Archive for Novembro, 2007

Não são trânsito

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Alameda Santos x Consolação, São Paulo, um dia qualquer


1 comment Novembro 19, 2007

Cidades publicitárias

Deveríamos convidar publicitários para as cadeiras de planejamento urbano, assistência social, meio-ambiente e outras tantas. Afinal, eles conseguem filmar cidades quase ideais, ruas tranqüilas, pequenas lojas de mantimentos, bicicletas, carros, crianças e demais pedestres transitando com seguranças, os rostos transmitem uma serenidade contente, nem o cachorro não precisa da coleira para “não escapar para a rua”.

Ahh, o Natal, que tempo feliz. Nada como uma corporação como a Coca-Cola para nos lembrar como era a vida antes dos hipermercados destruírem o comércio de bairro, antes da indústria automobilística invadir as ruas com suas máquinas, antes dos pet-shops venderem cães por encomenda, antes dos salários serem soterrados pela terceirização dos serviços, antes da privatização dos serviços públicos… antes da indústria de bebidas que mata o avô de cirrose, a esposa de pancada, o filho no volante e o pai com um tiro na porta do bar usar a solidariedade como tema de propaganda.


2 comments Novembro 19, 2007

Câncer Urbano


Add comment Novembro 19, 2007

Não assassinar, uma das vantagens de não dirigir

Não se deslocar de carro tem muitas vantagens. Menos poluição e trânsito, no caso do uso do transporte público; zero poluição, no caso das caminhadas, pedaladas e cia; maior rapidez entre um ponto e outro, no caso do uso da bicicleta…

Quando você pára de dirigir, outras vantagens vão se somando, você economiza dinheiro, fica um pouco menos estressado, agressivo e apressado…vária, para mim por exemplo, poder escutar música e ler no trajeto do ônibus estão entre as principais.

Quando você não anda de carro por muito tempo, e entra num, fica meio assustado e com medo. É este medo que vai se diluindo no dia-a-dia do motorista e dá aquela confiança no volante, que faz parte das estatísticas de mortes no trânsito. O dia-a-dia no volante, a cultura do Santo Carro e uma legislação que considera “acidentes” todas as tragédias envolvendo motorizados escamoteiam, senão apagam, o medo de um dia vir a tirar a vida de um semelhante.

“E se um dia eu atropelar alguém?”, “e se eu matar uma criança que corre atrás de uma bola?”, são perguntas que não nos fazemos depois que alguns anos ao volante, é um assunto que não está “na provinha para tirar carta”.

Além da menor chance de ser assaltado e morrer num semáforo enfadonho qualquer, não dirigir traz a tranqüilidade transcendental de saber que nunca matará alguém “sem querer”.

Relacionados:
Culpa dos Peões II - Comentário


5 comments Novembro 14, 2007

Proibida a entrada

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Trabalho de Dan Witz. Via Wooster Collective

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Trabalho de Dan Witz. Via Wooster Collective

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Trabalho de Dan Witz. Foto: Richard Ballard

Site de Dan Witz
Álbum de fotos de Dan Witz ( infelizmente as fotos têm “todos direitos reservados”)


Add comment Novembro 10, 2007

Esperando o ônibus no Rio de Janeiro

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Charge: Leonardo, em O Caos Anda sobre Rodas. Revista Zé Pereira.

— Na Zona Sul não é assim. Em Copacabana, tem ônibus a toda hora. Sei disso porque trabalhei lá por um tempo. Mudei de emprego e sofro com a falta de opções, principalmente na volta para casa. (Revista Zé Pereira)

Outras charges e um longa reportagem sobre o sistema de vans e ônibus no Rio de Janeiro estão no site da Revista Zé Pereira.

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Nunca li a revista, afora algumas reportagens no site, como a maravilhosa estória Hitler no Leblon, então não posso comentar sobre, mas é a primeira vez na vida que vejo uma capa de revista com uma garota negra, acima dos 30 anos de idade, e subindo num ônibus. Não é pouca coisa.


Add comment Novembro 9, 2007

Por que não?

