Arquivo para fevereiro 2011
Mortes por homicídios e em transportes no Brasil

Clique na imagem para navegar no gráfico dos Homicídios vs. Óbitos em transporte (taxa em 100 mil) – 2008
Em 2008, no Brasil, ocorreram 39.211 mortes em colisões, atropelamentos e outras situações de transporte; no mesmo ano, 50.113 pessoas foram assassinadas das formas mais conhecidas: na bala.
Pistola automática, três oitão e fuzil são regulados por lei, seu uso é restrito e um “acidente” com uma arma de fogo segue os tramites de abertura de inquérito e toda sequência de atos jurídicos.
O uso do carro, da moto e de carros que parecem caminhões também é regulamentado. Seu uso, porém, é fortemente incentivado pelo governo, através de apoios fiscais e investimentos em estrutura para autos, e pelas empresas, através do longo convencimento cultural. Os crimes de trânsito não motivam investigações e tem uma vida nas pastas do judiciário apenas formal – por conta de seguros e similare$.
Jovens
Mais de 18 mil jovens de 15 a 24 anos, que deveriam estar estudando, produzindo e desenvolvendo o país, morreram assassinados em 2008. Quase 9 mil morreram no trânsito e não tiveram futuro no país do futuro.
A taxa de homicídios entre jovens, em 2008, cresceu 1,9% em relação a 1998. Já taxa mortes nos transportes, no mesmo período, cresceu 32,4%. Ou seja, em uma década o país nada fez para conter ou reduzir a chacina provocada por automotores nas ruas do interior e das capitais.

Clique na imagem para visualizar o gráfico das Mortes em transporte no Brasil, 1998 vs 2008
O delegado Gilberto Almeida Montenegro, que culpou dezenas de ciclistas pelo próprio atropelamento, em Porto Alegre, é um exemplo da visão hegemônica no país hoje: a de que avançar com um carro sobre uma pessoa e matá-la não é “morte matada”, é “morte morrida”.
Quando o diretor da Divisão de Crimes de Trânsito de uma de nossas capitais mais ricas declara aos jornais sua preferência pela impunidade, mesmo diante de imagens e testemunhos cabais, a evolução das mortes mostradas pelo gráfico acima torna-se ânsia de vômito.
Carros coloridos na cidade cinza
Centro de São Paulo, no ponto de ônibus da Praça Ramos começa a chover gotas coloridas. Uma garota olha com curiosidade para o céu. Logo, vem o impacto, uma gota se converte num carro, também colorido. A jovem abandona a espera do coletivo e adere às cores rumo ao moderno.
Um exemplar azul metálico cai sobre a Praça Dom José Gaspar. A chuva colorida aperta, carros brilhantes se espalham e colorem a cidade preta e branca.
De uma travessa do Vale do Anhangabaú uma série de carros desfila levando alegria à enfadonha capital.
O homem-placa está curioso, o violinista abre um belo sorriso ao ver a caravana, até o vendedor de churrasco grego é irradiado pela alegria da Fiat.
Crianças apressadas começam a recolher do chão estas sementes de carros. Logo as panelas estão cheias de cores.
Um rapaz, sentado na frente de uma casa térrea vê uma gota deste orvalho motorizado escorrer diante de si e, sim, sua vida e a vilinha sem graça, prometem se transformar. É quando a música – a onda da vez são as cópias da trilha de “Onde vivem os monstros”, de Karen O – dá o gancho para o narrador.
Ele esclarece ao desatento: “por um mundo mais colorido, com mais inovação e tecnologia: Fiat.”
PS. Todos os locais apresentados no comercial tiveram recentemente seu espaço para pedestre diminuído. Comidas de rua, como o churrasco grego, são hoje proibidas em São Paulo. Artistas de ruas também são proibidos em determinadas vias. Ao que sei, por enquanto, os homens que carregam placas continuam na ativa, mesmo com a lei cidade limpa. Em regra, casas térreas deram lugar a prédios com “segurança e vaga”, as que sobraram exibem fortes grades.



