Posts filed under 'política'

1.000.000 de iraquianos mortos

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Mais um número para análise da sanguinária estratégia norte-americana de invasão ao Iraque. O exército bushiano considerou que, em média, mais de um indivíduo de cada família iraquiana era um perigoso terrorista e passou-lhe fogo. Bush está de saída, sai como se nada tivesse acontecido e deixa uma montanha de cadáveres para a humanidade recolher.

Uma empresa inglesa de pesquisa de opinião conduziu 2.414 entrevistas pessoais nas zonas urbanas e rurais do Iraque, abrangindo 15 de suas 18 províncias. Perguntou às pessoas quantas de seu núcleo familiar, se alguma, morreram por conta da invasão americana ocorrida em 2003.

A empresa apresenta o número de 1 milhão de mortos, com margem de erro de 1,7%, baseando-se para expansão no censo iraquiano de 1997 que relata 4,05 milhões de famílias no país.

A informação é da Reuters. Imagem da Brave New Films

Outra referência:
Iraq Body Count

Relacionados:
Iraq Conflict Has Killed A Million Iraqis: Survey, artigo, New York Times (em inglês)
Press Release e metodologia da pesquisa, Opinion Research Business (em inglês)


Add comment Janeiro 31, 2008

A coleta seletiva de que a prefeitura fala e a coleta de quem faz

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Arte e foto: Mundano. Eu reciclo e você?. Todos os direitos reservados.

“São Paulo nos surpreende a cada dia”, nesta semana de aniversário da cidade, você provavelmente ouviu frase parecida. Bem verdade, pena que na maioria dos casos a surpresa é um atropelamento, camelôs correndo da polícia, guarda metropolitana espancando morador de rua…

Uma das surpresas dessa cidade que a todos acolhe baixou na manhã do dia 22/01 sobre o bairro do Glicério. Os catadores de materiais recicláveis que trabalham sob o viaduto do Glicério receberam um “corre que vamos levar tudo” de presente. A prefeitura queria limpar o depósito porque ele estava muito sujo, para isso levou sua melhor equipe de faxineiros, a Guarda Municipal Metropolitana. Não usaram vassouras, mas diante da resistência dos catadores organizados usou spray de pimenta para higienizar o direito ao trabalho.

Uma coisa é varejista milionário vender na marca “Compre Bem” enlatados para pobres com preços diferentes dos da gôndola e na marca “Pão de Açúcar” oferecer laranja descasca embaladas em isopor e carregadas em sacolinha plástica com mensagem para “um mundo melhor”. Ele joga o jogo, faz sua publicidade, se mente é coisa que o governo deveria conferir. Outra coisa muito diferente é o poder público perseguir o trabalhador que faz o trabalho que ela não faz ao mesmo tempo que estimula a reciclagem com frases tais “Programa de Coleta Seletiva da Prefeitura: Participe“.

Em dia de lançamento de projeto com coquetel para comemorar o convênio com associação de empresários todos são só amor à reciclagem. Mas a reciclagem deles é diferente, não tem pessoas coletando material descartado por toda a cidade, vendendo o material no mercado e comprando seus mantimentos.

Para a prefeitura trabalhar dentro das regras do capitalismo não pode, é sujo. Ela trata logo de desmontar um depósito de material aqui, chamar papelão de lixo contaminado ali, proibir carroças acolá, chamar carroceiro de animal logo adiante e assim segue seu argumento publicitário para dar a uma empresa amiga o lucro da coleta seletiva da cidade.

Os trabalhadores viram funcionários com salário mínimo, vale coxinha e cursinho de alfabetização para garantir a responsabilidade social; assim fica tudo dentro das regras do jogo do capitalismo brasileiro, garante-se o represamento do dinheiro e apaga a fúria da classe média contra os carroceiros que atrapalham o trânsito e enfeiam a paisagem de automóveis pretos e prateados.

Vozes e poderes de resistência dentro dos governos sempre haverá enquanto os cargos públicos não forem tomados por parentes e lobbistas. Quando um coordenador de ação social de subprefeitura diz que “a medida da subprefeitura é fazer uma grande limpeza, depois desta grande limpeza eles podem voltar a trabalhar normalmente aí” e leva a polícia junto vê-se que chegamos num ponto em que a única ação social é limpar da cidade os indesejados.