A Toyota diz neste comercial que está reduzindo seu impacto ao ambiente.

É bonito ver estes comerciais cheios de verde, vento, luz, sombra, montanhas. São os cenários preferidos para os comerciais de carros desbravadores que “enfrentam qualquer parada”, para os carros de viagem, que comportam a bagagem da família (eles nunca estão no congestionamento da rodovia Anchieta), enfim, é cenário pau para toda obra publicitária.

Em tempos de sustentabilidade corporativa, o comercial não mostra um carro de lata, pesado, equipado, barulhento e com um caninho na traseira que solta uma fumacinha nociva, como é de fato um carro; traz um carro “harmônico”, ou seja, um carro que não existe.

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Carro de verdade, da marca Toyota

A Toyota diz (sussurra, na verdade, que é mais ecológico) buscar “o menor impacto possível”, numa produção harmônica de carros ecológicos.

Líder na categoria diesel. A Toyota acredita que determinação é fundamental para chegar cada vez mais longe. (Trecho de “slogan-conceito”.”Mundo 4 x 4″, site de carro da Toyota)

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Imagem ilustrativa: Toyota. Todos os direitos reservados.

Por que não? Porque não é suficiente, porque é mentira, porque onde há estradas asfaltadas, há carros.

Relacionados:
Na Noruega não existe EcoSport
Vídeo do comercial no site da Toyota. Clique em “‘Harmony’ TV Commercial


3 comments Novembro 8, 2007

Jogo do trânsito

O trânsito não é só carros. Existem outros veículos tentando circular pela cidade e quebrar o domínio dos automóveis.

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Imagem: Brug Hovedet.nu

Em São Paulo, ônibus trafegam segregados em corredores “especiais”, caminhões em horários e avenidas determinadas. Claro, os corredores de ônibus foi uma conquista, mas estas medidas só existem porque quem domina e manda nas ruas são os carros. Considera-se uma conquista justamente porque se conseguiu reservar parte do espaço público para os veículos públicos, deixando os veículos individuais em faixas separadas.

Não haveria necessidade de cotas para mulheres, negros ou portadores de necessidades especiais caso a sociedade já os considerassem cidadãos da mesma estatura social que homens brancos, que dominam e comandam os postos de trabalho.

As medidas disciplinatórias do trânsito partem da visão do motorista do carro particular. A diferença do racismo, xenofobia e outros preconceitos é que ele não é velado, em geral, no trânsito de São Paulo, é ódio declarado. Os motoristas odeiam os carroceiros, as motos, os caminhões e até outros carros. Todos estão lá para atrapalhar o trânsito, a fumaça do caminhão, o ônibus na faixa da esquerda, o semáforo de pedestres…é tudo um absurdo, quem eles pensam que são.

Vira e mexe temos espetáculos midiáticos como o prefeito de máscara inspecionando a fumaça dos caminhões, o anúncio de corredores preferenciais para motos, a exigência de coletes e baús com a placa do veículo para motociclistas (já se tentou até proibir a garupa na moto). Num mundo de carros, todos outros veículos são vilões: os caminhões poluem, os ônibus são muitos e congestionam, as motos quebram retrovisores de carros e são a montaria preferencial para assaltos, e as carroças atrapalham a fluidez do tráfego.

E as bicicletas? Estão na mesma disputa. Procuram um espaço para circular. Obviamente, motoristas de caminhões e ônibus contam com uma armadura pesada de metal, assim como os carros; os motociclistas têm motor, mas o pára-choque é ó próprio joelho. É uma disputa por espaço desleal, portanto. Uma guerra injusta. Pedestres e ciclistas são os combatentes mais expostos ao perigo. Os pedestres não têm nada e o negócio é medir o perigo antes de se impor ao atravessar a rua diante de um motor de 120 cavalos-16 válvulas. Os ciclistas estão no meio das feras, têm um capacete, um pedal, prudência e técnica.

É uma disputa arriscada. Os jogos de videogame de carros são fáceis, pois você bate, atropela, arranha, mas continua no volante, vivo, para os ciclistas o jogo não é tão divertido.

