Archive for Setembro, 2007

Fábrica de bicicletas é ocupada e autogestionada por seus trabajadores/as

Se conseguirmos nosso objetivo de receber pedidos de 1.800 bicicletas produzidas em regime de autogestão, ajudaremos a difundir as idéias de solidariedade e daremos um apoio moral à companheiros/as que se encontram em situações semelhantes, lutando, como nós, para evitar a “reconversão total” (Fonte: strike-bike.de).

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1 comment Setembro 27, 2007

Dia 22, dia de paralisação. Vai furar?

Houve um tempo em que homens e mulheres insatisfeitos com suas condições de trabalho se juntavam e pressionavam os patrões. Em vez de ficarem pelos corredores reclamando, como fazemos hoje, tomavam coragem e cruzavam os braços. Criaram uma identidade trabalhadora e sentiram o poder das ações coletivas.

Se temos direitos a descanso anual, 13o. salário e local salubre e seguro de trabalho foi graças a muita gente que parou sua máquina, interrompendo a linha de montagem, foi às ruas, apanhou e morreu. Foi assim em todo o mundo capitalista.

Hoje, um ambicioso administrador que acha um absurdo a algazarra de uma passeata no caminho do seu trabalho e se sente cansado após trabalhar sábados e domingos seguidos (sem direito a hora extra) para fechar aquele “projeto estratégico para a companhia” não liga uma coisa a outra, constata-se que seu cérebro já foi formatado pela sua empresa, pela Veja, pela Globo, pelo MBA, pela Você SA… pela cultura do cada um por si.

A humanidade errou quando comprou o sonho vendido pela indústria automobilística e pelos governos de seus países sede. Milhões de inocentes morrem em guerras por petróleo, milhões morrem gradualmente e em silêncio vítimas da poluição, milhões morrem em acidentes. As crianças não conhecem as ruas, os idosos têm medo delas, os deficientes vivem em prisão domiciliar, os adultos correm entre um carro e outro para chegar até a outra calçada.

A humanidade percebeu o erro. Chegou ao limite. Terá que enfrentar os poderosos.

Os carros tomaram a cidade e hoje somos obrigados a viver correndo para atravessar a rua e ficar parados no trânsito causado por eles. Eles não mandam na cidade!

Dia 22 é dia de paralisação mundial. Em toda grande greve existe o fura-greve, aquele sujeito que achava que não pode arriscar seu emprego por melhores condições de trabalho.

Amanhã você motorista tem a oportunidade de ser um fura-greve ou participar de uma paralisação para reflexão e apoio a luta pelo direito à cidade.

Em vez do direito de ficar uma hora parado sozinho no trânsito, a luta pelo uso racional do automóvel, pelo transporte coletivo público e por cidades mais humanas pode levar ao direito do seu filho brincar na rua e você chegar ao trabalho em 20 minutos enquanto lê um livro ou bate um papo.

Programação do Dia Mundial Sem Carro em São Paulo

Alguns Relacionados:
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Technorati Tags: carfree


1 comment Setembro 21, 2007

Dell descrimina cidadãos e cientistas de Cuba, Irã e outros

Paulo R. S. Gomes estuda física, é membro do Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense e comprou um computador da Dell. Como o computador iria para um Instituto de física a Dell exigiu que seu cliente assina-se documentos com termos como:

- Não transferir [o computador] para Cuba, Irã, Coréia do Norte, Sudão, Síria, ou a qualquer estrangeiro com dupla nacionalidade, ou a qualquer outro país sujeito a restrições sob leis e regulamentos aplicáveis onde não estejamos situados, sob o controle de um indivíduo natural ou residente deste país;

- O cliente está usando algum cartão de crédito internacional de algum país com embargo? (Afeganistão, Cuba, Irã, Iraque, Líbia, Coréia do Norte, Sudão ou Síria)

Paulo Gomes já havia recebido o computador quando sua assinatura foi requerida, ele não assinou nada, devolveu o computador e propõe um boicote à Dell.

A Dell diz que precisa saber qual será a destinação final dos seus produtos, onde e por quem serão utilizados.

Os estudos científicos são desenvolvidos há séculos de forma simples: alguém tem uma idéia baseada num método científico, publica seu estudo, ele é discutido e avaliado por outros cientistas, qualquer um que queira utilizar o estudo para ter uma idéia é livre (e estimulado) a fazê-lo. Todos os estudos científicos são herdados pelas gerações seguintes, que por sua vez discutem, aprimoram e propõem novas teorias que serão avaliadas.

