Archive for Março, 2007

Metrô volta com bilhete múltiplo não integrado

Primeiro acabaram com o desconto para quem comprava bilhetes múltiplos do metrô de São Paulo, ou seja, acabaram como o principal propósito dos múltiplos. Depois deum tempo acabaram de vez com a existência dos bilhetes múltiplos.

Agora o Metrô e a CPTM voltam a vender o bilhete múltiplo de 20 viagens, como desconto de 8,7%.

Parece bom, mas não é:

1. O sujeito precisa dispor de R$ 42 no bolso para conseguir o desconto. Quem precisa desse desconto não tem R$ 42 à vista. Ou melhor, R$ 42 adiantado. Para ganhar os R$ 4 de desconto o cidadão paga hoje pelo serviço de transporte que usará nas próximas semanas.

2. O bilhete do Metrô e da CPTM não vale no sistema de ônibus.

3. O bilhete múltiplo de 20 não é negócio para a população que não mora próxima a estações de metrô ou trem. Depois do trilho elas precisam pegar um ônibus para chegar ao destino.

1 ônibus + 1 metrô -> com bilhete único = R$ 3,30
1 ônibus + 1 metrô -> com bilhete unitário do metrô = R$ 4,60
1 ônibus + 1 metrô -> com bilhete integrado Metrô/Ônibus = R$ 4,00
1 ônibus + 1 metrô -> com bilhete múltiplo de 20 do metrô = R$ 4,40

Resumindo o metrô e a CPTM vendem 20 ou 19 passagens adiantadas e dão R$ 4 de troco, mas proibem o embarque integrado em ônibus que funcionam através do Bilhete Único (único?!)

Technorati tags: transporte, metrô, cptm, bilheteunico


Add comment Março 26, 2007

Confio na justiça de deus e na justiça brasileira

deus_justica.jpg
Rua Augusta X Alameda Santos, São Paulo-SP

Pensei que aos fiéis a confiança na justiça de deus fosse suficiente.

A propaganda não está assinada. Que fiel precisaria colocar uma plaquinha desse tamainho num ponto tão movimentado de São Paulo? Algum evangélico morador do Jardim São Luís condenado por furto? Acho que não…

O casal Hernandes, da Igreja Renascer em Cristo, confia muito na justiça de deus, mas é melhor garantir apelando e adiando o julgamento na justiça dos homens mesmo. Deus não deve manjar muito de condenação nos Estados Unidos e extradição para o Brasil.

O casal, recebe confiança (em espécie) dos fiéis há anos. Uma contribuição, digamos, de muita fé para o pagamento dos honorários dos advogados.

Será que na Flórida, onde o casal está está sendo indiciado pelas acusações de falso testemunho e contrabando de dinheiro, existem outdoors como este?

Com certeza, não. O casal rezou uma missa por lá (com tornozeleiras rastreadoras), mas pelas fotos a festa foi bem mirrada, segundo o site igospel.com.br foi ” com certeza esta foi uma noite de muito poder e unção para o Estado da Flórida nos Estados Unidos.”


3 comments Março 21, 2007

Salgadinho no ônibus e miojo na janta

A cidade é aquele lugar cheio de gente, carros e… comida pronta.

Alimentar-se, necessidade de todo ser humano. Nas grandes cidades de hoje as pessoas querem mais, querem “comer alguma coisinha gostosa”. Existem muitas coisinhas para mastigar nas cidades, elas custam muito pouco e são gostosas. São feitas com ingredientes nada saudáveis e são encontradas em qualquer lugar, qualquer lugar mesmo, bancas de jornal, trens, estações de ônibus, camêlos, lojas ou mercados.

A pesquisa de duas doutoras da ESALQ-USP sobre a influência de alguns fatores socioeconômicos e demográficos no padrão de consumo de carnes da população brasileira traz uma tabela interessante, ela mostra o aumento do consumo de alimentos preparados e a redução do consumo de arroz e feijão, dupla antes conhecida como base da alimentação brasileira.

alimentos_brasil2.JPG

De 1974 a 2003 houve uma redução de 46% na aquisição domiciliar de arroz e 37% na de feijão. De outro lado, houve um aumento na aquisição de alimentos preparados (216%), refrigerantes (490%) e iogurtes (702%).

“Quanto maior é o grau de escolaridade das mulheres, que é quem geralmente prepara as refeições, menor é o consumo de alimentos que demoram mais tempo para ficar prontos, como arroz, feijão e carnes”, disse Ana Lúcia Kassouf à Agência FAPESP.

Sobre este aumento do consumo de alimentos preparados, porém, parece importante notar que os produtos de uma mesma categoria, consumidos por ricos e pobres, têm qualidade muito diferente. Estes alimentos sofisticados, como iogurtes, antes inacessíveis aos pobres, só o são hoje, pois algumas empresas perceberam a oportunidade de vende-los aos pobres.

Quando você entra em dois ônibus todos os dias às 17:00 e nos dois, quase todos os dias, há uma mãe com uma criança segurando um saco de salgadinho enorme, está claro que os padrões de alimentação mudaram muito.

Se uma bolacha recheada fabricada por uma multinacional custa R$ 2 no supermercado, uma senhora voltando do trabalho pode comprar uma de marca desconhecida por R$ 0,50 no Terminal Santo Amaro e saciar o desejo de seus dois filhos numa sexta-feira.

Estas guloseimas de marcas desconhecidas cumprem duas funções básicas: representa uma espécie de degrau social; e engorda e adoece a população pobre num grau maior do que a população rica.

