Construir para destruir

Arte: BLU. Todos os direitos reservados. Parte do Nakba60 exhibition
Add comment Julho 2, 2008
Bicicletas e disposição sexual
Ótima propaganda que liga a atividade física proporcionada por deslocamentos feitos de bicicleta à vitalidade sexual.
Os horários mais baratos dos canais de televisão estão cheios de propagandas de fortificantes feitos de partes do tubarão, de cogumelos vitalizantes e folhas emagrecedoras. Os horários mais caros, cheios de cremes rejuvenescedores e pílulas enrigecedoras.
É muito bom quando vemos uma propaganda bem humorada na televisão que fala de disposição sexual sem vender nada.
Propaganda húngara.
(vídeo via Carectomy)
1 comment Junho 28, 2008
Essa é a cara da democracia
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Os protestos contra a reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Seattle (EUA), em 1999, são o tema central do documentário Essa é a cara da democracia.
O filme, que será exibido hoje no Espaço Impróprio, às 19h, é uma co-produção da Big Noise Films com o CMI - Seattle.
A mostra de filmes promovida pelo CMI - São Paulo acontece sempre na última quinta-feira do mês.
2 comments Junho 26, 2008
A mágica da ascensão pelo motor
A Chevrolet nos apresenta um filme bem tradicional e bobinho. O filme é bem didático ao tratar de um dos apelos publicitários mais caros da indústria do automóvel, o da ascensão social. Serve com aula para nos ajudar a reconhecer este apelo em campanhas menos óbvias e mais modernas.
Esta é a primeira campanha “100% digital” da montadora. O tom das imagens é tão infantil que chegamos a pensar que é alguma brincadeira do novo marketing digital. Mas não. Os suportes mudam e os “conceitos” permanecem.
O site pretende ser 2.0 e apresenta, além do filme publicitário, um jogo, fundos de tela e um programinha que deve ser um tema para windows. Isso é que é estar atualizado com as tendências web de 10 anos atrás.
Na introdução do site, um rapaz de roupa comum vê sua própria imagem (de terno) refletida na lataria do carro acenando alegremente “venha”. De repente, ele é capturado pelo carrão e depois de uma voltinha é devolvido de terno, feliz, satisfeito e ascendido.
O conceito é “jump”. Segundo a montadora, “pular etapas, cortar caminho”. Sacou?
Voltando ao filme. A primeira imagem é da nossa velha conhecida cidade cinza e congestionada, então o carro passa e surge a cidade publicitária. Colorida e alegre.
Um operário está ali parado, o carro passa e o que ele vê refletir no vidro do carro? Sua imagem de terno e capacete! Um engenheiro. E que obra se vê ao fundo do novo engenheiro? A ponte estaguinada!
Uma repórter de microfone na mão, o carro passa e o que ela vê? Ela apresentando um grande telejornal.
Um casal de namorados vê refletir no carro mágico uma viagem internacional. Um rapaz de jaleco branco se vê como cirurgião.
Alguém chacoalha a faixa de pedestres como se fosse um tapete e ela se torna uma espécie de esteira rolante rumo às alturas. Incrível como esse pessoal trabalha a idéia de ascensão sutilmente.
Na última cena um carro vermelho pára em frente a um ponto de ônibus, o motorista abre a porta do passageiro e acena para uma pessoa entrar. O carro segue livremente pela avenida rumo ao…? Ao sol! Ao sol!
Aí vem a assinatura da campanha: “Dê um jump na sua vida. Prisma, seu primeiro grande carro”.
4 comments Junho 19, 2008
Informação? Só ferindo privacidade
Você deseja saber como chegar a determinado local em São Paulo utilizando transporte público. Liga 156. No atendimento automático, disca dois dígitos e a atendente pede seu nome completo e telefone.
- Para quê?
- Para acessar o sistema.
- Eu gostaria de obter uma informação de transporte e não de dar uma sobre mim.
- É para cadastro.
- É obrigatório?
- Não, mas sem o cadastro não posso acessar o sistema.
- Para saber que ônibus pegar preciso dar meu telefone e nome completo?
- É, só assim posso acessar o sistema.
- E se eu não tiver telefone? Não morar em São Paulo?
- É apenas para cadastro.
Com pressa, invento um nome e telefone e consigo a informação. Após o atendimento, sou encaminhado para uma pesquisa: Disque 1, se está satisfeito com o atendimento ou 2, se está insatisfeito.
O acesso a informações públicas é um direito. Exigir documentos, encarecer o processo, utilizar linguagem hermética, enfim, construir impedimentos, é parte da ideologia da sociedade burocratizada para restringir o acesso a direitos.
