Por uma cidade mais divertida

Porto Alegre. Por: Trampo. Todos os direitos reservados.
Ao asfaltarmos todos os cantos e criamos um sistema de transporte violento nos auto-expulsamos do espaço público.
Enquanto o discurso da liberdade conquistada por meio do automóvel avançava, a cultura do entretenimento doméstico foi se fixando como alternativa barata de lazer. Os parques e praças foram abandonados pelos governos, transformando-se em áreas sem serventia para a população.
Sem alternativas de passeio, a “interiorização” do lazer ganhou impulso. Num ciclo onde a sedução por novidades de lazer domésticas, a apologia do medo urbano e a falta de transporte coletivo só fez agravar o abandono dos espaços públicos.
Os locais de acesso público foram restringindo seu acesso. Os parques e praças que sobraram foram cercados e os shopping centers tornaram-se a opção de passeio para a família.
Hoje, na maioria das grandes cidades brasileiras, os botecos são perseguidos e fechados, enquanto barzinhos que imitam a estética de botecos antigos são erguidos em locais privilegiados. O pessoal da cerveja barata ficou sem lugar no balcão e assiste da calçada aos carros pararem nos valet para o happy hour.
Podemos nos lembrar das maravilhosas praias brasileiras, talvez o último grande local de acesso livre. Mas muitas delas foram privatizadas. Condomínios de luxo e resorts em conluio com construtoras, empresários internacionais, políticos locais, companhias aéreas e operadoras de viagem simplesmente muraram boa parte do litoral brasileiro.
As cidades se tornaram, em resumo, chatas e segregadoras. A falta de lazer gratuito e de locais de acesso irrestrito prejudica a troca de conhecimento entre os cidadãos e limita a experiência humana.
Retomar o espaço público é urgente.
Relacionados:
Para humanizar a cidade
Por que construímos praças?
Como construir sua própria praça
Para Andrea Matarazzo catadores são problema
Para polícia população não tem direito à cidade
Centro Vivo




[...] Relacionado: Por uma cidade mais divertida [...]
Em São Paulo, cavalo-de-pau de Fórmula 1 pode; ollie de skate, não « Panóptico
dezembro 3, 2008 em 18:18