Tinha um muro no caminho

Maio 30, 2007

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“Gradativamente estamos adequando São Paulo à realidade mundial, ou seja, permitindo que o pedestre caminhe pelas calçadas de sua cidade com segurança, sem que corra o risco de topar em algum obstáculo indevido”

afirmou Andrea Matarazzo, secretário das Subprefeituras e subprefeito da Sé.

A avenida Dr. Arnaldo, em São Paulo, tem esse nome em homenagem a um dos fundadores da Faculdade de Medicina de São Paulo, a estação Clínicas do metrô fica lá e tem esse nome porque o Hospital das Clínicas está no quarteirão de trás. O Instituto de Infectologia Emílio Ribas e o novo Instituto Doutor Arnaldo ficam na própria avenida. Apesar disso, é mais lembrada nos guias de dicas paulistanos pelas 23 bancas fixas de flores, que ocupam quase toda a largura da calçada e onde é possível comprar um agrado para a princesa sem descer da montaria de aço - basta descer o vidro negro e pagar.

Se o tratamento de um paciente com dificuldade de locomoção acontece num destes centros médicos de referência, ele precisará apelar para a solidariedade de um vizinho, amigo ou parente que tenha carro, pois numa cadeira de rodas chegará a lugar nenhum e pode encerrar o tratamento com um beijo no asfalto e um abraço forte dos pneus do tráfego assustador de carros e ônibus da avenida.

Esse ano a prefeitura resolveu reformar algumas calçadas da cidade - junto com a iniciativa privada, claro. A reforma na Av. Dr. Arnaldo anda enrolada, enrolada para os pedestres, é óbvio.

O novo piso da avenida contará com as chamadas faixas de serviço e livre. (…) A faixa livre, localizada no lado interno da calçada, destina-se à circulação de pedestres, sem nenhuma interferência física. Com largura constante de 1,8 metro, foi planejada também para atender às pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida e oferecer segurança durante a caminhada.”

Fonte: Secretaria Especial da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida

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Piso novo, lógica de sempre. Com muita sorte, digamos, a obra não utilizará materiais mais baratos e de menor qualidade que os licitados, não desviará recursos em espécie, não estourará o prazo de conclusão, mas aposto que deixará os “acabamentos” inacabados. No final, os síndicos Andrea Matarazzo e Gilberto Kassab dirão que a cor do chão ficou muito bonitinha e que trata-se de um importante presente ao cidadão.

Já durante as obras, vale tudo. A prefeitura e a Cerqueira Torres Construção não consideram árvores, postes e muros obstáculos. Faz parte do processo da obra, é temporário, diriam. Sim, durante este período, o cadeirante pode tentar escalar os muros, escalar as árvores ou mesmo descer suas duas para o asfalto, se agarrar ao pára-choque traseiro de um ônibus e aproveitar a carona para chegar mais rápido e descansar os braços.

Obs.: Aparentemente, os muros se tratam das novas bancas de flores que serão distribuídas ao longo da quadra.

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