Gerações de homens e mulheres trouxeram-nos ao presente estado da arte da computação. A Dell lucra produzindo máquinas desenvolvidas pela Humanidade e agora quer restringir a colaboração entre um físico brasileiro e outro que por obra do acaso nasceu num país inimigo daquele onde a Dell é sediada.

Ao exigir que um cliente pesquisador deixe de colaborar com cidadãos de certos países em nome da hegemonia dos Estados Unidos, a Dell quer decretar o fim da idéia de “comunidade científica”; em nome do lucro privado, quer decretar o fim do desenvolvimento coletivo.

A Dell diz obedecer às leis dos EUA. Paulo Gomes é brasileiro e acredita que deve obedecer às leis brasileiras.

Leia a carta do físico apoiada pela diretoria da Socidade Brasileira de Pesquisa:
Exigências absurdas da Dell do Brasil, por Paulo Roberto Silveira Gomes e Diretoria da SBF.

Termos da Dell publicados pelo físico:
Carta Explicativa EC Juridica-Dell
Declaração Pessoa Juridica-Dell
TCP Trade Compliance Profile-Dell


1 comment Setembro 17, 2007

Tudo azul


Add comment Setembro 16, 2007

RJ e PR oficializam dia “Na cidade sem meu carro”

Súmula: Institui no calendário oficial do estado do Paraná, o Dia Na Cidade Sem Meu Carro, a ser comemorado dia 22 de setembro.

Parágrafo único: As escolas incluirão o tema nos respectivos programas, com reflexões sobre o impacto do transporte individual na vida urbana, mostrando conseqüências como o agravamento da poluição do ar, as doenças provocadas pela poluição, o número de mortos e feridos em acidentes de trânsito e a falta de democratização do espaço público em decorrência da abertura ininterrupta das vias para o carro. (Fonte: Rua Viva)

Notícia completa: Dia “Na Cidade Sem Meu Carro” agora é LEI!

Relacionados:
Eu fumo e tusso fumaça de gasolina


Add comment Setembro 13, 2007

CONAR aceita campanha da Volks que ridiculariza preocupação com velocidade

O vídeo “Novo Jetta — Para quem se contenta com muito”, que ridiculariza os consumidores que reclamam e entram com ações contra o abuso da publicidade de automóveis, foi validado pelo CONAR - Conselho de Auto-regulamentação publicitária presidido pelo diretor de relações com o Mercado da Rede Globo

No vídeo, o diálogo, ambientado numa agência de publicidade, é:
- Olha o filme ficou lindo, vocês da agência valorizaram bem o design, o câmbio tiptronik, mas tem um problema: o carro ta correndo demais.
- Mas ele corre, ué!
- Mas nós da volkswagen não podemos incentivar isso.
- A gente vai filmar de novo, com o carro mais calminho.
- Ah não precisa, com a computação a gente deixa ele mais lento.
- E fica bom?
- Ooooo!

Na seqüência rola o vídeo com o carro em câmera bem lenta acompanhado da música Born to be Wild em rotação lenta. Para ver o vídeo vá em vídeos > Assista os vídeos

Anunciante e agência: VW e Almap/BBDO
Decisão: Arquivamento

Para consumidor paulistano, comercial de TV da VW é inadequado por mencionar a regra que veda a utilização do excesso de velocidade como argumento para promover o automóvel.
Na peça, que mostra a reunião entre cliente e agência, o cliente diz que o carro está correndo demais no comercial e que não pode incentivar esse tipo de comportamento.

A defesa explicou que o comercial foi ambientado em uma agência de publicidade para demonstrar as qualidades e diferenciais do veículo, sem nenhum incentivo de desrespeito às leis de trânsito, mostrando apenas uma situação de ultrapassagem. (Fonte: CONAR, Acórdão Julho/2007)

Relacionados:
Não reduzir na lombada é hilário, aceita CONAR
Novo Fiat Palio: a emoção está aqui
Eles matam (e ainda fazem piada)

Technorati tags: publicidade, adv, carro, car.


2 comments Setembro 12, 2007

Eu fumo e tusso fumaça de gasolina

O Diário Oficial de 11 de setembro publicou:

COMUNICADO Nº.1.468,.DE 10 DE SETEMBRO DE 2007.

