World Trade Center SP x Ulianópolis

Julho 3, 2007

No último sábado, 1106 trabalhadores da colheita e plantio de cana foram libertos da fazenda Pagrisa, em Ulianópolis (PA). Ganhavam cerca de R$10 por mês (o restante voltava para a empresa, através do esquema ilegal de endividamento), bebiam a mesma água utiliza na irrigação da plantação, comiam comida estragada e dormiam amontoados em qualquer lugar.

O grupo Pará Pastoril e Agrícola S.A, dono da fazenda, produz cerca de 50 milhões de litros de álcool a cada ano em Ulianópolis. O principal comprador de etanol da empresa é a Petrobras, denominada “empresa-exemplo” em Responsabilidade Social.

Amanhã, às 16:30, no World Trade Center, durante o São Paulo Ethanol Summit 2007, Eduardo Pereira de Carvalho, Presidente do Conselho da Unica - União da Indústria de Cana-de-açúcar, profere a palestra “O Programa Brasileiro, Três Décadas Depois”.

Os trabalhadores do Pará, pesquisadores especialistas, poderiam discursar sobre “O Programa Brasileiro, Centenas de Anos Depois”, mas não foram convidados. O presidente da associação que escraviza falará em encontro para gringos com a presença do Presidente da República.

Referência:
Ação recorde resgata 1106 trabalhadores da cana no Pará, por Iberê Thenório e Leonardo Sakamoto para Repórter Brasil.

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Atualização em 08/07/07:
Petrobras suspende compra de empresa flagrada com escravos
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Apesar de pressão, pagamentos na Pagrisa continuam

Technorati tags: biocombustivel, etanol, escravidao.

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2 Comments Add your own

  • 1. Clarissa  |  Julho 6, 2007 at 7:13 pm

    As empresas esquecem da responsabilidade social na cadeia de produção. é a “terceirização” do trabalho escravo. Se perguntar a ela porque compravam alcool de uma usina como essa, e podem perguntar, a resposta vai ser: ninguém sabe, ninguém viu. Triste.

  • 2. Bionegócios abastecem mo&hellip  |  Agosto 10, 2007 at 6:54 pm

    [...] com representantes do BNDES; outros perderam um membro na lâmina do próprio facão enquanto palestras eram proferidas no World Trade Center paulistano; todos têm uma vida produtiva curta, seus corpos, levados ao limite, não conseguem continuar [...]

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