos os direitos reservados.
Ambos links via Neatorama
Cidades publicitárias
Deveríamos convidar publicitários para as cadeiras de planejamento urbano, assistência social, meio-ambiente e outras tantas. Afinal, eles conseguem filmar cidades quase ideais, ruas tranqüilas, pequenas lojas de mantimentos, bicicletas, carros, crianças e demais pedestres transitando com seguranças, os rostos transmitem uma serenidade contente, nem o cachorro não precisa da coleira para “não escapar para a rua”.
Ahh, o Natal, que tempo feliz. Nada como uma corporação como a Coca-Cola para nos lembrar como era a vida antes dos hipermercados destruírem o comércio de bairro, antes da indústria automobilística invadir as ruas com suas máquinas, antes dos pet-shops venderem cães por encomenda, antes dos salários serem soterrados pela terceirização dos serviços, antes da privatização dos serviços públicos… antes da indústria de bebidas que mata o avô de cirrose, a esposa de pancada, o filho no volante e o pai com um tiro na porta do bar usar a solidariedade como tema de propaganda.
Prefeitura promove batatinhas fritas

É viável um panfleto de campanha municipal estampar diversos modelos de batata frita, como acontece naqueles jornaiszinhos de supermercado?
É possível a prefeitura manter programas em favor da saúde e também manter parceria com uma fabricante de batatas fritas congeladas?
Empresas têm um só objetivo e jogam seu jogo, o jogo do mercado. Obviamente, estamparão seu nome em qualquer lugar que gere vendas. Agora, o governo municipal – que representa os interesses da população da cidade e não das empresas – deve aceitar qualquer parceria?
Óleo de cozinha entope o encanamento e polui muito. Quem seria contra uma campanha que promove a reciclagem e evita a poluição das águas? Ninguém, claro. Uma ótima oportunidade de fazer publicidade, portanto.
Mas, a Ambev deve patrocinar grupos de apoio a dependentes alcoólicos? Porque não? Afinal, existem descontrolados que precisam de ajuda, mesmo com os eficientes avisos “beba com moderação”. A Souza Cruz também avisa que “fumar causa câncer”, não? E o Unibanco não afirma todos os dias “use seu cartão de crédito com responsabilidade”?
Eles são responsáveis e nós irresponsáveis!
Aceitamos o empréstimo oferecido pelo operador de telemarketing do cartão de crédito. De repente, não damos conta dos juros de 10% ao mês, mas que falta de planejamento deixar a dívida virar uma bola de neve!
Aceitamos as loiras de mini-saia, a praia, os sorrisos das cervejas. De repente, numa cidade feia qualquer, viramos a esquina e batemos o carro, em mais um infeliz “acidente”.
Aceitamos o glamour do cigarro hollywoodiano aos 14 anos. De repente, aos 30, na tentativa de nos livrarmos do vício, estamos pagando por outras drogas – de outra multinacional.
Com a preocupação ambiental na pauta do momento, se você tivesse uma fábrica de batatinhas congeladas não apoiaria uma campanha que no fundo passa a mensagem: Preocupado com a poluição causada pelo óleo? Não se preocupe, pode fritar nossas batatas à vontade, o óleo será reciclado! (mais ou menos do mesmo modo que um refrigerante Zero, passa a mensagem: Não tem açúcar. É água. Tem nome de água!)
O recado do marketing é: com “responsabilidade” o consumo não tem o freio da culpa.
Esta “responsabilidade” pode, inclusive, estimular o consumo. Afinal, quando compro um bloquinho de papel reciclado estou deixando de comprar papel branco ou estou apenas comprando um produto com o selo “ecologicamente correto” que não compraria caso não o fosse?
Finalmente, quem levaria – vai levar – vantagem nas parcerias ong + governo + empresa multinacional? A população? Conhece grande empresa que faz parceria para levar desvantagem?
Relacionados:
Parcerias são firmadas para melhoria da qualidade ambiental, notícia Prefeitura de São Paulo.
Salgadinho no ônibus e miojo na janta
Zero nutrientes
Technorati tags: alimentação, obesidade, ppp, batatafrita
Zero nutrientes

De repente um monte de gente em São Paulo com uma garrafinha plástica verde e eu não entendi nada. Trata-se do H2OH, segundo a propaganda na TV, a bebida é “levemente gaseificada, zero de açúcar e com suco de limão”. Como se pronuncia H2OH? Da mesma forma que H2O, ora. Se apropriar de marcas é crime contra a propriedade intelectual, também não é possível registrar domínio sobre elementos da natureza, mas parece que uma marca com o nome de fórmula com um H inocente no final tá beleza.
Qual a diferença de refrigerante diet, eu não sei. O gás, o corante, o aroma sintetizado e o conservante estão lá. Só sei que gás e limão junto com aquela substância incolor, inodora e insípida essencial a todas as formas de vida conhecidas pelo homem não é.
Anos atrás o refrigerante mais consumido do mundo lançou sua versão diet prometendo o mesmo sabor, outras marcas acompanharam a tendência. Tempos depois a coca-cola lançou seu light e você via latinhas prateadas da coca-cola light em todo lugar.
Com o aumento da exposição na mídia dos problemas relacionados à obesidade, muita gente anda preocupada com sua saúde e, claro, os fabricantes e agências de publicidade estão ligadas nos apelos que cabem em cada época. Sabor idêntico à versão normal não é mais suficiente, é preciso liberar as mentes para o refrigerante, travestindo-o.