VÍDEO: Catadores Surpreendidos com Limpeza da Prefeitura, Rede Rua

Relacionados:
Catadores Surpreendidos com Limpeza da subprefeitura da Sé, notícia, Rede Rua
Operação Limpa no Bairro da Luz, Capitulo VII - Parte 2 do dossiê Violação dos Direitos Humanos no centro de São Paulo, Forúm Centro Vivo


2 comments Janeiro 28, 2008

Pedintentes e turistas

Correm descalços na areia escaldante, levam cervejas, caipirinhas, peixes, macaxeiras. Ao virarem as costas, o “doutor” lembra-se de algo “ô…”, o sal, o vinagrete… Vão e voltam com o esquecido. Assim vai o dia, correndo de um lado para o outro, cruzando seu trecho particular de deserto, “a conta”, “mais uma”, “mais uma cadeira”, “tá saindo?”. Trabalham para os bares, restaurantes e barracas oficiais da praia.

Os demais estão por conta. Eles e elas vendem camarão, queijo coalho (com mel, orégano ou alho), caranguejo, ostra fresca, passa de caju, cocada, brinco e pulseira, “trampo hippe”, tatuagem provisória, trança de cabelo, tererê, pastel, lanche natural, canga, biquíni, presilha de cabelo, origami de folhas naturais.

Guiam turistas por praias e cidades (sem compromisso), indicam pousadas e hotéis correndo atrás de carros na entrada de balneários, mentem necessidades e inventam estórias trágicas que amolecem o turista, armam e desarmam fileiras imensas de guarda-sóis, limpam praias para que os próximos voltem a sujar, lavam os pés dos turistas nas embarcações, ajudam a descer e a subir de bugs, barcos, vans e ônibus, mergulham em busca de cavalos-marinhos, levantam ancoras, recolhem velas, servem frutas, tiram fotos submarinas e terrestres, resgatam quase-afogados.

Perdidos em plena juventude. Sem ter o que fazer nos paraísos do planeta. Sem ter o que fazer em plena juventude. Fazem qualquer coisa por uns trocados. Inclusive acompanhar senhores durante algumas horas.

Os programas de incentivos ao turismo beneficiam apenas grandes agências de viagens, empresas de transporte e redes de hotéis e restaurantes.

O resto é miséria. São cidades desorganizadas onde o dinheiro dos turistas e impostos vão para não se sabe onde. Programas de fomento à venda disfarçada de mendicância, à servidão disfarçada de presteza, ao trabalho infantil disfarçado de bico de verão.

A alegria do povo brasileiro é uma de suas características mais evidentes e marcantes. Em cada cantinho do nosso País é possível provar da simpatia, do calor humano e da hospitalidade da população local. Fonte: Ministério do Turismo, Com quantos sorrisos se faz um país?

Sim, podemos ver a alegria com que eles nos servem.


3 comments Dezembro 19, 2007

Progresso

Você segue da capital de Sergipe para o extremo oeste do estado e a paisagem predominante é cana-de-açúcar.

Você vai de Aracaju até a capital de Alagoas e a paisagem é cana-de-açúcar.

Você segue de Maceió para o extremo norte do estado e só vê cana-de-açúcar.

A mono-paisagem só é quebrada pelas zonas secas e por povoados, que para quem passa pela rodovia, parecem viver em torno de oficinas mecânicas, restaurantes, pousadas de trecho e bares para caminhoneiros.

É bom ver que o país do futuro, o país dos economistas que “querem um Brasil produtivo”, o país dos empresários-bom-coração que querem um país com crianças sorridentes na TV, o país dos governantes “de todos” está no caminho certo.

Certamente, o facão é a ferramenta do futuro; é uma tendência que tivemos a sorte de perceber; vamos formar os jovens para esta atividade de alto nível; especializar a população na tecnologia do corte da cana; vamos fornecer combustível para o mundo; o precisamos é aumentar as exportações.

Tem gringo querendo comprar, vamos vender; agora vai, este é o caminho.

Um usineiro em Alagoas, um em Sergipe, dois em Pernambuco, três em São Paulo; uma população trabalhando para eles.

Mulheres criando seus filhos sozinhas enquanto seus maridos estão na colheita em outro estado;
homens morando em currais comendo restos; senadores desautorizando equipe móvel de combate ao trabalho escravo.

Um dia poderemos sair de São Paulo e seguir pela estrada numa Toyota Hilux - só reduzindo nos radares - e ver toda a beleza de “um país abençoado por deus”. Veremos todas as maravilhas que o Senhor criou: a cana-de-açúcar, a soja e o gado.

Relacionados:
Bionegócios abastecem motores com álcool e sangue
Cana-de-açúcar, verbete, Wikipédia


Add comment Dezembro 10, 2007

Outra cidade

Quem mora em São Paulo e lê o mundo pelos olhos da Veja, do UOL e da GNT acredita que o Brasil moderno é São Paulo e que não existe vida inteligente para além do sul e sudeste.

