Arquivo para maio 2010
Ciclistas inauguram motofaixa
Sobre:
Ciclistas não poderão usar motofaixa, esclarece CET, notícia, IG São Paulo
CET vai apagar pintura de bicicleta feita em motofaixa na zona central de SP, notícia, R7
Foto-ouvinte: Bicicleta na motofaixa, artigo, blog Milton Jung
Scrapertown
Inventividade + faça você mesmo + pouca grana + cultura de rua + vontade de se divertir com a molecada do bairro + clipe bombado no youtube
(dica @boingboing)
Gatunos S.A. lança mais um empreendimento de sucesso
No último sábado, a Gatunos S.A. realizou o lançamento de seu mais ousado empreendimento, o Residencial Itororó, na nobre região da Bela Vista.
Centenas de pessoas de bom gosto, autoridades e membros das mais distintas famílias da cidade (e algumas celebridades instantâneas. Fazer o quê? A alta sociedade não é mais a mesma), estiveram presentes no local para conhecer as novidades arquitetônicas e as soluções encontradas pela Gatunos para facilitar a agitada vida dos paulistanos.
Pandoval Garfield de Souza, um dos responsáveis pelo negócio, disse que alguns ajustes ainda serão feitos para tornar o empreendimento ainda mais atrativo. Ele cita a demolição de dois altos edifícios brancos (vistos ao fundo da foto acima) que desestabilizam a energia arquitetônica feng shui do Residencial Itororó.
Enquanto saboreavam os delicados aperitivos preparados pela talentosa equipe Cat Buffet, os clientes puderam conhecer melhor as linhas de financiamento do Programa “Centro é caro, vá embora!”.
Cartas de descrédito foram as mais emitidas durante o lançamento. “Perdemos as contas, foram muitas. O descrédito é geral”, declarou Garfield à reportagem. “Para garantir o nível dos futuros moradores, a faca tem que estar a afiada”, completou o jovem diretor.
As plantas dos apartamentos agradaram até os mais exigentes. O design de interiores Claúdio Hype Deco declarou que “tudo foi pensado com os olhos no futuro, um pé na tradição e outro no requinte”.
Inovações como o televisor do dormitório voltado para a privada causaram euforia e foram testados e aprovados por aqueles que exageraram nos canapés extra apimentados da festa.
—
Não entendeu nada? Leia a reportagem de verdade sobre o protesto: Humor e criatividade marcam protesto na Vila Itororó (Revista Fórum)
Relacionados:
Vila Itororó mobilizada para resistir: a história do palacete “surrealista” que virou a casa de gente simples, Brasil de Fato
Vila Itororó, blog
Campanha da SPTrans culpa vítima e amplia espaço publicitário nos ônibus
O sistema de ônibus na zona sul muda constantemente, ao gosto da SPTrans, empresa responsável pela gestão dos ônibus em São Paulo. Os problemas, entretanto, continuam de uma obviedade cortante.
Há algum tempo, muitas linhas diretas foram substituídas por baldeações nos terminais lotados. Enquanto aguarda pela nova condução, o usuário vê seu Bilhete Único perder a validade e mais R$2,70 cair para dentro da catraca das concessionárias. Linhas canceladas, ônibus velhos, itinerários que mudam a todo o momento e lotação absurda são rotina no extremo sul da cidade.
Mas é nos corredores exclusivos de ônibus que se sente o calor do inferno paulistano. A exclusividade proporciona duas horas de espera por um ônibus e mais três para chegar ao centro.
Resultado: diversos trabalhadores demitidos por conta dos atrasos freqüentes e, todas as manhãs, uma pequena legião de pessoas que desiste dos ônibus caminhando quilômetros ao longo das avenidas.

A situação perdura há anos. Após um protesto na Avenida M’Boi Mirim – onde o caos é insuportável -, a Prefeitura resolveu dar um refresco aos pobres do busão.
Durante duas horas do dia, num pequeno trecho, uma das faixas privatizadas pelos automóveis volta para o uso coletivo.
Para não prejudicar os carros, claro, inventaram de usar a faixa do sentido contrário, que pela manhã tem menos movimento. Faltou combinar com os pedestres e os atropelamentos voltaram a crescer.
Os novos seguradores (aqueles conhecidos “puta que o pariu”) dos ônibus avisam “Ao atravessar preste atenção na faixa reversível”. O usuário do serviço continua, portanto, sendo o culpado pelas soluções improvisadas da empresa.
Se uma mudança aumenta imediatamente o número de acidentes, a lógica diz que foi ela quem gerou o risco. Para os técnicos da SPtrans, porém, a lógica é outra, as pessoas desejam se arriscar e as gambiarras deles não tem nada a ver com isso.
O importante é que um novo espaço de propaganda foi criado na cidade limpa: o “puta que o pariu” publicitário.
Relacionado:
Como matar um corredor de ônibus, vídeo, Apocalipse Motorizado
Televisão no meu busão, não, artigo, Panóptico











