Archive for Outubro, 2007

Ecomarca

Aqui no escritório adotaram o papel reciclado do Ermírio de Moraes para impressões e meu cartãozinho de visita agora é de papel reciclado também. Foram estas as medidas ecológicas adotadas aqui. Convivem com estas atitudes, banheiros segregados (a diretoria tem os seus de uso exclusivo), salários diferentes para funcionários na mesma função, jornada extra não remunerada, uniforme para faxineira…

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A questão do papel é simples: pega bem, mostra aos clientes e fornecedores que a empresa está sintonizada com o discurso atual. Um sinal claro dos tempos: se o discurso chegou nesta pequena empresinha, a coisa, de fato, está disseminada. Nada de ruim, obviamente, certa postura diante do tema é bem-vinda, e não vai fazer mal nenhum usar o tal papel.

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Há pouco tempo atrás era exemplo clássico de brand marketing citar os cases sobre água mineral engarrafada. Como vender o diferencial de um produto que não tem cheiro, sabor ou cor? Esse tempo passou, em qualquer supermercado é possível encontrar uma gôndola reservada para águas de diferentes marcas.

A evolução das marcas foi rápida. A propaganda cada vez menos vende os atributos da mercadoria (durabilidade, acabamento…) e cada vez mais a marca (identidade, imagem…). Portar um Ipod, por exemplo, não significa portar um objeto caro com a função x e y, mas fazer parte de uma comunidade mundial de apreciadores do design, da modernidade e tudo mais que a Apple agregou aos seus produtos (ser acessível a uma micro minoria, claro, faz parte da identidade hype).

O capitalismo precisa de renovação constante. A renovação dos apelos é alimento. Lembremos o que aconteceu com a contracultura ou a cultura de rua, por exemplo. A assimilação do grafite, do skate, da música dos subúrbios etc. aconteceu, de forma que hoje um banco internacional com fachada grafitada não nos parece muito estranho. A cultura do compartilhamento de conteúdo, a arte combativa e até o próprio ativismo são a bola da vez.

É só dar um pulo em qualquer Sesc para assistir este espetáculo. Um monte de cultura que nasceu espontaneamente em algum lugar com o propósito de questionar e/ou combater o capitalismo ou alguma parte de sua estrutura lá estará amaciada, acalmada, funcionando dentro de prazos, propostas, oficinas… Assunto complicado, para depois…

E a ecologia ou, digamos, a sustentabilidade corporativa ela está aí para quê? Aquela história de selo “ecológico” foi retrabalhada, além desse selo agregador de valor à marca da empresa, parece que um dos apelos que cola no consumidor é justamente a possibilidade de delegar à empresa parte do seu, digamos, “trabalho limpo”. As campanhas do tipo “deixe seu dinheiro com a gente” (Itaú), “compre os nossos produtos” (Ypê) que investiremos uma parte do lucro em ecologia seguem esta linha.

Saem de cena os brinquedinhos para as crianças com câncer, as sopas para os moradores de rua ou outras contribuições sociais que já foram moda e entra o papel reciclado, a coleta seletiva, o comércio de créditos de carbono. Numa mesa de bar, quando o onipresente assunto do aquecimento global surgir, lá estará seu argumento pronto para ser usado: eu sou cliente de tal banco, que só uso papel reciclado, meu cartão de visita é ecológico… Pronto, você está limpo, nenhum universitário ou amigo mais “antenado” vai te encher a paciência.

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Hoje, como que oficializando o novo apelo, o levantamento anual do Datafolha sobre as marcas mais lembradas do Brasil traz a categoria “marcas mais associadas ao verde”.

Movimentos e grupos autônomos e espontâneos sempre estão na mira das corporações, sejam escolas para crianças carentes, grafiteiros, ongs que “têm um trabalho social” ou grupos pró-ecologia. Cada tempo com suas idéias. Eles têm dinheiro para comprar aquelas que lhe favoreçam. A tática das corporações é persuadir individualmente (grupo a grupo, artista a artista). A avaliação e decisão de utilizar os recursos destas empresas, claro, é com cada um dos grupos e indivíduos, o risco, porém, é de desmembramento das redes invisíveis.


1 comment Outubro 31, 2007

Propaganda, uma história cheia de sutilezas

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Fonte: Vintage Ads

“Dos sete aos dezessete…a ‘Daisy’ vai fazer deste, um Natal para ser lembrado”


2 comments Outubro 29, 2007

Bicicletada SP - Raloim do Saci

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Intrigado em saber como sacis pedalam, fui até a bicicletada desta sexta. Não consegui a resposta.

Tudo ia normalmente bem, quando seres um tanto misteriosos chegavam, sozinhos e em bando, de diferentes direções. Uma bruma espessa começou a tomar conta da praça do ciclista, logo a água caiu com a força de um feitiço ancestral e os pensamentos ficaram confusos.

