Posts filed under 'política'

Fábrica de bicicletas é ocupada e autogestionada por seus trabajadores/as

Se conseguirmos nosso objetivo de receber pedidos de 1.800 bicicletas produzidas em regime de autogestão, ajudaremos a difundir as idéias de solidariedade e daremos um apoio moral à companheiros/as que se encontram em situações semelhantes, lutando, como nós, para evitar a “reconversão total” (Fonte: strike-bike.de).

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1 comment Setembro 27, 2007

Dell descrimina cidadãos e cientistas de Cuba, Irã e outros

Paulo R. S. Gomes estuda física, é membro do Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense e comprou um computador da Dell. Como o computador iria para um Instituto de física a Dell exigiu que seu cliente assina-se documentos com termos como:

- Não transferir [o computador] para Cuba, Irã, Coréia do Norte, Sudão, Síria, ou a qualquer estrangeiro com dupla nacionalidade, ou a qualquer outro país sujeito a restrições sob leis e regulamentos aplicáveis onde não estejamos situados, sob o controle de um indivíduo natural ou residente deste país;

- O cliente está usando algum cartão de crédito internacional de algum país com embargo? (Afeganistão, Cuba, Irã, Iraque, Líbia, Coréia do Norte, Sudão ou Síria)

Paulo Gomes já havia recebido o computador quando sua assinatura foi requerida, ele não assinou nada, devolveu o computador e propõe um boicote à Dell.

A Dell diz que precisa saber qual será a destinação final dos seus produtos, onde e por quem serão utilizados.

Os estudos científicos são desenvolvidos há séculos de forma simples: alguém tem uma idéia baseada num método científico, publica seu estudo, ele é discutido e avaliado por outros cientistas, qualquer um que queira utilizar o estudo para ter uma idéia é livre (e estimulado) a fazê-lo. Todos os estudos científicos são herdados pelas gerações seguintes, que por sua vez discutem, aprimoram e propõem novas teorias que serão avaliadas.

Gerações de homens e mulheres trouxeram-nos ao presente estado da arte da computação. A Dell lucra produzindo máquinas desenvolvidas pela Humanidade e agora quer restringir a colaboração entre um físico brasileiro e outro que por obra do acaso nasceu num país inimigo daquele onde a Dell é sediada.

Ao exigir que um cliente pesquisador deixe de colaborar com cidadãos de certos países em nome da hegemonia dos Estados Unidos, a Dell quer decretar o fim da idéia de “comunidade científica”; em nome do lucro privado, quer decretar o fim do desenvolvimento coletivo.

A Dell diz obedecer às leis dos EUA. Paulo Gomes é brasileiro e acredita que deve obedecer às leis brasileiras.

Leia a carta do físico apoiada pela diretoria da Socidade Brasileira de Pesquisa:
Exigências absurdas da Dell do Brasil, por Paulo Roberto Silveira Gomes e Diretoria da SBF.

Termos da Dell publicados pelo físico:
Carta Explicativa EC Juridica-Dell
Declaração Pessoa Juridica-Dell
TCP Trade Compliance Profile-Dell


1 comment Setembro 17, 2007

Prefeitura promove batatinhas fritas

mccain.jpg

É viável um panfleto de campanha municipal estampar diversos modelos de batata frita, como acontece naqueles jornaiszinhos de supermercado?

É possível a prefeitura manter programas em favor da saúde e também manter parceria com uma fabricante de batatas fritas congeladas?

Empresas têm um só objetivo e jogam seu jogo, o jogo do mercado. Obviamente, estamparão seu nome em qualquer lugar que gere vendas. Agora, o governo municipal - que representa os interesses da população da cidade e não das empresas - deve aceitar qualquer parceria?

Óleo de cozinha entope o encanamento e polui muito. Quem seria contra uma campanha que promove a reciclagem e evita a poluição das águas? Ninguém, claro. Uma ótima oportunidade de fazer publicidade, portanto.

Mas, a Ambev deve patrocinar grupos de apoio a dependentes alcoólicos? Porque não? Afinal, existem descontrolados que precisam de ajuda, mesmo com os eficientes avisos “beba com moderação”. A Souza Cruz também avisa que “fumar causa câncer”, não? E o Unibanco não afirma todos os dias “use seu cartão de crédito com responsabilidade”?

