O trabalho
Março 28, 2008
O “gato” (uma espécie de supervisor, o responsável pelo recrutamento e disciplina de um grupo de trabalhadores rurais) encosta o carro numa pousada de trecho, onde diversos trabalhadores esperam por trabalho. O “gato” precisa de 20 trabalhadores para uma empreitada na fazenda de um poderoso local, um juiz, talvez, uma família socialmente responsável, quem sabe (na imensa maioria dos casos o proprietário se mantém oculto e distante de possíveis responsabilidades).
A dívida com a hospedagem é anotada no caderninho do “gato”, é só a primeira. Sobem no caminhão com a coragem que a pinga traz. Uma bota, um facão, todo o alimento e cigarros que o trabalhador necessitará durante sua jornada também serão anotados diariamente.
Ninguém sai da fazenda enquanto a dívida não for quitada. Como já chegam devendo e os preços dos mantimentos são abusivos na fazenda, em poucos dias o que o trabalhador ganharia pelo trabalho já é inferior ao que ele deve. Está dada a condição para a escravidão por dívida, a forma de escravidão mais comum no Brasil rural hoje.
Em cidades como São Paulo, os imigrantes caem num círculo de exploração do trabalho baseado na retenção de documentos por seus empregadores, no medo da deportação, no isolamento e na própria determinação dos imigrantes de juntarem dinheiro e aceitarem qualquer empreitada.
E se estas ordens fossem invertidas, e se os executivos e assalariados de nível superior estivessem largados a exploração desumana diariamente? Esse é o tema do filme acima.
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1.
meandros | Março 28, 2008 at 9:40 pm
Um erro bastante comum é achar que 1888 e Princesa Isabel acabaram com a escravidão. E olha que fomos os últimos a abolí-la de maneira formal.
Excelente o vídeo!