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Eles simplesmente pedalavam com uma perna, com ou sem cachimbo. Meu entorpecimento aumentava, era noite de lua cheia. Os carros parados no trânsito ao redor da praça pareciam não ser mais tão perigosos.

Uma massa de bicicletas seria capaz de se impor perante um engarrafamento de carros? Mistérios da meia-noite… Feitiços da massa crítica… Uma união sem líderes em ação, sutil e direta em seus propósitos, uma assombração que acontece em centenas de cidades do mundo por uma utopia possível.

Para o trânsito motorizado o caos estava formado, para os sacis pedalantes bastou aguardar o céu limpar.

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Sacis e Homens do Saco que habitam a floresta de concreto começaram a preparar seus veículos;

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a panfletar mensagens maravilhosas;
a espalhar palavras mágicas aos quatro ventos;

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a rogar sorte àqueles que correm perigo ao tentar circular pelas ruas sem a armadura de aço;

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a se deslocar silenciosamente, como fantasmas, pelas ruas da cidade;

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sumiram; são trânsito.

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Mais:
Álbum de fotos Panóptico
Contraponto e fuga
Pedalante

Relacionados:
Bicicletada São Paulo, site
Massa Crítica, verbete Wikipedia


3 comments Outubro 27, 2007

Eternas crianças

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Loja de grife, Rua Oscar Freire, São Paulo, 25/10/2007

A Rede Globo de televisão já teve sua programação infantil baseada em mulheres bobas que se diziam crianças (virgens, com dente de leite…) apresentando desenhos animados para “baixinhos e baixinhas”. A libido em desenvolvimento, claro, agradecia o atalho proporcionado pelos shortinhos curtinhos que elas e sua turminha de ajudantes adolescentes vestiam todas as manhãs.

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Loja de grife, Rua Oscar Freire, São Paulo, 25/10/2007

Houve um tempo em que a divisão entre as fases da vida de uma pessoa não existia, aptidão ao trabalho era a regra. Consegue colher a plantação? É homem. Não consegue mais? Está velho. Com a invenção da infância, determinado período da vida ficou reservado a certos cuidados, entre eles a educação para o trabalho.

A vida moderna, porém, trouxe uma série de confortos, vivemos muito mais e, digamos, se “relativizou” os conceitos das fases da vida. Encurtou-se o período da infância, da vida adulta e da velhice; a juventude começa cedo e termina tarde (se é que termina). O que, sob vários aspectos, não é ruim.

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Fonte: Glam Guns

A cultura pop e sua supervalorização da juventude rapidamente formou um culto aos aspectos ligados a esta extensa fase da vida. Por que vender para um determinado segmento se você pode vender para qualquer um? Esta expansão depende de uma série de fatores, mas o resultado é que hoje motivos infantis são estampados em roupas para adultos e imagens ligadas ao universo adulto fazem parte do dia-a-dia das crianças.

Nada demais, mas uma fila de “meninas” de 30 anos no McDonald’s disputando o brinquedo da Hello Kitty ofertado pela rede, meninos de seis anos escolhendo telefone celular como presente para o dia das crianças e meninas de sete “fazendo escova” nos cabelos indicam que algo de estranho e exagerado está acontecendo.

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Fonte: Glam Guns. Via: Neatorama

Propagandas com “bichinhos” anunciando cerveja, design infantilizado de produtos, apelos sexuais em publicidade de brinquedos e estimulo à competitividade no ensino básico são características da mesma enfermidade (Fonte: Apocalipse Motorizado)

Relacionados:
Pequenos grandes consumidores


2 comments Outubro 25, 2007

Cidade privativa

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Uma espécie de selo pregado numa árvore estampa o nome de uma família que a comprou. Não se trata de algum fazendeiro doido que resolveu, além de marcar seu gado móvel, marcar suas árvores normalmente imóveis.

Trata-se de um grupo de paulistanos cheio de estilo e cheio de vontade de brincar num mundo só seu. Um mundo muito diferente deste que se vê quando se coloca o pé na rua. Mesmo entre os quase ricos é difícil manter distância daqueles que, digamos, têm certo mau gosto. Mesmo morando num condomínio fechado fora do município e dirigindo um carro blindado, perde-se o mesmo tempo no trânsito que os carros populares perdem e vira e mexe um revólver se faz mais esperto que a blindagem especial.

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Pensando neste inconveniente, as construtoras estão oferecendo todo um mundo para você poder chamar de seu. O conceito de área de lazer particular se expandiu e hoje agrega muitos outros bens de conforto. A brincadeira de montar uma cidadezinha ao gosto do cliente segue um rumo monstruoso e já temos uma coleção de home isso, private aquilo: na zona sul um condomínio contará com uma praia particular; na zona leste outro com “parque privativo”

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A parte mais assustadora da história (porque não deixa pistas sobre os limites deste rumo) é que dentro da exclusividade prime, dentro do seu domínio, sempre cabe mais um nível de exclusividade, mais uma camada onde o destaque é mais especial.