Eles são responsáveis e nós irresponsáveis!

Aceitamos o empréstimo oferecido pelo operador de telemarketing do cartão de crédito. De repente, não damos conta dos juros de 10% ao mês, mas que falta de planejamento deixar a dívida virar uma bola de neve!

Aceitamos as loiras de mini-saia, a praia, os sorrisos das cervejas. De repente, numa cidade feia qualquer, viramos a esquina e batemos o carro, em mais um infeliz “acidente”.

Aceitamos o glamour do cigarro hollywoodiano aos 14 anos. De repente, aos 30, na tentativa de nos livrarmos do vício, estamos pagando por outras drogas - de outra multinacional.

Com a preocupação ambiental na pauta do momento, se você tivesse uma fábrica de batatinhas congeladas não apoiaria uma campanha que no fundo passa a mensagem: Preocupado com a poluição causada pelo óleo? Não se preocupe, pode fritar nossas batatas à vontade, o óleo será reciclado! (mais ou menos do mesmo modo que um refrigerante Zero, passa a mensagem: Não tem açúcar. É água. Tem nome de água!)

O recado do marketing é: com “responsabilidade” o consumo não tem o freio da culpa.

Esta “responsabilidade” pode, inclusive, estimular o consumo. Afinal, quando compro um bloquinho de papel reciclado estou deixando de comprar papel branco ou estou apenas comprando um produto com o selo “ecologicamente correto” que não compraria caso não o fosse?

Finalmente, quem levaria - vai levar - vantagem nas parcerias ong + governo + empresa multinacional? A população? Conhece grande empresa que faz parceria para levar desvantagem?

Relacionados:
Parcerias são firmadas para melhoria da qualidade ambiental, notícia Prefeitura de São Paulo.
Salgadinho no ônibus e miojo na janta
Zero nutrientes

Technorati tags: alimentação, obesidade, ppp, batatafrita


Add comment Setembro 4, 2007

Patrocinar a aventura pessoal de alguns

Zé Rodrix pediu demissão da direção da peça “Rei Lagarto” por ser uma produção financiada pela Lei Rouanet. Na carta abaixo, publicada pelo jornal O Globo, ontem, ele afirma não acreditar “que o dinheiro de TODOS deva servir para patrocinar a aventura pessoal de ALGUNS”.

Via Na Pararela, do Urbe

Acabo de descobrir exatamente nos detalhes desta notícia que não vou mais participar do projeto. Vocês conhecem a minha opinião sobre Renúncia Fiscal e Leis de Incentivo. Enquanto isto era um empreendimento privado, no máximo com os patrocínios e os apoios diretos de empresas que se associariam ao empreendimento, eu estava dentro. Infelizmente, ao entrar na jogada da Lei Rouanet, MiniCul etc., ele se torna impossível para mim. Não acredito que o dinheiro de TODOS deva servir para patrocinar a aventura pessoal de ALGUNS, e, quando isto se configura, eu saio fora. Investimento deve ser feito com dinheiro real que não prejudique o essencial do país. Impostos devem ter fim específico, e os sustento da arte não é, a mer ver, uma destas essencialidades. Sempre fui um artista que não se privilegiou de nenhum tipo de ligação com estados e governos, em nome de minha própria liberdade. Assim sendo, há que haver em mim algum respeito pelas coisas em que eu acredito. Se entrar nisto, estare negando tudo que é a minha maneira de ser, pensar e agir. No Brasil de hoje, precisamos de investidores conscientes, e não, segundo minha maneira de ver a realidade, de utilizar de maneira equivocada o dinheiro público. Desejo ao pessoal da produção o máximo de sorte e sucesso possíveis, e sei que serão muito felizes, graças à qualidade artística de todos os envolvidos.


Add comment Agosto 31, 2007

Congresso Internacional de Trabalhadores de rua

Neste quinta, dia 23, acontecerá o Congresso Internacional de Trabalhadores de rua (incluindo camelôs e catadores), com delegações de diferentes países da África, Ásia e América Latina. Este congresso é uma iniciativa da CUT e Streetnet, organização internacional que reúne associações de trabalhadores informais de diferentes países dos continentes acima citados.

O diálogo de políticas possui também como objetivo dar uma oportunidade às organizaçöes de trabalhadores de rua locais confrontarem com os formuladores de políticas públicas do país anfitriäo.

