Dell descrimina cidadãos e cientistas de Cuba, Irã e outros
Setembro 17, 2007
Paulo R. S. Gomes estuda física, é membro do Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense e comprou um computador da Dell. Como o computador iria para um Instituto de física a Dell exigiu que seu cliente assina-se documentos com termos como:
- Não transferir [o computador] para Cuba, Irã, Coréia do Norte, Sudão, Síria, ou a qualquer estrangeiro com dupla nacionalidade, ou a qualquer outro país sujeito a restrições sob leis e regulamentos aplicáveis onde não estejamos situados, sob o controle de um indivíduo natural ou residente deste país;
- O cliente está usando algum cartão de crédito internacional de algum país com embargo? (Afeganistão, Cuba, Irã, Iraque, Líbia, Coréia do Norte, Sudão ou Síria)
Paulo Gomes já havia recebido o computador quando sua assinatura foi requerida, ele não assinou nada, devolveu o computador e propõe um boicote à Dell.
A Dell diz que precisa saber qual será a destinação final dos seus produtos, onde e por quem serão utilizados.
Os estudos científicos são desenvolvidos há séculos de forma simples: alguém tem uma idéia baseada num método científico, publica seu estudo, ele é discutido e avaliado por outros cientistas, qualquer um que queira utilizar o estudo para ter uma idéia é livre (e estimulado) a fazê-lo. Todos os estudos científicos são herdados pelas gerações seguintes, que por sua vez discutem, aprimoram e propõem novas teorias que serão avaliadas.
Gerações de homens e mulheres trouxeram-nos ao presente estado da arte da computação. A Dell lucra produzindo máquinas desenvolvidas pela Humanidade e agora quer restringir a colaboração entre um físico brasileiro e outro que por obra do acaso nasceu num país inimigo daquele onde a Dell é sediada.
Ao exigir que um cliente pesquisador deixe de colaborar com cidadãos de certos países em nome da hegemonia dos Estados Unidos, a Dell quer decretar o fim da idéia de “comunidade científica”; em nome do lucro privado, quer decretar o fim do desenvolvimento coletivo.
A Dell diz obedecer às leis dos EUA. Paulo Gomes é brasileiro e acredita que deve obedecer às leis brasileiras.
Leia a carta do físico apoiada pela diretoria da Socidade Brasileira de Pesquisa:
Exigências absurdas da Dell do Brasil, por Paulo Roberto Silveira Gomes e Diretoria da SBF.
Termos da Dell publicados pelo físico:
Carta Explicativa EC Juridica-Dell
Declaração Pessoa Juridica-Dell
TCP Trade Compliance Profile-Dell
Entry Filed under: política. Etiquetas: ciencia, estados unidos.
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1.
Maurício Maggion Maia | Setembro 18, 2007 at 1:11 am
Outra questão bem lembrada pelo Eustáquio Rangel é quanto ao sistema operacional. As licenças de software proprietários contém termos da mesma natureza.
http://eustaquiorangel.com/blog/show/462