Comparar mulheres, comprar carros
Fevereiro 29, 2008
Alimentar o gosto por uma espécie de produto é parte da função das propagandas. Existem campanhas que pretendem manter a força de determinada marca (e não vender um produto da marca), como aquelas campanhas da coca-cola ou da nike que apenas nos lembram que sem estas marcas não existe felicidade.
Também existem campanhas que pretendem manter ou aumentar a força de toda uma categoria, como aquelas “sorvete faz bem” ou “coma peixe”. Obviamente, a propaganda do refrigerante da marca Y está simultaneamente reforçando o gosto pela categoria refrigerante.
O filme acima é uma propaganda pontual, ela refere-se à vitória de um carro ao ser comparado com seus concorrentes por uma revista. Claro, não se diz “nosso carro é melhor, segundo a revista tal. Compre-o”.
Num dos cenários preferidos das agências de publicidade, o litoral, o comercial afirma que o Rio de Janeiro é incomparável, que a mulher carioca é incomparável, mas que carro é comparável, e, comparando, eles têm os melhores carros.
O fechamento do comercial é que nos revela o cuidado permanente dos publicitários com a manutenção de um antigo estandarte da indústria automobilística, a ligação da categoria carro à idéia de virilidade e sucesso sexual.
“Quem compara, compra Chevrolet. Até a Carol já comparou”, diz o narrador, enquanto a Carol encosta-se ao carro.
Seria a Carol uma consumidora que comparou e comprou? Poderia ser, num mundo onde todas as decisões de compra fossem apenas racionais. Este mundo não existe, simplesmente porque o Homem não é um animal motivado apenas pela razão. Ademais, o segmento de consumidor que o filme pretede atingir não são as mulheres. Certamente não teríamos uma garota lançando olhares em primeiro plano, se assim fosse.
A mensagem em maior evidência é: no mercado da paquera você será comparado; o sucesso em conquistar uma parceira atraente, como a Carol, será muito facilitado se você comprar nosso carro.
Entry Filed under: publicidade, transporte. Etiquetas: automovel, publicidade.



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