Tarifa única de ônibus em SP, só pagando adiantado

Abril 2, 2008

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Segunda-feira foi o primeiro dia útil de validade do Bilhete Único quase sem unidade.

Desde sábado para ter direito a entrar em quatro ônibus e pagar uma tarifa única, o paulistano tem que pagar adiantado pelo menos R$9,20 aos cofres públicos e empresas concessionárias.

O Bilhete Único, que dava direito a quatro viagens de ônibus com uma tarifa, foi implantado na gestão de Marta Suplicy e foi o grande apelo de sua campanha eleitoral em 2004. José Serra que disputava com ela o posto de prefeito teve como principal apelo sua passagem pelo ministério da saúde.

Nos poucos debates e nas muitas propagandas eleitorais obrigatórias, a integração dos transportes foi um dos principais temas. Embora ambos os candidatos tenham prometido a integração com o metrô e os ônibus intermunicipais, nunca deixaram claro se isso aconteceria com tarifa única. Em entrevistas os candidatos diziam que iriam fazer e fazer bonito, mas não prometiam com todas as letras.

Enfim, a integração com tarifa única, claro, não aconteceu. E quem deseja tomar um ônibus e um metrô paga mais caro do que quem toma dois ônibus. Os especialistas disseram que não poderiam superlotar o metrô. Essa integração que não é integração serviu para passar um pano e limpar a barra da prefeitura quando alguém lhe acusa de não ter feito o que disse que iria fazer.

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Desde a apuração dos votos de 2004, pouco a pouco, sempre com justificativas com pouco fundamento, o transporte público ficou para depois. Os corredores exclusivos para ônibus foram abertos para os carros em determinados horários e são livres para táxis. Estudantes (meia passagem) e idosos (passagem gratuita) foram submetidos a uma série de novas regras. Outras pequenas medidas difíceis de entender, como limite de tempo para os idosos girarem a catraca, aconteceram.

Mas o principal ataque foi a obrigatoriedade do cadastramento do Bilhete Único para o usuário que quisesse fazer uso do direito de entrar em até quatro conduções num prazo de duas horas, mas não tivesse o bilhete previamente abastecido de reais.

Na brincadeira do cadastramento dos Bilhetes, o “combate às fraudes no sistema” foi a justificativa. Na vida real a brincadeira não teve graça e o cidadão que não tem os dez mangos para pagar adiantado ao sistema e/ou não tem tempo nem paciência para ficar na fila da Casa lotérica para fazer o adiantamento, pagava em dinheiro na catraca e ficava sem integração alguma.

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Mês passado veio o aumento da integração ônibus + metrô ou trem. Custa R$3,65. Passou quase batido pela mídia, afinal o que é menos R$ 0,15 por viagem no bolso da população? Nem deram bola.

Agora mais um duro golpe. Mesmo quem tiver o bilhete cadastrado não vai poder fazer a integração com tarifa única. Só o fará quem tiver o Bilhete carregado. Ou seja, ou o cidadão vai até um posto carregar o seu Bilhete a cada um ou dois dias para não ficar sem nenhum tostão no bolso, ou deixa R$ 23 (ir e voltar do trabalho por cinco dias) adiantado para a prefeitura.

Na verdade existe uma única possibilidade de integração sem estar com o Bilhete carregado: com cargas de pelo menos R$ 9,20 o usuário tem duas chances de validação na catraca. Coisa para complicar mais a vida do usuário de um sistema que deveria facilitá-la. A única possibilidade dada pela prefeitura é difícil de entender e de colocar em prática. Deixar esse brechinha é só para limpar sua barra, mais uma vez.

A medida atinge o peito do transporte público. Revela o desprezo dos governantes às necessidades do trabalhador assalariado, da maioria dos estudantes e de toda a população que anda com dinheiro contado no bolso.

Num mês em que o caos do transporte privado foi destaque na mídia, revela que não existe vontade alguma de incentivar o motorista a deixar o carro em casa, por exemplo, quando precisar ir a um compromisso perto de sua casa. A prefeitura, mais uma vez, retira uma vantagem real (financeira) de quem estava pensando em adotar o transporte público, pois o cidadão precisa cumprir uma série de regras se quiser tomar dois ônibus e pagar uma só tarifa.

Como sabemos, esse tipo de medida, geralmente, vem acompanhada de um docinho. Após uma divulgação ridícula e o silêncio da mídia, as novas regras já estão em vigor. A Sptrans e a prefeitura vêm investindo mais em informar o “Bilhete Amigão”, que permite viagens com tarifa única num período de oito horas (durante a semana são duas horas) aos domingos e feriados.

Relacionados:
Notícias de um trânsito invisível
Notícia da SPTrans no site próprio. Dia 27/03, dois dias antes do início da nova regra.

Imagens: Sptrans

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  • 1. Juvenal Antena  |  Abril 7, 2008 at 1:07 pm

    E agora tem pegadinha né??? Televisão, alguns tem até som… Legal, enquanto assisto esqueço que estou pendurado, enlatado e vou demorar umas 2 horas pra chegar em casa…

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