Programa de Aceleração do Crescimento e Malária
Abril 19, 2007
A Agência FAPESP entrevistou o parasitologista Luiz Hildebrando Pereira da Silva, da Universidade Federal de Rondônia. Para ele grandes construções, como barragens, na região amazônica podem causar uma explosão de malária.
Agência FAPESP – Por que a malária continua sendo um grave problema na região amazônica? Quais são os maiores problemas atuais?
Luiz Hildebrando Pereira da Silva – Historicamente, os grandes surtos de malária ocorreram durante a construção da estrada de ferro Madeira-Mamoré, devido aos grandes deslocamentos de pessoas de outras regiões do país para o garimpo, e como conseqüência da construção de hidrelétricas. Isso sugere que a região tem um forte potencial para desenvolver epidemias concomitantemente a essas grandes obras. A despeito desse fato, o governo federal quer construir mais duas hidrelétricas ao longo do rio Madeira e gastar bilhões com isso. Com muito menos dinheiro poderíamos controlar a ocorrência da doença na região. Nosso objetivo é estudar o porquê desse potencial malarígeno. Já temos algumas pistas que podem nos ajudar a controlar a doença.
O próprio Ministério da Saúde em seu site, coloca no histórico da doença:
A partir da década de 70, os projetos de desenvolvimento da Amazônia, promoveram uma grande migração interna no País, com alterações ambientais importantes e exposição de grande contingente populacional à área malarígena. Essa situação provocou a dispersão da malária pelas regiões Norte e Centro-Oeste, com aumento significativo do número de casos, passando-se a alcançar níveis de 450 a 500 mil casos anuais.
Marcos Cueto, da Universidade Peruana Cayetano Heredia, declarou à Agência FAPESP que
A resistência dos mosquitos aos inseticidas era maior do que se previa. Além disso, houve pouca comunicação com os setores de saúde regionais. Também não se previu o impacto dos movimentos de migração por motivos econômicos, como o impulsionado pelo garimpo, por exemplo.
(…) Não devemos esquecer que a malária é, sobretudo, uma questão rural, e o problema da transmissão da doença está relacionado à forma de desenvolvimento adotada pelos governos.
Entry Filed under: política. Etiquetas: ciencia, meio ambiente.



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