Os problemas dos trabalhadores de rua tem sido um grande desafio para os governos em muitos países do mundo, considerando que o setor formal está decrescendo, com resultado em mais pressão sobre os espaços urbanos, desafiando o planejamento urbano tradicional. Muitos governos estäo ainda tentando solucionar esses problemas tendo em vista as implicações mercantis para os próprios trabalhadores de rua poderem se auto-sustentar. Fonte: streetnet.org.za

Local: auditório da CUT, rua Caetano Pinto, 575 (metrô Brás).

Programação:

9h00 - 9h30 Abertura
Introdução por StreetNet, Pat Horn
Primeiro expositor (CUT), João Felicio

9h30 - 10h30
Vereador pelo PT na Câmara Municipal de SP Propostas de políticas públicas e regulação atual do comércio ambulante no município de São Paulo. Foco nos canais de negociação entre a categoria e Poder Público.
Beto Custodio

11h00 - 12h00
Organização e política em Benin
Clarisse Gnahoui (USYNVEPID, Benin)

12h00 - 13h00
Políticas públicas e processo de organização a nível local, regional e nacional no setor de coleta de materiais recicláveis
Carlos Enrique e Eduardo, Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável - MNCR e Antonieta Vieira, socióloga, FIPE-USP

14h30 - 15h30
Política Nacional de Vendedores Ambulantes na Índia
Arbind Singh (NASVI, India)

16h00 - 17h00
Política e regulação da economia informal no nível nacional
Ministro Luiz Marinho - Ministério da Previdência Social

17h00 - 17h30
Coletiva de imprensa

17h30
Encerramento


1 comment Agosto 22, 2007

2a. Edição da Cartilha sobre Abordagem Policial

Amanhã, dia 23, 10h acontece no Salão de cidadania no Prédio da Secretaria de Justiça (Pátio do Colégio) o lançamento da 2a. edição da Cartilha sobre Abordagem Policial.

A cartilha “Abordagem Policial - O que podem e não podem fazer os policiais” vem responder ao anseio que muitas pessoas têm em conhecer as atribuições de um policial civil ou militar durante uma abordagem, independentemente do grau hierárquico que ocupa.

Para esta nova reedição incluímos três novos pontos fazem parte da nova edição:

1. Abordagem ao grupo GLBTT- gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais.

2. Metodologia das Audiências Públicas Comunitárias, que visa promover o diálogo entre comunidade e autoridades na busca de soluções dos problemas da comunidade.

3. Proposta de criação de Núcleo de Apoio à Ouvidoria de Policia do Estado de São Paulo. , que visa divulgar os serviços da ouvidoria de Policia junto às comunidades.

A cartilha “Abordagem Policial” é uma iniciativa do Centro de Direitos Humanos de Sapopemba, em parceria com o Movimento de Direitos Humanos do Regional São Paulo, Instituto Brasileiro de Estudos Comunitários-IBEAC, Entidade Ser Humano, Observatório de Violência Policial, Cedeca Mônica Paião Trevisan, Cedeca Dom Luciano Mendes de Almeida e Instituto Daniel Comboni.

:: Baixe a Cartilha de abordagem policial aqui ::

Technorati Tags: policia, direitoshumanos


Add comment Agosto 22, 2007

Bionegócios abastecem motores com álcool e sangue

Uma tonelada de cana-de-açúcar gera cerca de 40,5 litros de álcool combustível, cada cortador de cana precisa cortar no mínimo 12 toneladas por dia para manter-se “empregado”, para tal golpeia seu facão cerca de 120 mil vezes por dia.

Um carro que consume cerca de 1 litro de álcool por quilometro queima cerca de 0,024 toneladas de cana-de-açúcar por litro. Cada dia de trabalho de um cortador de cana (pelo menos 12 toneladas) abastece 486 litros, o suficiente para rodar uns 6318 km, com um custo ao consumidor de uns R$ 962 (média brasileira R$1,98/litro). Seria o consumo semestral de um carro que percorre cerca de 35 km diariamente - em São Paulo é algo como ir e voltar de uma residência num condomínio fechado com lazer completo ao trabalho na região central.

