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Blindagem grátis

Os carros ganharam camadas de aço mas não perderam o luxo. É chique desfilar pelas ruas num carro que resiste a tiros de fúzil.

Quem acha que estar num Jaguar blindado é mais seguro do que estar num carro comum sem blindagem só pode viver dentro de uma bolha e desconhecer completamente o que desejam os assaltantes.

Estar num carro é muito mais perigoso do que não estar em um. Não sei, mas estar num carro que suporta tiros parece logicamente assustador. Em vez de entregar o carro, a carteira, o relógio e tentar preservar sua vida, a vítima prefere dizer que não vai abrir o vidro e se colocar a espera dos disparos.

Mas o que o termo “blindagem” está fazendo no lugar do tradicional “fechamento” neste panfleto? Aparentemente, “fechar o corpo” é menos atrativo do que “blindagem”.

A composição de frases de impacto e a busca do termo ideal sempre foram obstinações da propaganda. E o marketing popular sabe que os apelos de ascensão social são dos mais eficientes. Não existe revista que custe R$1,99 que tenha uma mensagem do tipo “para você que não tem dinheiro suficiente”, assim como não existe um único sabonete que mostre uma mulher negra num chuveiro simples e fraquinho na embalagem.

No capitalismo globalizado quem é pobre precisa tomar emprestado símbolos de status, uma vez que as chances de ascensão real são quase nulas. A propaganda de produtos e serviços populares trabalha com este conceito básico, emprestar, através do consumo, uma sensação de menor pobreza aos que dela não escaparão.

Enquanto a blindagem se torna desejo comum entre a classe alta, a propaganda voltada ao povo preocupado com suas desventuras espirituais é, como sempre, rápida em assimilar os termos em voga entre os ricos e ajustá-los aos pobres.

No fundo estes marketeiros populares sabem que ambas as camadas querem a mesma coisa, subir. E o marketing está aí para isso. No plano real, cada camada continua no seu mundo. Como o isolamento completo não existe e a dinâmica de dependência e exploração entre elas é que tenta manter tudo como sempre esteve, quando a diferença entre iguais aumenta ainda mais, o ódio, a violência e o medo se espalham com o vento.


Add comment Abril 17, 2008

Trio elétrico particular


Imagem via: Forró em vinil

(…) E não pensem que essa avalanche de mediocridade atinge apenas os menos favorecidos da base de nossa pirâmide social, e com menor grau de instrução escolar. Cansei de ver (e ouvir) jovens que estacionam onde bem entendem, escancaram a mala de seus carros exibindo, como pavões emplumados, seus moderníssimos equipamentos de som e vídeo na execução exageradamente alta dos cds e dvds dessas bandas que se dizem de forró eletrônico. O que fazem os promotores de justiça, juízes, delegados que não coíbem, dentro de suas áreas de atuação, esses abusos? E ainda tem mulher que acha lindo isso tudo.

Estão acabando com a cultura nordestina, por Luiz de França Sobrinho, em Forró em vinil


Add comment Abril 16, 2008

Propaganda versus realidade

appel-eiersenfsoss1.jpg
Imagem: projekt1, Pundo3000. Todos os direitos reservados.

Propaganda já significou valorizar os atributos do produto que está à venda. Mas ficou para atrás o tempo da negociação direta, do comerciante que sabe como cativar o cliente e que busca fechar o negócio considerando que está tratando com uma pessoa que merece respeito.

O tempo em que a comida era algo que se encontra na natureza também já passou. A comida estilo fast food é algo não identificado embalado numa foto bonita.

Dois projetos sensacionais na web, utilizam a simplicidade para desvendar a mentira descarada e evidenciar como é tratado o consumidor da era globalizada.

Uma foto da embalagem inteira, outra da imagem do alimento estampada na embalagem e, finalmente, outra do conteúdo real. E o projeto do Pundo 3000 deixa claro a distância entre realidade e propaganda. (clique nas imagens para ampliar)

burgerki-whopper.jpg
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Todas imagens acima: projekt1, Pundo3000. Todos os direitos reservados.

O West Virgina Surf Report em Fast Food: Ads vs. Reality mostra-nos uma foto do mundo da propaganda e outra do mundo de quem recebe algo indecente para comer.

sausageburrito1.jpg sausageburrito2.jpg

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beefcheddar.jpgbeefcheddar02.jpg
Imagens: Fast Food: Ads vs. Reality. Todos os direitos reservados.