Agora parece ser a vez das “zero açúcar”. A Coca-Cola lançou a coca-cola Zero. Produto velho, nome novo. A Sukita também tem a sua Zero. A Xereta, que pratica baixos preços, por sua vez, lançou o H2X com embalagem igual a da H2OH.
Bom, o sucesso instantâneo do H20H mostra claramente que muita gente quer emagrecer, mas não abre mão do refrigerante, esse tipo de produto resolve o problema ao dar ao consumidor os argumentos publicitários “esse pode”, “esse tem zero de açúcar”, “não é refrigerante” para ser sacado da cintura quando alguém diz “Você não deveria estar tomando refrigerante” ou para, simplesmente, utilizar contra a própria culpa.
Difícil imaginar um nome mais direto do que Zero ou “Água” (H2O, sem H, quando se pronuncia). São de fato zero, artificiais sem vitaminas, sem nutrientes.
Technorati tags: refrigerante.
Salgadinho no ônibus e miojo na janta
A cidade é aquele lugar cheio de gente, carros e… comida pronta.
Alimentar-se, necessidade de todo ser humano. Nas grandes cidades de hoje as pessoas querem mais, querem “comer alguma coisinha gostosa”. Existem muitas coisinhas para mastigar nas cidades, elas custam muito pouco e são gostosas. São feitas com ingredientes nada saudáveis e são encontradas em qualquer lugar, qualquer lugar mesmo, bancas de jornal, trens, estações de ônibus, camêlos, lojas ou mercados.
A pesquisa de duas doutoras da ESALQ-USP sobre a influência de alguns fatores socioeconômicos e demográficos no padrão de consumo de carnes da população brasileira traz uma tabela interessante, ela mostra o aumento do consumo de alimentos preparados e a redução do consumo de arroz e feijão, dupla antes conhecida como base da alimentação brasileira.
De 1974 a 2003 houve uma redução de 46% na aquisição domiciliar de arroz e 37% na de feijão. De outro lado, houve um aumento na aquisição de alimentos preparados (216%), refrigerantes (490%) e iogurtes (702%).
“Quanto maior é o grau de escolaridade das mulheres, que é quem geralmente prepara as refeições, menor é o consumo de alimentos que demoram mais tempo para ficar prontos, como arroz, feijão e carnes”, disse Ana Lúcia Kassouf à Agência FAPESP.
Sobre este aumento do consumo de alimentos preparados, porém, parece importante notar que os produtos de uma mesma categoria, consumidos por ricos e pobres, têm qualidade muito diferente. Estes alimentos sofisticados, como iogurtes, antes inacessíveis aos pobres, só o são hoje, pois algumas empresas perceberam a oportunidade de vende-los aos pobres.
Quando você entra em dois ônibus todos os dias às 17:00 e nos dois, quase todos os dias, há uma mãe com uma criança segurando um saco de salgadinho enorme, está claro que os padrões de alimentação mudaram muito.
Se uma bolacha recheada fabricada por uma multinacional custa R$ 2 no supermercado, uma senhora voltando do trabalho pode comprar uma de marca desconhecida por R$ 0,50 no Terminal Santo Amaro e saciar o desejo de seus dois filhos numa sexta-feira.
Estas guloseimas de marcas desconhecidas cumprem duas funções básicas: representa uma espécie de degrau social; e engorda e adoece a população pobre num grau maior do que a população rica.
A primeira diminui a distância entre ricos e pobres: “o filho da patroa come bolacha de chocolate, mas o meu filho também come”. Danoninho e refrigerantes baratos estão disponíveis no final de semana. Com alguma sorte e muita economia, numa data especial a família pode ir até um Habbib’s. “Comer fora” ou se lambuzar com um iogurte era coisa antes impossível para podres.
A segunda aumenta a distância entre ricos e pobres: os salgadinhos fabricados por multinacionais sofrem um controle de higiene e de nutrição capenga, mas o sofrem. Os salgadinhos de pobre são clandestinos, ninguém sabe nada sobre aquela coisinha gostosa. Não há dúvida de que se existe 5% de gordura trans num salgadinho “de marca”, num salgadinho “alternativo” de R$ 0,20 as taxas podem ser ainda maiores. Se as multinacionais maquiam os índices nutritivos de seus produtos, os alternativos simplesmente não os expõem.
O consumo de alimentos industrializados é maior entre pobres.
Pessoas menos cansadas, com mais dinheiro (e para os mais ricos, empregadas) garantem refeições preparadas, saudáveis e variadas: carnes, verduras, legumes, cereais.
Atualização > Hoje, dia 17/03, saiu uma matéria no RETS que fala sobre. Alguns trechos:
“Além da grande oferta de fast-foods, refrigerantes, gorduras e açúcares, cada vez mais as tradicionais brincadeiras infantis de ruas são substituídas pelo computador e pela televisão.”
“‘As crianças desnutridas de hoje são os gordinhos de amanhã, porque acabam desenvolvendo uma pré-disposição para engordar. Além disso, hoje em dia, pessoas mais pobres acabam consumindo mais carboidratos por serem mais baratos e desconhecerem a necessidade de outras fontes de nutrientes’”
Fonte: Crianças na balança
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Menos arroz com feijão, Por Thiago Romero, Agência FAPESP.
Análise da influência de alguns fatores socioeconômicos e demográficos no consumo domiciliar de carnes no Brasil. Madalena Maria Schlindwein; Ana Lúcia Kassouf.
Crianças na balança
Technorati tags: alimentação, obesidade, obesidadeinfantil