Os cortadores de cana ganham por produção, muitos pararam de produzir porque morreram exaustos no meio do canavial pensando em juntar algum dinheiro enquanto seus patrões almoçavam com representantes do BNDES; outros perderam um membro na lâmina do próprio facão enquanto palestras eram proferidas no World Trade Center paulistano; todos têm uma vida produtiva curta, seus corpos, levados ao limite, não conseguem continuar abastecendo automóveis por muitos anos.

“Para se ter um parâmetro, na década de 80, na greve de Guariba, os trabalhadores conquistaram um piso salarial para a categoria, de dois salários mínimos e meio. O piso é referência para os dias que ele não corta cana e baseia o cálculo dos direitos trabalhistas. Isso trazido para o salário de agora daria R$ 950,00. Mas hoje, uma pessoa que corta em média 12 toneladas por dia, ganha entre R$ 600,00 e 750,00 por mês. O piso salarial mais alto da categoria, que acaba de ser negociado pelos trabalhadores que fizeram greve no Estado de São Paulo, é de R$ 500,00, ou seja, um pouquinho mais que a metade do piso salarial da década de 80. De outro lado, a produtividade do trabalhador entre a década de 80 e hoje duplicou: era de seis toneladas de cana por homem, por dia. Agora é de 12 toneladas por homem, por dia. Quem não corta dez é mandado embora.

Portanto, a gente poderia tomar como indicador de salário atual o piso salarial da década de 80. Principalmente num momento em que o álcool é a vedete mundial. A cana está na crista da onda, mas ela tem um enorme passivo trabalhista. Por que é que não se conserta isso? Os usineiros dizem que não podem pagar por produção porque ´sempre foi assim`. Mas não é verdade, uma parte da produção era escrava e os escravos não ganhavam por produção.” (Francisco Alves, em entrevista a Beatriz Camargo, em Repórter Brasil).

Entrevista completa: Pesquisador prega extinção do trabalho por produção

Relacionados:
Religioso alerta que incentivo à plantação de cana para o etanol pode aumentar trabalho escravo , por Yara Aquino, Repórter da Agência Brasil
Ação recorde resgata 1106 trabalhadores da cana no Pará, por Iberê Thenório e Leonardo Sakamoto para Repórter Brasil.
Trabalhadores escravos libertados relatam vida na “prisão”, Por Isabela Vieira, Repórter da Agência Brasil.


1 comment Agosto 10, 2007

World Trade Center SP x Ulianópolis

No último sábado, 1106 trabalhadores da colheita e plantio de cana foram libertos da fazenda Pagrisa, em Ulianópolis (PA). Ganhavam cerca de R$10 por mês (o restante voltava para a empresa, através do esquema ilegal de endividamento), bebiam a mesma água utiliza na irrigação da plantação, comiam comida estragada e dormiam amontoados em qualquer lugar.

O grupo Pará Pastoril e Agrícola S.A, dono da fazenda, produz cerca de 50 milhões de litros de álcool a cada ano em Ulianópolis. O principal comprador de etanol da empresa é a Petrobras, denominada “empresa-exemplo” em Responsabilidade Social.

Amanhã, às 16:30, no World Trade Center, durante o São Paulo Ethanol Summit 2007, Eduardo Pereira de Carvalho, Presidente do Conselho da Unica - União da Indústria de Cana-de-açúcar, profere a palestra “O Programa Brasileiro, Três Décadas Depois”.

Os trabalhadores do Pará, pesquisadores especialistas, poderiam discursar sobre “O Programa Brasileiro, Centenas de Anos Depois”, mas não foram convidados. O presidente da associação que escraviza falará em encontro para gringos com a presença do Presidente da República.

Referência:
Ação recorde resgata 1106 trabalhadores da cana no Pará, por Iberê Thenório e Leonardo Sakamoto para Repórter Brasil.

Relacionados:
Bionegócios 2: São Paulo Ethanol Summit, Panóptico
Bionegócios, Panóptico
A Petrobras e o Pacto Global da ONU - Organização das Nações Unidas, por Wilson Santarosa, Gerente Executivo de Comunicação Institucional da Petrobras, sobre um papel que a empresa assinou e não vale nada.
Atualização em 08/07/07:
Petrobras suspende compra de empresa flagrada com escravos
Libertados da Pagrisa relatam vida na “prisão”
Apesar de pressão, pagamentos na Pagrisa continuam

Technorati tags: biocombustivel, etanol, escravidao.


