Motos, trânsito, status e mortes
Agosto 21, 2007

Paulo Fehlauer. Alguns direitos reservados.
Muitas vezes a opressão do hoje leva a decisões de curto prazo que justamente comprometem o bem-estar futuro.
Cansado de ônibus lotados, carros “populares” com pagamento facilitado, você entra nessa também, 36 vezes, nada demais, você tembém pode. Uma decisão individual. Algumas avenidas engarrafadas começam a ser evitadas, alguns horários começam a ser evitados, logo rádios e TVs se especializam em relatar ao vivo o caos na cidade dos carros, cada motorista tem sua “rota alternativa” para tentar “desviar do trânsito”, agentes da CET estão nos cruzamentos pedindo para os carros acelerarem, multas são aplicadas.
De repente, não existe mais horário de pico, rota alternativa ou qualquer forma de programar o dia, e o carro que comprou para chegar mais cedo no trabalho, já não serve de nada, o jeito é sair de casa cada dia mais cedo.
Pessoas e coisas nunca chegam na hora que deveriam. Prejuízo geral. Nos anos 90 inventaram uma profissão: em troca de um salário mínimo, um cara é contratado para levar coisas numa mochila trafegando por entre o congestionamento montado numa moto. Perfeito, logo são milhares de motoboys, em todas as ruas. A moto tinha que ser pequena para caber entre os retrovisores, a potência não precisava ser grande, e as parcelas mensais do financiamento tinham que ser baixas.
Escravos do tempo dos patrões, estes rapazes arrumaram inimigos por toda a cidade ao cortar o trânsito como jatos. Os taxistas, motoristas por excelência, os odeiam; moços, moças e senhores pacíficos os hostilizam, nas rádios se ouve reclamações como “um motoboy me fechou e bateu no meu retrovisor”.
Os motoristas de SP são profissionais, sabem o tempo dos semáforos, a localização dos radares, as ruas onde não há agentes da CET e é possível furar o rodízio, eles dominam as manhãs do asfalto. Enfurecem-se quando um amador entra no caminho e não desvia por uma brecha, dá passagem para um inimigo num cruzamento ou não aproveita o sinal amarelo. São pilotos treinados para ultrapassagens, curvas fechadas, pista molhada e retomadas rápidas. São orgulhosos.
Com a explosão da quantidade de motoboys nas ruas, profissionais mais corajosos e dirigindo veículos mais ágeis, a coisa ficou séria. Os motoristas teriam que dividir as ruas com estes moleques sem respeito. Os carros desrespeitam a vida ao passar pelo sinal amarelo (amarelo em sp é verde), “nada demais”, “numa boa”, todos se entendem; mas os motoboys chegam e desrespeitam este desrespeito, passam pelo vermelho, pelo cantinho, se precisar derrubam retrovisores. “Não desrespeitamos, agilizamos o fluxo”, poderiam dizer; “já os motoboys não agilizam, desrespeitam”. Ou seja, nosso desrespeito é uma coisa, o desrespeito deles é outra.
Resumindo, o problema não demorou a aparecer. Jovens, negros e pouco escolarizados, que formam esta legião de enjaquetados de cara preta de poluição e touca na cabeça, começaram a morrer aos punhados.
Taxas padronizadas de óbitos por acidentes envolvendo motocicletas

Fonte: Secretaria de Vigilância em Saúde - Ministério da Saúde
Basta ir um dia aos INSS. Em cadeiras de rodas, com pinos nas pernas ou com os braços moídos eles estão lá, esperando o atendimento para “entrar na caixa”.
“Um novo arranque na sua vida”
Atualmente, nas pequenas cidades do Brasil a moto é o sonho de consumo de todo rapaz ou moça, não está exatamente ligado ao trabalho como no caso dos motoboys de São Paulo e sim ao lazer e ao tão sonhado salto social que o veículo mais acessível que o carro promete.
Taxas padronizadas de óbitos por acidentes envolvendo veículos

Fonte: Secretaria de Vigilância em Saúde - Ministério da Saúde
De fato, as chances da vida de um motociclista ser “arrancada” pelo trânsito vêm crescendo, mas isso não está na propaganda da Honda.
Ainda há muita gente para morrer.
:: Evolução da Mortalidade por Violência no Brasil e Regiões, Ministério da Saúde.
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1.
Santiago Borguni | Outubro 1, 2007 at 2:20 pm
RADAR NELES RESOLVE SIM ! Só na Rodovia Raposo Tavares do km 16,5 até sentido Marginal Pinheiros, todos os dias vemos de 4 à 5 acidentes com motos, o trânsito na Raposo Tavares deste kilometro 16,5 até o 1º é um caos demoramos em média de 30 minutos só neste percurso com trânsito lentíssimo, quando ulgum motoboy cai passa-se para 50 minutos à 1 hora, é um absurdo isso tudo, quando os guardas da CET estão tentando ajudar no final da Francisco morato com a Eusébio Matoso a coisa piora, pois eles liberam o trânsito da Francisco Morato e Avenida Vital Brasil e a Raposo Tavares vira um CAOS total, voltando aos motoboys: No transito da Raposo Tavares onde os carros trafegam a 20/30 km/h, se vê claramente a imprudencia dos motoboys onde eles abusam da velocidade e cortam entre os carros descontroladamente, não temos como nem ve-los as vezes eles ultrapassam até pelo acostamento e a faixa que fica na esquerda junto ao guarde-reio. Com certeza se os motoboys não passasem voando a quase 80 e 100 km/h entre esses carros a diminuição de acidentes e mortes por essa causa seria 90 % a menos só nos BAIRROS dentro de SP onde não a velocidade alta dos carros e sim do imprudentes MOTOBOYS eles abusam excessivamente da velocidade, sei e temos prova disso porque piloto e tenho amigos e parentes familiares que trabalham com moto no trânsito de SP nunca tivemos acidentes e procuramos respeitar e andar em velocidade baixa, e vemos que os outros não respeitam e businam também para outras motos, fazem ultrapassagens absurdas também entre as proprias motos onde muitas vezes o acidente e causado entre eles mesmos, assim passando a culpa ao carro do lado que não deu espaço a não uma mas sim para “”duas motos”", a solução sería então em todas estas vias que seja instalado RADARES ELETRÔNICOS ESPECÍFICOS PARA MOTOS, sabemos que não é fácil ganhar dinheiro como motoboy pois a velocidade e agilidade ajuda muito nisso, mas sería muito mais fácil impor velocidade máxima nas vias para esses caras e gerar multas também como para carros do que continuar esse absurdo como por exemplo na RADIAL LESTE onde o TRANSITO fica completamente parado e conheço motoboys que trafegam ao absurdo de 90 à 100 km/h entre os carros, onde então as autoridade e a CET para flagrar isso ou então RADAR E MULTA NELES, podem apostar que nehum motoboy vai querer trocar o lucro de um serviço corrido pelo minimo que seja do que pagar uma multa de velocidade altissima, o que adianta só mostrarem tudo isso e ficar inventando a TAL DE FAIXA CIDADÃ ou CORREDORES, não adianta nada disso se eles mesmos continuam se atropelando! vemos isso todos os dias onde eles mesmos desreespeitam si mesmos “sem generalizar”, RADAR NELES !! é fácil cadê a CET/DETRAN, etc. etc….
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4.
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Cadê o vídeo que tava aqui? Foi tirado do YouTube? Qual propaganda que era?
5.
panoptico | Junho 2, 2008 at 4:20 pm
Foi tirado do Youtube. Era um vídeo da Honda POP com o slogan “Um novo arranque na sua vida”
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