Ambos links via Neatorama


1 comment Março 27, 2008

Flower Power

bike_flor.jpgImagem: Jardinagem Libertária

Como retomar as ruas e praças? Relato da bicicletagem libertária


Add comment Janeiro 31, 2008

Pedintentes e turistas

Correm descalços na areia escaldante, levam cervejas, caipirinhas, peixes, macaxeiras. Ao virarem as costas, o “doutor” lembra-se de algo “ô…”, o sal, o vinagrete… Vão e voltam com o esquecido. Assim vai o dia, correndo de um lado para o outro, cruzando seu trecho particular de deserto, “a conta”, “mais uma”, “mais uma cadeira”, “tá saindo?”. Trabalham para os bares, restaurantes e barracas oficiais da praia.

Os demais estão por conta. Eles e elas vendem camarão, queijo coalho (com mel, orégano ou alho), caranguejo, ostra fresca, passa de caju, cocada, brinco e pulseira, “trampo hippe”, tatuagem provisória, trança de cabelo, tererê, pastel, lanche natural, canga, biquíni, presilha de cabelo, origami de folhas naturais.

Guiam turistas por praias e cidades (sem compromisso), indicam pousadas e hotéis correndo atrás de carros na entrada de balneários, mentem necessidades e inventam estórias trágicas que amolecem o turista, armam e desarmam fileiras imensas de guarda-sóis, limpam praias para que os próximos voltem a sujar, lavam os pés dos turistas nas embarcações, ajudam a descer e a subir de bugs, barcos, vans e ônibus, mergulham em busca de cavalos-marinhos, levantam ancoras, recolhem velas, servem frutas, tiram fotos submarinas e terrestres, resgatam quase-afogados.

Perdidos em plena juventude. Sem ter o que fazer nos paraísos do planeta. Sem ter o que fazer em plena juventude. Fazem qualquer coisa por uns trocados. Inclusive acompanhar senhores durante algumas horas.

Os programas de incentivos ao turismo beneficiam apenas grandes agências de viagens, empresas de transporte e redes de hotéis e restaurantes.

O resto é miséria. São cidades desorganizadas onde o dinheiro dos turistas e impostos vão para não se sabe onde. Programas de fomento à venda disfarçada de mendicância, à servidão disfarçada de presteza, ao trabalho infantil disfarçado de bico de verão.

A alegria do povo brasileiro é uma de suas características mais evidentes e marcantes. Em cada cantinho do nosso País é possível provar da simpatia, do calor humano e da hospitalidade da população local. Fonte: Ministério do Turismo, Com quantos sorrisos se faz um país?

Sim, podemos ver a alegria com que eles nos servem.


3 comments Dezembro 19, 2007

Acidentes corporativos

Lendo esta tirinha dos malvados no contraponto e fuga me lembrei de um artigo muito emocionante de Jonatas Abbot.

O filho de Jonatas foi sugado pelo ralo aspirador da piscina de um grande e caro hotel do nordeste. O garoto ficou com o braço preso a 1,80m de profundidade, um amiginho gritou para o pai e três adultos salvaram o garoto sem titubeio algum.

O hotel que causou o acidente, deixando o ralo sem rede de proteção e com a bomba de aspiração ligada durante o horário de banho, mostrou-se preparado para, além de não socorrer, omitir-se, desrespeitar e culparar o acidentado de 7 anos pelo ocorrido.

O texto de Jonatas é dedicado aos salvadores de seu filho, reproduzo o trecho em que ele relata como, diante do poder do capital e dos valores corporativos, estamos perdendo nossos valores humanos mais básicos.

Jamais uma piscina pode ter ralo de fundo ligado em horário de banho. E jamais, jamais pode ficar sem tela de proteção. É colocar seus hóspedes em risco e inúmeras tragédias já ocorreram por isso. Pior do que isso é a atitude do gerente do hotel que tentou culpar o meu filho por estar na “piscina de adulto” quando não havia nenhuma sinalização, nem barreira e quando a piscina em questão tinha área de 1,20 e de 1,80m.

Meu filho nada e usa piscinas em todo o Brasil. Sua aula é numa “piscina de adulto”. Pior do que isso foi, apesar dos meus apelos, ninguém do hotel ter ido até o hospital conosco pelo menos para dar apoio, carona e etc. Culparam meu filho, uma criança de 7 anos sugada por um buraco criminoso que fez precisar da força de 3 homens e deixou um braço roxo com muito trauma mas nenhuma fratura. Infelizmente vivemos neste hotel a síntese da evolução do mundo corporativo, onde o consumidor interessa apenas quando desembolsa o dinheiro. As pessoas não valem nada para as empresas que correm a buscar um culpado e a sumir quando algo dá errado. Burros, acima de tudo muito burros.

