Parece pouco e é
Outubro 16, 2009
VW BlueMotion: Emite até 15% menos de CO². Parece pouco, mas faz muita diferença
Após alguns ensaios, o discurso ecológico está hoje totalmente incorporado às campanhas publicitárias. O quanto vai durar ninguém sabe. Talvez um discurso mais interessante surja em breve e a ecologia seja abandonada, talvez demore bastante.
O apelo ecológico na publicidade se apresentará de diversas formas, como já vem sendo. A publicidade de certos produtos, porém terá muito que inventar e reinventar. Se a discussão dos problemas ambientais se ampliar, como vem acontecendo, os anunciantes terão cada vez mais dificuldade para convencer um consumidor informado.
Juntamente com a ampliação do debate ambiental, entretanto, temos o trabalho publicitário e político para garantir que os níveis de consumo alcançados se mantenham. Trata-se, por exemplo, de melhorar a educação sobre questões ambientais e de consumir produtos ecologicamente corretos, mas não se trata de formar críticos autônomos, tampouco de reduzir o consumo de supérfluos.
Enquanto o discurso ecológico ganhava força e, recentemente, deu um pique de importância entre a classe média brasileira; o discurso publicitário tradicional, o do consumo desenfreado, apresentando-se como a única forma de vida possível para um bípede brasileiro, consolidava-se como um estilo de vida.
Se em grande parte trocamos nossa identidade de cidadãos pela de consumidores, a consciência ecológica propagada pelos comerciais, obviamente, não trará sinais para reverter este caminho.
A redução do animal sociável com cérebro desenvolvido a comprador solitário já nos trouxe prejuízos suficientes. Retomarmos as noções de sociedade é um dos caminhos necessários para a consciência ecológica. E esse discurso não estará nos filmes publicitários.
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