Outra cidade
Dezembro 6, 2007
Quem mora em São Paulo e lê o mundo pelos olhos da Veja, do UOL e da GNT acredita que o Brasil moderno é São Paulo e que não existe vida inteligente para além do sul e sudeste.
É estranho estar numa cidade em que você, de dentro do ônibus, pode ver um rio. Um rio como o dos livros, com margens e água corrente; não uma canaleta gigante feita de concreto onde corre esgoto.

Petrobras. Orla de Atalaia, Aracaju, Sergipe.
Você vai até o centro de cidade grande e tem uma pessoa pescando dentro do rio, isso espanta mais do que a beleza mostrada pelo passeios turistícos de Sergipe. Esperamos ou beleza ou cidade, não os dois juntos. Afinal, o paulistano usa o guia “fuja da cidade” para descansar, a cidade é uma espécie de inimiga, um lugar de onde se tira o dinheiro para a sobrevivência e para o lazer longe dali.
Parece que os paulistanos têm um dicionário diferente dos outros brasileiros urbanos, algumas palavras não tem a mesma acepção, se perderam no tempo. O rio não faz parte da cidade, está morto há algum tempo e a gente vai esquecendo o que esta palavra significa. Ele nos interessa pouco, pois o real problema é saber como estará o trânsito nas marginais às cinco da tarde.
Quando você está no sertão de Segipe e tem uma loja de celular com dois jovens sensuais no outdoor, fica a impressão de que um dia tudo será São Paulo, de que o chinelo será visto como carteirinha de pobreza; de que o carro e a camiseta Puma falsificada agarradinha serão mais importantes do que tirar o sarro do conhecido que passa do outro lado da rua; de que ir a praia ou contemplar o rio serão momentos mais chatos do que ir ao shopping ou ao “promocenter” local comprar um óculos de sol falsificado.

Carro e motos tomando sol na praia. Orla de Atalaia, Aracaju, Sergipe.
Pode ser um pessimismo torpe, mas o “desenvolvimento” que os governantes nordestinos prometem não é “trazer empregos”, “duplicar estradas”, não é se tornar uma pequena São Paulo? A CVC, a maior agência predatória do Brasil, por exemplo, já fechou acordo para construção de um complexo hoteleiro em área de mangue preservada.
Claro que existe um outro “desenvolvimento”, suas idéias vem se espalhando mas ele precisa se tornar hegemônico. Não gostaria de voltar para Aracaju e ao pedir uma informação ser tratado como um idiota que pode ser enganado, como acontece na maioria das cidades com turismo muito desenvolvido.

Mercado central. Aracaju, Sergipe.
É preciso resistir. A vida está em outro lugar. Em outros tempos não era preciso apontar onde, hoje é.
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blog Ciclo urbano, mobilidade sustentável, Aracaju-SE
Entry Filed under: política. Etiquetas: meio ambiente, turismo.
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1.
Anderson | Dezembro 6, 2007 at 1:58 pm
Muito boa esta mensagem, Brasil é imenso e de diversas culturas, cada uma a sua maneira.
2.
Rieux | Dezembro 6, 2007 at 3:46 pm
Estou preparando uma viagem pelo interior do Ceará e tudo o que eu espero ver é esse oposto do “desenvolvimento” paulistano. Gosto muito do seu blog. As questões são sempre relevantes e convidam à reflexão.
3.
Maurício | Dezembro 7, 2007 at 12:18 pm
Nada como a Ordem e o Progresso! :/
4.
felippe cesar | Dezembro 9, 2007 at 3:19 am
voce ta aqui em aracaju??? ou ja voltou? manda um email pra mim, vamos dar um role de bike, eu sou membro do ciclo urbano de aracaju - SE muito bacana seu post.
5.
panoptico | Dezembro 10, 2007 at 7:34 pm
Oi, Felipe.
deixei aracaju no dia deste post, mas valeu mesmo o convite. as ações de vcs, fora do eixo rio-sp, têm uma importância gigante.
Na real, eu pensei em escrever para vcs por curtir muito o trampo, mas achei que seria pretencioso demais da minha parte.
abração!
nenhum passo atrás
6.
Felippe Cesar | Dezembro 11, 2007 at 9:56 am
po velho, que pena. voce deveria ter escrito para nós. ia ser bacana essa conexão hehe. Bom fique sabendo que o Ciclo Urbano está de portas abertas precisando é so falar.
abraço.