Como consumidor eu queria apenas o bem estar do meu filho. Queria carinho segurança, o melhor hospital, quem sabe uma carona ? Não queria dinheiro. Recebi agressão, omissão de socorro (quando o pedi do hospital), preocupação com dinheiro. Sou cliente do hotel há 4 anos e comigo talvez ele perca um evento inteiro anual e pelo menos uns 15 hóspedes que a tudo isso testemunharam. Para encerrar o parágrafo do mal é preciso dizer que entendo um funcionário desleixado ou incompetente deixar uma bomba ligada, mas não entendo uma empresa inteira estar tão preparada para fugir de uma responsabilidade para não perder dinheiro.

Negar carinho e mão amiga a um consumidor que chegou perto da morte dentro de suas dependências. É a era da mediocridade e sinto muita pena das pessoas que convivem e se violentam trabalhando em empresas assim. Deveriam se envergonhar. Mas agradeço de coração a covardia do gerente que, desafiado por mim, desapareceu quando voltei do hospital, pois o que jurei que faria a ele pelo telefone era pouco e talvez agora eu não estivesse aqui abraçado ao amigo mais lindo e perfeito do mundo. O hotel que me impressionava pelo tamanho e estrutura, agora impressiona pela frieza. Sob susto, ameaças e uma inteligência suspeita pagaram os incríveis R$ 1.654,00 de 6 horas de hospitalização (somente este episódio e este valor dariam uma coluna a parte). Se pendurar em aviões e passar anos em tribunais ou viver cada segundo ao lado do meu filho? Ainda não decidimos…

Fonte: Aos heróis que salvaram a vida do meu filho, 12/10/2007. Todos os direitos reservados.

Leia o artigo completo


1 comment Dezembro 17, 2007

Carro sujo sempre vai ter

Três dias procurando aquele sotaque gostoso, aquele vocabulário desconhecido. Diluído nas regiões freqüentadas por muitos turistas; como sempre, o encontrei no ônibus.

- É muito fácil, véio. Você já tinha trabalhado com jato?
- Não, não.

Tinham uns 25 anos, um sentado o outro em pé. Encaixei-me em pé. Sete horas da noite. Carro cheio, mas não lotado.

- Você vai ver, é muito fácil. É fácil demais.
- Aqui nessa região se você entrar nas ruas aí, vai ver um monte de lava - rápidos. Se pegar a manha e não faltar e tal, é bom.
- Pra mim tá bom. Ficar em casa é uma merda e aqui eu tiro um. Daqui um tempo já dá pra ir me arrumando.
- Se vai ver, carro sujo sempre vai ter, né.
- Quando eu falto lá fica corrido, os caras nem olham na minha cara no outro dia direito. Eu chego já tão com aquela cara. Quando outros caras faltam, tudo beleza, ninguém faz cara. É corrido.
- Já fez painel.
- Painel, não.
- É fácil demais, véio. Fácil demais.
- O bom lá, você vai ver, é que você faz de tudo e aprende tudo. Você faz pneu, painel, aspira…
- O velho que é folgado, eu tô aspirando e ele fica me chamando para fazer o pneu… eu finjo que nem ouço. Aí ele vem “- Tá morto aí?”, “- Não dá pra ouvir com essa zuada no meu ouvido, né”, “- Passa o pneu aí”. Porra, o cara quer eu faça o pneu do mesmo carro. Só atrasa o carro.

Não sei como, acho que foi na hora que o celular do que estava sentado tocou e ele desligou após olhar para a tela, o assunto saiu do bairro do trabalho e foi para o bairro de moradia.

- O cara vendeu o garfo, dois pneus… Nem sei por quanto. Eu tinha dado pra ele.
- Mas o cara vendeu as peças que você tinha dado?
- Eu dei uma parte para o meu pai. “- Ae, pai, você não queria colocar sua bicicleta para rodar de novo? Pega aí o que precisa”. O resto eu dei pra esse cara. Eu tava em casa e toda hora vinha alguém “empresta aí, rapinho, pra um corre”. Porra, às vezes de noitão, vinha um bater pedindo, eu emprestava de boa, mas era toda hora, não dava, toda hora, véio, na janta…
- Mas eu quero arrumar outra.
- Outro dia tinha um maluco vendendo uma novinha por cinco conto. Cinco conto.
- Porra, o cara tava na nóia, heim….
- É, novinha. Não acreditei, mas não tinha os cinco. Vendeu rapinho ali na rua.
- E você vendeu aqueles falantes?
- Quarenta conto.

Foi mais ou menos assim, bem mais que isso, num ônibus de linha em Maceió. Entendi a placa que vi numa casa de uma vila próxima da praia da sereia. “Não empresto a bicicleta. Não insista”. Gostaria de ter a foto da placa e a gravação do diálogo dos dois rapazes. Escrevo para poder reler e quando reler tentar recordar do sotaque de quem entende como o as coisas rodam diferentes para alguns.


Add comment Dezembro 12, 2007

Outra cidade

Quem mora em São Paulo e lê o mundo pelos olhos da Veja, do UOL e da GNT acredita que o Brasil moderno é São Paulo e que não existe vida inteligente para além do sul e sudeste.

