Eu destruo o planeta
Fevereiro 20, 2008

Uma das opções rumo à privatização da cidade e à promoção do isolamento de luxo é comprar um apartamento num condomínio hotel-clube e ganhar uma árvore - com direito a estampar o nome da família nela; outra é comprar um apartamento com uma praia artificial embutida. São formas chiques de se auto segregar, de cultivar o medo e de pagar pela ilusão de deixar a da fealdade do mundo do lado de fora.
É possível também fazer uma apólice de seguro “carbono neutro”. Segundo a seguradora é possível:
“escolher um lote de floresta para preservação, que varia conforme o perfil da apólice contratada. O cliente associa a área adotada ao seu nome ou apelido”.
É a lógica da primazia do indivíduo sobre o coletivo, aquilo que a publicidade sabe tão bem explorar. Aqueles que conseguiram escapar da pobreza e têm trabalhos estáveis passam a lutar não apenas pela manutenção do conforto, mas a lutar pela manutenção do status social. Numa cultura onde cada trabalhador é inimigo do trabalhador da mesa ao lado a vida se torna um infernal enfrentamento (para cultura do inimigo vide o retrato e estimulo do programa de TV “O Aprendiz”).

Quando ser ecológico é moda e sinônimo de status nada mais natural do que comprar uma área de preservação e aumentar seu status.
Nada de reduzir a emissão de gás na atmosfera, nada reduzir a produção de lixo, nada de reduzir nada. Afinal, a intenção é aumentar o consumo, a posse de bens, a aparência. Assim, quanto mais se suja mais se limpa. Essa é a lógica da campanha “seguro carbono neutro” e da maioria das ações corporativas ligadas à ecologia.
Trata-se, claramente, de um apelo ligado a posse como podemos ver. No site da campanha é possível encontrar outros usuários que “adotaram” áreas. Como a família que brinca de construir sua própria cidadezinha e tem uma árvore com seu nome, aqui o segurado pode grudar uma etiqueta virtual com seu nome numa floresta.
Claro, quem pode mais, aparece mais, já que a parte que te cabe “varia conforme o perfil da apólice”. Quem consome mais tem direito à uma área maior. Utilizando a calculadora de CO2 a classe média entra na brincadeira da batalha do micro-poder e corre atrás de garantir algo maior do que o do vizinho.
Quatro toneladas de sujeira? Beleza, alto padrão de consumo, tem direito a cheque especial, cartão dourado, caixa exclusivo, desconto nas tarifas e 88 m2 de mata nativa.
Entry Filed under: publicidade, transporte. Etiquetas: automovel, meio ambiente, publicidade.
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Não existe carro ecológ&hellip | Março 17, 2008 at 8:12 pm
[...] vem do Consume Hasta Morir, que indica também o documentário “Líneas Discontínuas”. Eu destruo o planeta De verde, só o marketing Carro ecológico Sábado: dia de desperdiçar água e desrespeitar o [...]