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:: Começe o jogo virtual aqui ::
Imagem: Brug Hovedet.nu

Relacionados:
Usar ou não o capacete, artigo, Pedaleiro
Capacetes e Segurança, artigo, Blog Transporte Ativo


1 comment Novembro 7, 2007

Garotos e garotas da bolha

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Uma grave doença vem se espalhando no ambiente urbano controlado pelo capital. Famílias inteiras sofrem com os sintomas desta que já se considera a pior epidemia urbana desde o último surto de peste no século XIX.

A classe média parece ser a população com menor resistência à doença. Em muitos casos os infectados são obrigados a viver dentro de bolhas. A bactéria se aloja em empreiteiras e construtoras que se alimentam basicamente de licitações fraudadas, lobbies municipais, especulação violenta e outras artes. Todas construtoras, já constataram os infectologistas que cuidam do caso, tomam dinheiro emprestado dos próprios clientes para construir e dizem às famílias que se trata de “parcelamento do imóvel na planta”.

Os principais transmissores da doença são imobiliárias e corretores contratados. A falta de nutrientes essenciais ao homo sapiens e a exposição excessiva à mídia corporativa e à publicidade exploradora da insegurança das almas são considerados fatores que aumentam o risco de contaminação.

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Habitantes de Springfield tentam escapar da redoma. Cena de Os Simpsons, O Filme.

A doença - só que invertida - foi tratada no estilo humor do absurdo no filme Os Simpsons. No filme, Homer Simpson causa um desastre ecológico e, para evitar maiores danos, o presidente ordena o isolamento da cidade. Todos os cidadãos de Springfield são abandonados à própria sorte (…a empresa do assessor do presidente é contratada para garantir o isolamento).

No mundo real os cidadãos tratam de se isolar da sociedade voluntariamente, deixando do lado de fora da sua cidade particular a violência e tudo que os amedronta. Acreditam que uma redoma de vidro impenetrável os protegerá da fome, da doença, dos assaltos, do trânsito e de todo horror do mundo.

A publicidade, como um velho malandro 171, conhece seu alvo e ataca diretamente seus pontos fracos. O medo de descer um degrau na escala de status social, o medo de expor sua ignorância, a vontade de parecer com seus ídolos anônimos ou famosos e de mostrar seu suposto crescimento aos colegas fazem parte do estratagema da publicidade voltada para a classe média.

Centenas de ilhas da fantasia, parques privativos e redomas blindadas formam algo monstruoso. Um local onde apenas há avenidas, shoppings center e condomínios com seus “portais” onde os carros entram e não se sabe mais nada sobre esta cidade dentro da cidade e seus habitantes - como eles vivem, o que comem, como se reproduzem… Temos, assim, um mundo dentro de um mundo, estranhos, o começo do fim do que se chama de sociedade.

Enquanto os recursos dos fundos públicos sustentados por milhões de trabalhadores são usados para construção destes fortes de proteção contra a fealdade do mundo, seus financiadores continuam pagando por aluguéis irreais em bairros do lado de fora da bolha. Abandonados à sorte da especulação imobiliária, ainda são obrigados a tolerar o discurso da “revitalização”, a maquiagem urbana utilizada para que os habitantes das redomas possam sair de vez em quando e não terem que se deparar, a caminho do teatro, com a bestialidade da pobreza.

Relacionados:
Cidade privativa


8 comments Novembro 5, 2007

Audiência Pública - Projetos Pirituba/Perus

Na próxima segunda-feira, dia 05 de novembro, o CEU Perus abrigará uma audiência pública para apresentar e debater os projetos que serão implementados com recursos gerados pelo leilão de créditos de carbono gerados pelo Aterro Bandeirantes. Os projetos serão executados na região de Pirituba e Perus, diretamente afetadas pelo funcionamento do Aterro.

Durante a Audiência serão apresentados os projetos e colhidas sugestões. Os projetos incluem implantação de parques lineares e ciclovias, entre outras ações.

Mais: Secretaria do Verde e Meio Ambiente de São Paulo


Add comment Novembro 2, 2007

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