É estranho estar numa cidade em que você, de dentro do ônibus, pode ver um rio. Um rio como o dos livros, com margens e água corrente; não uma canaleta gigante feita de concreto onde corre esgoto.

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Petrobras. Orla de Atalaia, Aracaju, Sergipe.

Você vai até o centro de cidade grande e tem uma pessoa pescando dentro do rio, isso espanta mais do que a beleza mostrada pelo passeios turistícos de Sergipe. Esperamos ou beleza ou cidade, não os dois juntos. Afinal, o paulistano usa o guia “fuja da cidade” para descansar, a cidade é uma espécie de inimiga, um lugar de onde se tira o dinheiro para a sobrevivência e para o lazer longe dali.

Parece que os paulistanos têm um dicionário diferente dos outros brasileiros urbanos, algumas palavras não tem a mesma acepção, se perderam no tempo. O rio não faz parte da cidade, está morto há algum tempo e a gente vai esquecendo o que esta palavra significa. Ele nos interessa pouco, pois o real problema é saber como estará o trânsito nas marginais às cinco da tarde.

Quando você está no sertão de Segipe e tem uma loja de celular com dois jovens sensuais no outdoor, fica a impressão de que um dia tudo será São Paulo, de que o chinelo será visto como carteirinha de pobreza; de que o carro e a camiseta Puma falsificada agarradinha serão mais importantes do que tirar o sarro do conhecido que passa do outro lado da rua; de que ir a praia ou contemplar o rio serão momentos mais chatos do que ir ao shopping ou ao “promocenter” local comprar um óculos de sol falsificado.

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Carro e motos tomando sol na praia. Orla de Atalaia, Aracaju, Sergipe.

Pode ser um pessimismo torpe, mas o “desenvolvimento” que os governantes nordestinos prometem não é “trazer empregos”, “duplicar estradas”, não é se tornar uma pequena São Paulo? A CVC, a maior agência predatória do Brasil, por exemplo, já fechou acordo para construção de um complexo hoteleiro em área de mangue preservada.

Claro que existe um outro “desenvolvimento”, suas idéias vem se espalhando mas ele precisa se tornar hegemônico. Não gostaria de voltar para Aracaju e ao pedir uma informação ser tratado como um idiota que pode ser enganado, como acontece na maioria das cidades com turismo muito desenvolvido.

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Mercado central. Aracaju, Sergipe.

É preciso resistir. A vida está em outro lugar. Em outros tempos não era preciso apontar onde, hoje é.

Relacionados:
blog Ciclo urbano, mobilidade sustentável, Aracaju-SE


6 comments Dezembro 6, 2007

Férias

Quando você pega um trem, você sabe a hora que sai e a hora que chega. Quando você sai de carro, você só sabe a distância. O mapa (ou o GPS) não fala dos engarrafamentos, não lembra a complicação que é sair e entrar das cidades, não acha vaga para estacionar, nem se lembra do lugar exato onde você deixou o carro. E qual era a placa, mesmo?

Eu entendo que um bom exercício para fazer sempre antes de pensar em carro é: nessa viagem, é o carro que vai me carregar ou eu que vou carregar o carro? Ele vai me facilitar a vida ou vai ser uma mala de quatro rodonas, um cachorrão que eu vou ter que alimentar, cuidar e arranjar pouso? (Fonte: Até a pé nós iremos. Todos os Direitos reservados).

Leia o artigo completo

Infelizmente, no Brasil, os trens viraram sucata.

Ainda existe CLT. Vou aproveitar antes que acabe. Os artigos durante o mês serão mais raros.


1 comment Novembro 30, 2007

Cidades publicitárias

Deveríamos convidar publicitários para as cadeiras de planejamento urbano, assistência social, meio-ambiente e outras tantas. Afinal, eles conseguem filmar cidades quase ideais, ruas tranqüilas, pequenas lojas de mantimentos, bicicletas, carros, crianças e demais pedestres transitando com seguranças, os rostos transmitem uma serenidade contente, nem o cachorro não precisa da coleira para “não escapar para a rua”.

Ahh, o Natal, que tempo feliz. Nada como uma corporação como a Coca-Cola para nos lembrar como era a vida antes dos hipermercados destruírem o comércio de bairro, antes da indústria automobilística invadir as ruas com suas máquinas, antes dos pet-shops venderem cães por encomenda, antes dos salários serem soterrados pela terceirização dos serviços, antes da privatização dos serviços públicos… antes da indústria de bebidas que mata o avô de cirrose, a esposa de pancada, o filho no volante e o pai com um tiro na porta do bar usar a solidariedade como tema de propaganda.


2 comments Novembro 19, 2007

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