Recomenda cuidados especiais com os alunos nos dias em que se registra baixa umidade relativa do ar na cidade de São Paulo.
O Secretário Municipal de Educação, usando de suas atribuições legais e considerando:
- a ocorrência de baixa umidade relativa do ar na cidade de São Paulo;
- os perigos de agravos à saúde dos escolares que ficam expostos ao sol em dias muito quentes;

Resolve:
Recomendar aos gestores e educadores de todas as unidades Educacionais da Rede que:
- em dias muito quentes evitem a exposição dos alunos em locais descobertos e ou por períodos prolongados;
- desenvolvam atividades mais leves com os alunos durante as aulas de Educação Física;
- ofereçam várias oportunidades de hidratação aos alunos durante sua jornada escolar;
- recomendem às famílias e aos alunos o uso de fotoprotetor solar quando expostos ao sol.

O Secretário perdeu a oportunidade de comunicar algo que não atentasse a inteligência dos estudantes que pretende educar. Poderia ter recomendado que:

- pais de alunos dependentes do automóvel - notadamente pais de estudantes de escolas privadas - evitem o uso do transporte individual, de forma a amenizar os efeitos da poluição do ar respirado por estudantes da rede privada, pública e demais seres vivos;
- alunos que abandonarem o vício do automóvel e da fila dupla de papais e mamães na porta da escola sejam bonificados com um livro a sua escolha;
- a venda de alimentos gordurosos com baixo valor nutricional seja substituída pela distribuição gratuita e farta de frutas hidratantes variadas;
- seja fornecido gratuitamente protetor solar a todos os estudantes;
- seja implementado serviço de empréstimo de bicicletas a todos os estudantes;
- seja implementada campanha educacional sobre clima, ambiente e transporte.

Ao lado da matéria “Clima seco piora e deve durar até outubro” a Folha de S. Paulo, também no dia 11/09, publicou um quadro-explicativo que dizia:

Razões do Clima Seco
Massa de ar seco entre as regiões Sul e Sudeste, associada a um sistema de alta pressão

A Folha perdeu a oportunidade de publicar um quadro explicando:

- o que são “massas de ar seco associadas a um sistema de alta pressão”;
- porque este ar é negro e porque a massa é formada por partículas sólidas, como vemos nas fotos que o próprio jornal publica;
- porque a classe média socialmente responsável, público leitor do jornal, é responsável pela tosse dos próprios filhos e dos filhos dos moradores das áreas menos arborizadas e pobres da cidade;
- porque a sobrevivência financeira do jornal depende de anúncios de montadoras e concessionárias de automóveis emissores de partículas que retiram a umidade do ar.

De outro lado, ainda no dia 11/09, o quadro explicativo da página principal do site da CETESB não perdeu oportunidade alguma. É curto, grosso e inteligente ao associar numa frase saúde e transporte público, doença e poluição:

Condição atual da RMSP
Regular

Efeitos à saúde
Pessoas com doenças respiratórias podem apresentar sintomas como tosse seca e cansaço

Como proteger sua saúde
Preferir o transporte coletivo. Oferecer carona

A CETESB ainda recomenda:

- Adotar estratégias que permitam transferir ao usuário do transporte individual motorizado os custos indiretos provocados pela utilização de automóveis, de forma a evitar suas externalidades continuem a recair integralmente sobre a sociedade.

“Eu fumo e tusso fumaça de gasolina”, cantou Alceu Valença em Papagaio do Futuro. (Molhado de Suor, 1974)
(ou Trilha Sonora para comunicados oficiais de Secretários municipais e notícias da grande imprensa)

Relacionados:
Pedale Legal na Escola - Vídeo
Morte ao respirar
Carro: o grande vilão do ar


Add comment Setembro 12, 2007

A propriedade privada foi feita para você

aluguel_itau.jpg

A idéia de merecimento é um daqueles argumentos publicitários que pode ser usado praticamente para qualquer mercadoria.

O tênis é caro, mas, poxa, você merece; afinal tem trabalhado feito um louco! Você cuida da casa, do maridão, das crianças, trabalha “fora”… você merece cuidar de você e usar nosso creme hidratante.

O “eu mereço, vai…” é uma das frases mais ouvidas naquela hora de indecisão entre o “compro” ou “não compro”. É tiro e queda, uma vez que todos merecem conforto.

O problema da lógica do “eu mereço” é simples: Quem deseja uma mercadoria e não pode comprá-la, não a merece?

Ao afirmar que “tal coisa não foi feita para você” a publicidade vende uma distinção social cruel: financia o isolamento social à minoria que pode comprar e joga sobre a maioria que não pode adquirir tal ou qual cacareco o peso da culpa pelo próprio insucesso e miséria.