É estranho estar numa cidade em que você, de dentro do ônibus, pode ver um rio. Um rio como o dos livros, com margens e água corrente; não uma canaleta gigante feita de concreto onde corre esgoto.

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Petrobras. Orla de Atalaia, Aracaju, Sergipe.

Você vai até o centro de cidade grande e tem uma pessoa pescando dentro do rio, isso espanta mais do que a beleza mostrada pelo passeios turistícos de Sergipe. Esperamos ou beleza ou cidade, não os dois juntos. Afinal, o paulistano usa o guia “fuja da cidade” para descansar, a cidade é uma espécie de inimiga, um lugar de onde se tira o dinheiro para a sobrevivência e para o lazer longe dali.

Parece que os paulistanos têm um dicionário diferente dos outros brasileiros urbanos, algumas palavras não tem a mesma acepção, se perderam no tempo. O rio não faz parte da cidade, está morto há algum tempo e a gente vai esquecendo o que esta palavra significa. Ele nos interessa pouco, pois o real problema é saber como estará o trânsito nas marginais às cinco da tarde.

Quando você está no sertão de Segipe e tem uma loja de celular com dois jovens sensuais no outdoor, fica a impressão de que um dia tudo será São Paulo, de que o chinelo será visto como carteirinha de pobreza; de que o carro e a camiseta Puma falsificada agarradinha serão mais importantes do que tirar o sarro do conhecido que passa do outro lado da rua; de que ir a praia ou contemplar o rio serão momentos mais chatos do que ir ao shopping ou ao “promocenter” local comprar um óculos de sol falsificado.

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Carro e motos tomando sol na praia. Orla de Atalaia, Aracaju, Sergipe.

Pode ser um pessimismo torpe, mas o “desenvolvimento” que os governantes nordestinos prometem não é “trazer empregos”, “duplicar estradas”, não é se tornar uma pequena São Paulo? A CVC, a maior agência predatória do Brasil, por exemplo, já fechou acordo para construção de um complexo hoteleiro em área de mangue preservada.

Claro que existe um outro “desenvolvimento”, suas idéias vem se espalhando mas ele precisa se tornar hegemônico. Não gostaria de voltar para Aracaju e ao pedir uma informação ser tratado como um idiota que pode ser enganado, como acontece na maioria das cidades com turismo muito desenvolvido.

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Mercado central. Aracaju, Sergipe.

É preciso resistir. A vida está em outro lugar. Em outros tempos não era preciso apontar onde, hoje é.

Relacionados:
blog Ciclo urbano, mobilidade sustentável, Aracaju-SE


6 comments Dezembro 6, 2007

Censura e demissão no Jornal do Comércio de Porto Alegre

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Charge: Santiago. Imagem: Blog dos Quadrinhos

Santiago, Kayser e Moa chargistas do Jornal do Comércio de Porto Alegre foram demitidos por desenharem charges sobre o sistema bancário. As charges não foram publicadas pelo jornal. Veja chargue sobre o Banco do Estado do Rio Grande do Sul no Blog dos Quadrinhos

Santiago relatou a Paulo Ramos, do Blog dos Quadrinhos que recebeu a seguinte justificativa do jornal por telefone:

“Você não pode fazer um desenho sobre o lucro, porque nós não somos contra o lucro”.

Santiago também declarou que

“Uma hora, não podia falar mal de juiz. Depois, não podíamos falar mal do Germano Rigotto [governador do Rio Grande do Sul entre 2003 e 2006]. Depois, da Yeda Crucius [atual governadora].” (Fonte: Chargistas têm desenhos vetados e são demitidos de jornal do RS)

O CONAR tem horror ao controle do conteúdo publicitário veiculado nos canais sob concessão pública, chama de censura prévia e lança manifesto dizendo que agência pública é incompetente e que eles é que entendem de publicidade (ver “Anvisa não é competente para legislar sobre publicidade”, em conar.org.br).

Meu sobrinho acha o mesmo quando a gente tenta fazê-lo comer arroz e feijão. Ele está formando um conselho que discutirá mensalmente o cardápio oferecido pela família. Dizem que os pais censuram sua criatividade e que estes não entendem nada sobre o apelo hilário do trio pastel, refrigerante e chocolate como jantar. Decidiram que vão auto-regulamentar suas refeições e que os pais são censores, gente contra a livre escolha e os valores democráticos.