Exigir dados, cadastrar, estocar imagens, informatizar as atividades do dia-a-dia, acumular sempre mais informações, unificar bancos de dados, construir perfis e analisar comportamentos são as ameaças mais silenciosas da sociedade atual, uma vez que são transvertidas de eficiência administrativa e do curso natural da tecnologia.
Burocratizar e monitorar atividades e, então, punir os indesejados não é mais suficiente. Escanear todos homens e mulheres, organizar toda a informação e conhecer os padrões de comportamento. Analisar as ameaças. Oprimir a ação de atividades que ainda não se realizaram é o ideal de um regime de controle total.
Para chegar num local costumávamos pular num bonde, pagar e descer. Era fácil. Alguns se lembram.
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Mais uma do Bilhete Único espião
2 comments Junho 16, 2008
Dois jornais dispensam um mestre
O blog dos quadrinhos informa que os jornais Zero Hora, do Rio Grande do Sul, e A Tribuna, do Espírito Santo, suspenderam a publicação de tiras de Laerte. O autor deu a informação em entrevista a Rádio USP (que vai ao ar hoje, 13/06, às 20:30, em 93,7 FM).
Há algum tempo, Laerte deixou de buscar apenas o humor em seus trabalhos e vem nos apresentando sensacionais tiras filosóficas e surrealistas. Acaba por discutir o próprio fazer quadrinhos e tirinhas.
Laerte disse, em entrevista a Folha de S. Paulo em 2007, que perdeu o jeito para as tiras humorísticas que vinha fazendo:
… é uma explicação que tem de passar pela morte do meu filho [morto num acidente de carro em 2006] também, isso foi um divisor. Eu passei a ver e pensar as coisas de um outro jeito, uma série de procedimentos começou a perder o sentido ou ganhar outros.
Matéria completa do Blog dos Quadrinhos
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Entrevista com Laerte na Caros Amigos
Entrevista com Laerte na Folha de S. Paulo
Add comment Junho 13, 2008
Sonhando com liberdade
A Ford presta um favor ao nos lembrar como é a vida de uma criança dentro de uma bolha de lata.
Para uma criança que vai de um local ao outro exclusivamente de carro, o mundo natural é um ambiente desejado e desconhecido. O desejo de estar e de tocar são cotidianamente frustrados pelos limites dos vidros verdes, do painel de design sofisticado e das travas automáticas. A satisfação deste desejo pode realizar-se apenas através da imaginação.
Se mostrássemos um prisioneiro recostado em sua cela silenciosa escrevendo um poema bucólico e ao final disséssemos suavemente “Prisão: veja as possibilidades”. Estaríamos sendo honestos? Estaríamos dizendo a verdade?
É isso que faz a Ford em sua nova propaganda que tem duas crianças como protagonistas. Vende a ilusão de que sonhar com a vastidão do mundo através de uma janelinha é melhor do que viver no vasto mundo.
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3 comments Junho 12, 2008
Mais uma do Bilhete Único espião

Foto: Rodrigo Rodrigues Melo. Todos os direitos reservados. Reproduzido com autorização do autor.
Em São Paulo, uma das medidas mais legais do Bilhete único especial para idosos (passagem gratuita) foi libertá-los da famosa e segregadora “gaiolinha”. Antes eram obrigados a permanecer na parte da frente do ônibus e descer pela porta dianteira, sem passar pela catraca, apresentando o RG ao motorista. A parte traseira era zona exclusiva dos demais.
Hoje, podem sentar-se onde quiserem, inclusive juntamente com os seres que ainda não chegaram a sua idade. Infelizmente, a maioria dos idosos desce pela frente mesmo. Natural, já que os solavancos e a lotação dos ônibus não estimulam a passagem pela catraca.
Mas temos mais um passo atrás na tentativa de libertar as pessoas da vigilância e da segregação. Justificando medidas anti-fraude, a SPtrans exige mais um cadastramento. Os idosos devem ir até um dos locais autorizados, apresentarem RG, comprovante de endereço recente e tirarem uma foto no local.
O idoso receberá o novo Bilhete via correio junto com “todas as informações para o uso correto”. Cartazes em ônibus e terminais lembram os portadores de Bilhetes especiais do uso correto e informam que milhares de pessoas já foram punidas e desligadas do sistema.
Já é difícil entender a sociedade atual através das tradicionais teorias de vigilância e punição. Quando um grupo gigantesco e historicamente considerado não-perigoso como o dos idosos passa a ser registrado, monitorado e, claro, punido em massa, nos damos conta do estágio de controle social que atingimos.
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7 comments Junho 5, 2008