Pobre merece morar de aluguel. Você não, você é diferente, muito diferente. Aluguel não foi feito para você, foi feito para um outro pessoalzinho aí. Você é “outro nível”. O fato de você não ter o dinheiro para comprar uma casa à vista, não passa de um detalhe; nós te emprestamos por juros de 9% ao mês e você escapa de ser confundido com esse bando de gente que não merece nada além de pagar o aluguel.


2 comments Setembro 11, 2007

Jornal do Brasil “copiou e colou” Universo HQ

O Estadão chama os blogueiros de macacos copiadores de textos.

Mês passado, o Universo HQ, há anos na internet, denunciou no seu blog que um de seus textos havia sido copiado integralmente pelo Jornal do Brasil (lembrete do plágio: blog dos quadrinhos).

Este é o texto de Marcus Ramone, no Universo HQ e este o do Jornal do Brasil, creditado à Agência JB (!).

A agência Talent e o Estadão acharam a reação dos blogs tola e exagerada. Qual seria a reação da Associação Nacional de Jornais se a blogosfera lançasse campanha que representasse jornalistas e editores da velha mídia como macacos? Motivos para tal não faltam.

Technorati tags: estadao, blogosfera.


Add comment Setembro 4, 2007

Prefeitura promove batatinhas fritas

mccain.jpg

É viável um panfleto de campanha municipal estampar diversos modelos de batata frita, como acontece naqueles jornaiszinhos de supermercado?

É possível a prefeitura manter programas em favor da saúde e também manter parceria com uma fabricante de batatas fritas congeladas?

Empresas têm um só objetivo e jogam seu jogo, o jogo do mercado. Obviamente, estamparão seu nome em qualquer lugar que gere vendas. Agora, o governo municipal - que representa os interesses da população da cidade e não das empresas - deve aceitar qualquer parceria?

Óleo de cozinha entope o encanamento e polui muito. Quem seria contra uma campanha que promove a reciclagem e evita a poluição das águas? Ninguém, claro. Uma ótima oportunidade de fazer publicidade, portanto.

Mas, a Ambev deve patrocinar grupos de apoio a dependentes alcoólicos? Porque não? Afinal, existem descontrolados que precisam de ajuda, mesmo com os eficientes avisos “beba com moderação”. A Souza Cruz também avisa que “fumar causa câncer”, não? E o Unibanco não afirma todos os dias “use seu cartão de crédito com responsabilidade”?

Eles são responsáveis e nós irresponsáveis!

Aceitamos o empréstimo oferecido pelo operador de telemarketing do cartão de crédito. De repente, não damos conta dos juros de 10% ao mês, mas que falta de planejamento deixar a dívida virar uma bola de neve!

Aceitamos as loiras de mini-saia, a praia, os sorrisos das cervejas. De repente, numa cidade feia qualquer, viramos a esquina e batemos o carro, em mais um infeliz “acidente”.

Aceitamos o glamour do cigarro hollywoodiano aos 14 anos. De repente, aos 30, na tentativa de nos livrarmos do vício, estamos pagando por outras drogas - de outra multinacional.

Com a preocupação ambiental na pauta do momento, se você tivesse uma fábrica de batatinhas congeladas não apoiaria uma campanha que no fundo passa a mensagem: Preocupado com a poluição causada pelo óleo? Não se preocupe, pode fritar nossas batatas à vontade, o óleo será reciclado! (mais ou menos do mesmo modo que um refrigerante Zero, passa a mensagem: Não tem açúcar. É água. Tem nome de água!)

O recado do marketing é: com “responsabilidade” o consumo não tem o freio da culpa.

Esta “responsabilidade” pode, inclusive, estimular o consumo. Afinal, quando compro um bloquinho de papel reciclado estou deixando de comprar papel branco ou estou apenas comprando um produto com o selo “ecologicamente correto” que não compraria caso não o fosse?

Finalmente, quem levaria - vai levar - vantagem nas parcerias ong + governo + empresa multinacional? A população? Conhece grande empresa que faz parceria para levar desvantagem?

Relacionados:
Parcerias são firmadas para melhoria da qualidade ambiental, notícia Prefeitura de São Paulo.
Salgadinho no ônibus e miojo na janta
Zero nutrientes

Technorati tags: alimentação, obesidade, ppp, batatafrita


Add comment Setembro 4, 2007

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