Jornal chama blogueiro de macaco e tudo bem porque a associação de jornais zela pela democracia; presidente da OAB de São Paulo advoga por Paulo Maluf e tudo bem porque eles são uma Ordem historicamente comprometida com a democracia; juiz exigir ser chamado pelo porteiro de doutor tudo bem, controle externo sobre as atividades do judiciário é atentado contra a autonomia.

Notícia via: Blog dos Quadrinhos


2 comments Dezembro 5, 2007

Manifestação de Catadores

O Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável (MNCR) organiza uma manifestação para reivindicar o direito de trabalhar com suas carroças, pela inclusão dos 94 grupos de catadores na coleta oficial da cidade de São Paulo; e por terrenos públicos e galpões para as cooperativas.

30 de novembro
9h30
Pátio do Colégio, Centro, São Paulo

Via secretária de comunicação do Instituto Pólis


Add comment Novembro 29, 2007

Audiência Pública - Projetos Pirituba/Perus

Na próxima segunda-feira, dia 05 de novembro, o CEU Perus abrigará uma audiência pública para apresentar e debater os projetos que serão implementados com recursos gerados pelo leilão de créditos de carbono gerados pelo Aterro Bandeirantes. Os projetos serão executados na região de Pirituba e Perus, diretamente afetadas pelo funcionamento do Aterro.

Durante a Audiência serão apresentados os projetos e colhidas sugestões. Os projetos incluem implantação de parques lineares e ciclovias, entre outras ações.

Mais: Secretaria do Verde e Meio Ambiente de São Paulo


Add comment Novembro 2, 2007

Fábrica de bicicletas é ocupada e autogestionada por seus trabajadores/as

Se conseguirmos nosso objetivo de receber pedidos de 1.800 bicicletas produzidas em regime de autogestão, ajudaremos a difundir as idéias de solidariedade e daremos um apoio moral à companheiros/as que se encontram em situações semelhantes, lutando, como nós, para evitar a “reconversão total” (Fonte: strike-bike.de).

Leia mais


1 comment Setembro 27, 2007

Dell descrimina cidadãos e cientistas de Cuba, Irã e outros

Paulo R. S. Gomes estuda física, é membro do Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense e comprou um computador da Dell. Como o computador iria para um Instituto de física a Dell exigiu que seu cliente assina-se documentos com termos como:

- Não transferir [o computador] para Cuba, Irã, Coréia do Norte, Sudão, Síria, ou a qualquer estrangeiro com dupla nacionalidade, ou a qualquer outro país sujeito a restrições sob leis e regulamentos aplicáveis onde não estejamos situados, sob o controle de um indivíduo natural ou residente deste país;

- O cliente está usando algum cartão de crédito internacional de algum país com embargo? (Afeganistão, Cuba, Irã, Iraque, Líbia, Coréia do Norte, Sudão ou Síria)

Paulo Gomes já havia recebido o computador quando sua assinatura foi requerida, ele não assinou nada, devolveu o computador e propõe um boicote à Dell.

A Dell diz que precisa saber qual será a destinação final dos seus produtos, onde e por quem serão utilizados.

Os estudos científicos são desenvolvidos há séculos de forma simples: alguém tem uma idéia baseada num método científico, publica seu estudo, ele é discutido e avaliado por outros cientistas, qualquer um que queira utilizar o estudo para ter uma idéia é livre (e estimulado) a fazê-lo. Todos os estudos científicos são herdados pelas gerações seguintes, que por sua vez discutem, aprimoram e propõem novas teorias que serão avaliadas.

Gerações de homens e mulheres trouxeram-nos ao presente estado da arte da computação. A Dell lucra produzindo máquinas desenvolvidas pela Humanidade e agora quer restringir a colaboração entre um físico brasileiro e outro que por obra do acaso nasceu num país inimigo daquele onde a Dell é sediada.

Ao exigir que um cliente pesquisador deixe de colaborar com cidadãos de certos países em nome da hegemonia dos Estados Unidos, a Dell quer decretar o fim da idéia de “comunidade científica”; em nome do lucro privado, quer decretar o fim do desenvolvimento coletivo.

A Dell diz obedecer às leis dos EUA. Paulo Gomes é brasileiro e acredita que deve obedecer às leis brasileiras.

Leia a carta do físico apoiada pela diretoria da Socidade Brasileira de Pesquisa:
Exigências absurdas da Dell do Brasil, por Paulo Roberto Silveira Gomes e Diretoria da SBF.

Termos da Dell publicados pelo físico:
Carta Explicativa EC Juridica-Dell
Declaração Pessoa Juridica-Dell
TCP Trade Compliance Profile-Dell


1 comment Setembro 17, 2007

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