2 comments Julho 3, 2007

Caminhada contra a violência na Augusta, nesta quinta

A concentração ocorre a partir das 19h00 na esquina da Rua da Consolação com a Alameda Itu, próximo ao Bar du Bocage, e deve seguir pela rua Augusta, onde termina, por volta das 22h00.

Na próxima quinta-feira (28), Dia Internacional do Orgulho GLBT, a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT) promove uma caminhada contra a violência nos redutos de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, conhecidos por quadrilátero dos Jardins e Triângulo das Bermudas, em Cerqueira César, próximo à avenida Paulista.

A manifestação é motivada pela série de espancamentos, assassinatos e arrastões de gangues, muitas vezes identificadas como neonazistas, que vêm ocorrendo na região dos bares e restaurantes daquela região.

Na região em que haverá a manifestação, ocorreram nos últimos dias casos de agressão a um casal de homossexuais e uma lésbica de 17 anos. Na sexta-feira (22), houve novo arrastão de gangue, que provocou o assassinado de um garçom de 19 anos. Outro caso que teve ampla repercussão foi o assassinato a facadas de um turista francês, logo após ter ocorrido a Parada na Avenida Paulista, na noite do dia 10.

:: Leia o chamado completo e as lista de reivindicações no CMI ::

Caminhada na Augusta contra a violência marca o Dia do Orgulho GLBT em SP


Add comment Junho 26, 2007

Os pistoleiros de Renan Calheiros

Em fevereiro de 2006, 29 famílias, ligadas ao Movimento Terra Trabalho e Liberdade, MTL, despejadas de outras áreas, ocuparam 572 hectares da Fazenda São Bernardo, em Murici, AL. Dois dias depois, no dia 08/02/2006, foram surpreendidas, por volta da uma hora da madrugada, por 80 pistoleiros fortemente armados, comandados pelo ex-prefeito de Murici, Remi Calheiros [1]

O cerco ao acampamento começou por volta das 22h, quando Ailton José da Silva e um adolescente foram presos por vigilantes da fazenda Boa Vista, de propriedade do deputado federal Olavo Calheiros. Os agressores chegaram ao acampamento, bêbados e encapuzados, atirando. Jogaram gasolina nos barracos e atearam fogo. Muitos trabalhadores fugiram para o mato.

Os sem-terra foram obrigados a arrancar a bandeira do movimento e jogá-la ao fogo. A seguir, 23 sem-terra foram levados para a casa-grande da fazenda Boa Vista, do deputado Olavo Calheiros onde ficaram detidos por várias horas. No grupo, duas mulheres, uma delas grávida que passou muito mal com o susto. Um dos capangas jogou a filha dela, de um ano e dois meses, no chão. A outra foi ameaçada de estupro, o que não aconteceu pela intervenção de Remi. “Ele me reconheceu porque meu irmão é motorista dele”, disse ela.

Um dos agressores foi chamado de tenente e outros usavam coturnos da polícia. Outro foi reconhecido, como Beto Doido, funcionário da Prefeitura Municipal de Murici, cujo prefeito é Renanzinho, filho do senador Renan Calheiros.

Segundo algumas das vítimas, o deputado federal Olavo Calheiros estava no local das agressões e chegou a buzinar com seu carro para os dois primeiros trabalhadores que foram retidos pelos vigilantes da fazenda Boa Vista.

No dia 16/02/2006, cerca de 200 trabalhadores, bloquearam a BR-104 próximo à entrada da cidade de Murici, no local do acesso ao acampamento invadido pelos 80 pistoleiros. Protestaram contra o atentado e reivindicaram que os crimes fossem apurados por um delegado especialmente designado para o assunto, pois a polícia de Murici não merece confiança por ser envolvida com a família Calheiros.

[1] Remi e Olavo Calheiros são irmãos do presidente do Senado, Renan Calheiros

Fonte: Comissão Pastoral da Terra – Secretaria Nacional, assessoria de comunicação.

Relacionados:
Dados da CPT revelam que impunidade mantém violência no campo, Comissão Pastoral da Terra.
Gado de Renan é um dos mais valorizados do país, por Fernando Rodrigues, Folha de S. Paulo (restrito: assinantes FSP/UOL).
O calvário de Renan Calheiros, Panóptico.

Technorati tags: calheiros, semterra.


Add comment Junho 19, 2007

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