Arquivo para outubro 2009
Sociedade da vigilância

imagem: reprodução safarishop
Um casamento público
Num evento social tão valorizado como o casamento os sinais de status social estão todos lá reunidos. Como o automóvel é um dos nossos símbolos preferidos, normalmente, vale de tudo para arrumar uma carruagem que impressione.
Mas por que um casal que utiliza bicicleta no dia-a-dia não o faria no dia do casamento? Apenas por convenção? Afinal, o que diriam os vizinhos, a família e os amigos sobre uma noiva que chega de bicicleta?
Willian e Priscila nos lembraram que romper padrões não dói, é de graça e pode ser divertido.
Espanto, felicidade, admiração, excitação foi o que vimos pelas ruas por onde o casal passau. Funcionários deixando seus postos de trabalho, clientes saindo às portas das lojas, pedestres acenando, gritos, palmas, e, claro, motoristas contentes, buzinando, tirando fotos.
O casamento de Willian e Priscila foi um casamento público. O casal estava nas ruas. Sorriram, distribuiram flores, compartilharam a alegria do momento em público, sem convidados selecionados, sem hostless.
No último par de décadas, nosso espaço público perdeu, meio sem percebermos, sua dimensão característica. Carros privados ocupam quase a totalidade do espaço, pedestres são xingados como invasores do asfalto sagrado, bancos de praça são removidos, crianças são orientadas a não jogar bola na rua, protestos públicos são reprimidos, gráficos são apagados dos muros e festas de rua só com uma dezena de autorizações.
O pedal do casório mostrou que existe disposição de grande parte da população para manifestações públicas e coletivas. Se um jovem casal e um grupo de ciclistas pôde fazê-lo, resta que os governantes tenham alguma vergonha.
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Coleção de notícias sobre o pedal do casório
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Parece pouco e é
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Após alguns ensaios, o discurso ecológico está hoje totalmente incorporado às campanhas publicitárias. O quanto vai durar ninguém sabe. Talvez um discurso mais interessante surja em breve e a ecologia seja abandonada, talvez demore bastante.
O apelo ecológico na publicidade se apresentará de diversas formas, como já vem sendo. A publicidade de certos produtos, porém terá muito que inventar e reinventar. Se a discussão dos problemas ambientais se ampliar, como vem acontecendo, os anunciantes terão cada vez mais dificuldade para convencer um consumidor informado.
Juntamente com a ampliação do debate ambiental, entretanto, temos o trabalho publicitário e político para garantir que os níveis de consumo alcançados se mantenham. Trata-se, por exemplo, de melhorar a educação sobre questões ambientais e de consumir produtos ecologicamente corretos, mas não se trata de formar críticos autônomos, tampouco de reduzir o consumo de supérfluos.
Enquanto o discurso ecológico ganhava força e, recentemente, deu um pique de importância entre a classe média brasileira; o discurso publicitário tradicional, o do consumo desenfreado, apresentando-se como a única forma de vida possível para um bípede brasileiro, consolidava-se como um estilo de vida.
Se em grande parte trocamos nossa identidade de cidadãos pela de consumidores, a consciência ecológica propagada pelos comerciais, obviamente, não trará sinais para reverter este caminho.
A redução do animal sociável com cérebro desenvolvido a comprador solitário já nos trouxe prejuízos suficientes. Retomarmos as noções de sociedade é um dos caminhos necessários para a consciência ecológica. E esse discurso não estará nos filmes publicitários.
O carro do nosso tempo
O mundo que vamos deixar para os nossos netos depende do carro que estamos fazendo hoje. Fiat 500: o carro do nosso tempo.
Eu adoro quando as propagandas utilizam diretamente frases populares. “O mundo que vamos deixar para nossos netos” deve ter sido um dos primeiros chavões ecológicos em circulação nas esquinas, feiras e botecos.
Décadas depois, quem diria que ele apareceria numa propaganda de automóvel?
Claro que a indústria automobilística não se tornou ecológica, mas os publicitários não perderiam a oportunidade de tirar um sarro da onda verde na qual são, hoje, obrigados a surfar. E que melhor jeito que utilizar uma frase clichê em vigência por tanto tempo entre nós?
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