Assim, um parque particular é legal, é seu parque, mas também é dos vizinhos (todos de ótimo nível, claro)… Infelizmente, a realidade impõe uma questão simples, ainda não deu para comprar um parque realmente exclusivo. Bom, a vontade de se diferenciar dos outros seres não deixará se ser saciada pelo mercado, pelo menos uma árvore com seu nome carimbado o consumidor prime terá para poder bater no peito e gritar “esta é a minha família e esta é a nossa árvore!”

Relacionados:
A propriedade privada foi feita para você


3 comments Outubro 25, 2007

Qual’é chefia? Libera a calçada

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4º DP, rua Marquês de Paranaguá, São Paulo, 17/10/2007


2 comments Outubro 24, 2007

A grande escapada

Após certo desgaste do apelo da imagem do carro sozinho pela estrada ensolarada rumo à praia, o ambiente urbano parece ser a bola da vez nas campanhas publicitárias de carros para jovens.

Como este ambiente é velho conhecido, o jeito é retratá-lo como um lugar alheio e inferior ao consumidor alvo, a cidade aqui é um lugar que não é bem o seu lugar.

A cidade barulhenta, engarrafada e poluída não é um lugar que você merece, as pessoas ao seu redor não são bem aquelas que você paqueraria, elas não fazem parte da sua turma, não ouvem a mesma bandinha da moda [vídeo], não são clientes do vips, tampouco têm os mesmos celulares e outros aparelhinhos descolado$.

A cidade é, portanto, um ambiente estranho. Quem justamente trará consigo uma saída a este problema será o carro propagandeado. Ele lhe retirará deste lugar barulhento e cheio de gente esquisita.

Assim a cidade degradada em grande parte pelo uso excessivo do automóvel, é retrata como, sim, um lugar difícil de se dirigir, mas seu papel na trama é apenas o de personagem antagônico, sua função é marcar o personagem principal - o carro salvador - através da inevitável comparação.

Nestas campanhas, a cada semana mais comuns, a cidade é apenas o contraponto à mensagem-anúncio que está por vir: uma grande escapada, um “até logo perdedores”.


1 comment Outubro 23, 2007

TVO continua a invasão privada aos ônibus de SP

A empresa Bustv Brasil foi a primeira a se beneficiar do trânsito e da Lei Cidade Limpa. O trânsito mantém uma massa enclausurada todos os dias dentro dos ônibus, e a proibição dos anúncios externos garante a exploração privada dos espaços públicos internos (e externos, já que anúncios em equipamentos urbanos de propriedade do município são permitidos).

Em meio ao caos no sistema de ônibus na zona sul da cidade, a TVO, da produtora Mixer, inicia sua invasão nos ônibus de São Paulo.

O usuário compra um bilhete de R$2,30 que lhe dá direito a quatro passagens restritas as leis das empresas de transporte (estar com o bilhete cadastrado ou carregado, resolver tudo em até duas horas…) e, sem sua prévia autorização, disponibiliza à empresa e à prefeitura seu potencial dinheiro - seu poder de consumo.

Vale repetir o texto de março:

Você entra num ônibus do sistema público de transporte na Rua Augusta e só pretende chegar ao seu destino com segurança, respeito e rapidez, mas recebe uma propaganda do Mcbacon, uma porção de videoclipes de grandes gravadoras e um bocado de campanhas institucionais que dizem que você deve pagar seus impostos.

Segundo o presidente da Mixer, “a idéia é levar, principalmente, entretenimento ao usuário deste transporte público” (Fonte: Gazeta Mercantil).

Que ótimo, agora poderei assistir as tradicionais pegadinhas (na TVO, importadas) durante minha viagem até o trabalho.

Obs. O usuário que pegar um ônibus com o canal TVO paga R$2,30 e aluga para as empresas anunciantes apenas seu par de olhos, já que a TVO não tem som. Uma Grande vantagem em relação à Bustv, que aluga dos olhos e ouvidos pelo mesmo preço.

Relacionados:
Televisores invadem ônibus de São Paulo
Mixer lança TVO, de mídia em ônibus, notícia, Sandra Azevedo, Gazeta Mercantil
TVO está em fase de testes, notícia, Clube dos Criadores de São Paulo


1 comment Outubro 22, 2007

Infância tranqüila

APITO FORMATO SUICÍDIO

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Fonte: Boing Boing

ARMA DE BRINQUEDO SUICÍDIO

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Fonte: Glowfoto


1 comment Outubro 21, 2007

Propaganda, uma história cheia de sutilezas


Add comment Outubro 20, 2007

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