Roskilde, o maior festival do norte europeu. A maioria das pessoas não foi de carro e aceitou (diante do caos motorizado meia hora antes do início do show) estacionar na calçada de uma loja fechada, não deixou R$10 adiantados com o flanelinha, tampouco ficou uma hora na fila de um estacionamento, R$20, que não passa de um terreno baldio a 1,5 km de distância do show.
No Brasil, pensar em muitas pessoas indo de bicicleta a um grande evento é uma realidade que pode estar próxima, pensar em muitas pessoas que se quer trancam sua bicicleta no bicicletário, é coisa muito, muito distante.

Foto de Jane Lea, em Pitchfork
Em SP a conta da mobilização para organizar as pessoas que dirigiam seus carros para grandes eventos ia para todos - para os que não foram ao evento, não foram consultados sobre e não têm carro. Decidiram, então, finalmente, mandar a conta para o organizador do evento, geralmente, uma grande corporação, como a TIM Celular. Quem tenta organizar a bagunça é a CET, uma empresa de “engenharia de tráfego”. O negócio dela são os carros; ônibus e o tráfego da maioria é outro departamento (SPTrans, Metrô, CPTM). São Paulo pensa assim, cada qual com a engenharia que não merece. Dividem o mesmo espaço, uns poluem mais, outros menos, uns viajam sentados, outros em pé e pensar no bem-estar de todos é coisa fora de pauta, “o trânsito de carros precisa fluir”.
Transporte coletivo noturno é inviável, não há demanda suficiente para o lucro das empresas, argumentam. Talvez nunca tenham pensado que transporte não é negócio ou que não existe demanda sem uma sugestão de oferta. Não é porque poucas pessoas do Jardim São Luís vêm para eventos na Pompéia que a demanda é pequena, é que a inexistência de transporte adequado para este destino simplesmente faz com que esta possibilidade seja desconsiderada.

Foto de Jane Lea, em Pitchfork
Afterward we went to a couple restaurants, wandered the brick streets, noticed that everyone in Copenhagen has a bike that nobody seems to lock when not using, and forgot to check out Christiania, the communal “self-governing” neighborhood in the city (i.e. pot brownie central).
Fonte citação: Roskilde Diary: Wednesday [Brandon Stosuy]
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