Os pistoleiros de Renan Calheiros

Junho 19, 2007

Em fevereiro de 2006, 29 famílias, ligadas ao Movimento Terra Trabalho e Liberdade, MTL, despejadas de outras áreas, ocuparam 572 hectares da Fazenda São Bernardo, em Murici, AL. Dois dias depois, no dia 08/02/2006, foram surpreendidas, por volta da uma hora da madrugada, por 80 pistoleiros fortemente armados, comandados pelo ex-prefeito de Murici, Remi Calheiros [1]

O cerco ao acampamento começou por volta das 22h, quando Ailton José da Silva e um adolescente foram presos por vigilantes da fazenda Boa Vista, de propriedade do deputado federal Olavo Calheiros. Os agressores chegaram ao acampamento, bêbados e encapuzados, atirando. Jogaram gasolina nos barracos e atearam fogo. Muitos trabalhadores fugiram para o mato.

Os sem-terra foram obrigados a arrancar a bandeira do movimento e jogá-la ao fogo. A seguir, 23 sem-terra foram levados para a casa-grande da fazenda Boa Vista, do deputado Olavo Calheiros onde ficaram detidos por várias horas. No grupo, duas mulheres, uma delas grávida que passou muito mal com o susto. Um dos capangas jogou a filha dela, de um ano e dois meses, no chão. A outra foi ameaçada de estupro, o que não aconteceu pela intervenção de Remi. “Ele me reconheceu porque meu irmão é motorista dele”, disse ela.

Um dos agressores foi chamado de tenente e outros usavam coturnos da polícia. Outro foi reconhecido, como Beto Doido, funcionário da Prefeitura Municipal de Murici, cujo prefeito é Renanzinho, filho do senador Renan Calheiros.

Segundo algumas das vítimas, o deputado federal Olavo Calheiros estava no local das agressões e chegou a buzinar com seu carro para os dois primeiros trabalhadores que foram retidos pelos vigilantes da fazenda Boa Vista.

No dia 16/02/2006, cerca de 200 trabalhadores, bloquearam a BR-104 próximo à entrada da cidade de Murici, no local do acesso ao acampamento invadido pelos 80 pistoleiros. Protestaram contra o atentado e reivindicaram que os crimes fossem apurados por um delegado especialmente designado para o assunto, pois a polícia de Murici não merece confiança por ser envolvida com a família Calheiros.

[1] Remi e Olavo Calheiros são irmãos do presidente do Senado, Renan Calheiros

Fonte: Comissão Pastoral da Terra – Secretaria Nacional, assessoria de comunicação.

Relacionados:
Dados da CPT revelam que impunidade mantém violência no campo, Comissão Pastoral da Terra.
Gado de Renan é um dos mais valorizados do país, por Fernando Rodrigues, Folha de S. Paulo (restrito: assinantes FSP/UOL).
O calvário de Renan Calheiros, Panóptico.

Technorati tags: calheiros, semterra.

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