A primeira diminui a distância entre ricos e pobres: “o filho da patroa come bolacha de chocolate, mas o meu filho também come”. Danoninho e refrigerantes baratos estão disponíveis no final de semana. Com alguma sorte e muita economia, numa data especial a família pode ir até um Habbib’s. “Comer fora” ou se lambuzar com um iogurte era coisa antes impossível para podres.

A segunda aumenta a distância entre ricos e pobres: os salgadinhos fabricados por multinacionais sofrem um controle de higiene e de nutrição capenga, mas o sofrem. Os salgadinhos de pobre são clandestinos, ninguém sabe nada sobre aquela coisinha gostosa. Não há dúvida de que se existe 5% de gordura trans num salgadinho “de marca”, num salgadinho “alternativo” de R$ 0,20 as taxas podem ser ainda maiores. Se as multinacionais maquiam os índices nutritivos de seus produtos, os alternativos simplesmente não os expõem.

O consumo de alimentos industrializados é maior entre pobres.
Pessoas menos cansadas, com mais dinheiro (e para os mais ricos, empregadas) garantem refeições preparadas, saudáveis e variadas: carnes, verduras, legumes, cereais.

Atualização > Hoje, dia 17/03, saiu uma matéria no RETS que fala sobre. Alguns trechos:

“Além da grande oferta de fast-foods, refrigerantes, gorduras e açúcares, cada vez mais as tradicionais brincadeiras infantis de ruas são substituídas pelo computador e pela televisão.”

“‘As crianças desnutridas de hoje são os gordinhos de amanhã, porque acabam desenvolvendo uma pré-disposição para engordar. Além disso, hoje em dia, pessoas mais pobres acabam consumindo mais carboidratos por serem mais baratos e desconhecerem a necessidade de outras fontes de nutrientes’”
Fonte: Crianças na balança

Relacionados:
Menos arroz com feijão, Por Thiago Romero, Agência FAPESP.
Análise da influência de alguns fatores socioeconômicos e demográficos no consumo domiciliar de carnes no Brasil. Madalena Maria Schlindwein; Ana Lúcia Kassouf.
Crianças na balança

Technorati tags: alimentação, obesidade, obesidadeinfantil


1 comment Março 16, 2007

Transporte de trabalhadores

Lugar de peão é do lado de fora do veículo,
cinto de segurança de peão é cordinha,
pára-choque de caminhão de peão é um par de peão.

transporte_gari_01.jpg
Cardeal Arcoverde x Fradique Coutinho, Pinheiros, São Paulo. Março de 2007

Essa é a forma que a Prefeitura de São Paulo transporta seus funcionários. Digo, não deu tempo de ver, mas provavelmente trata-se de uma empresa prestadora de serviços contratada.

O que, claro, não a isenta a Prefeitura de responsabilidades. Se a empresa prestadora contrata crianças ou mantém escravos, o contratante não pode fechar os olhos ao crime cometido.

A realidade é outra no mundo do lucro. Em vez de denunciar o crime, empresas premiam os criminosos com contratos vantajosos.

Centenas de empresa socialmente responsáveis que mantêm programas bonitinhos de doações, escolinhas para crianças, arte para pobres, “oficinas” para mães e outros “projetos solidários”, além de pagarem salários miseráveis a seus funcionários, contratam empresas criminosas. O Bradesco, por exemplo, que figura entre os bancos mais lucrativos do país, já foi indiciado por utilizar trabalho escravo em suas fazendas no norte e centro-oeste do país.

Da mesma forma, responsável pelo gerenciamento do trânsito de São Paulo, a CET fecha os olhos aos crimes cometidos todos os dias por agentes da prefeitura. Carros oficiais parecem ter carta branca na cidade. A privatização tem torna possível uma situação em que o contratado é responsável por punir seu contratante. Nem os formuladores do consenso de Washington Quem acredita que isso funciona


Cardeal Arcoverde x Fradique Coutinho, Pinheiros, São Paulo. Março de 2007

O código brasileiro de trânsito:

Art. 230. Conduzir o veículo:
II - transportando passageiros em compartimento de carga, salvo por motivo de força maior, com permissão da autoridade competente e na forma estabelecida pelo CONTRAN;

Art. 106. (…) quando ocorrer substituição de equipamento de segurança especificado pelo fabricante, será exigido, para licenciamento e registro, certificado de segurança expedido por instituição técnica credenciada por órgão ou entidade de metrologia legal, conforme norma elaborada pelo CONTRAN.

Art. 107. Os veículos de aluguel, destinados ao transporte individual ou coletivo de passageiros, deverão satisfazer, além das exigências previstas neste Código, às condições técnicas e aos requisitos de segurança, higiene e conforto estabelecidos pelo poder competente para autorizar, permitir ou conceder a exploração dessa atividade.

Alguém acredita que transportar um ser humano dessa forma é seguro?

Technorati tags: transporte, trabalhadores


3 comments Março 13, 2007

Televisores invadem ônibus de São Paulo

Mercado seqüestra cidadãos durante trajeto e os força a assistir propagandas

O paulistano que entende que uma das formas sustentáveis de se deslocar é coletivamente, começa a sofrer mais um afronta. A prefeitura instalou dois televisores em alguns ônibus da região central.

Você entra num ônibus do sistema público de transporte na rua Augusta e só pretende chegar ao seu destino com segurança, respeito e rapidez, mas recebe uma propaganda do Mcbacon, uma porção de videoclipes de grandes gravadoras e um bocado de campanhas institucionais que dizem que vc deve pagar seus impostos. Isso tudo num volume exageradamente alto para qualquer um, mesmo para os pobres paulistanos que já têm a audição prejudicada pelo nível de ruído que lhe é imposto pelos automóveis – tanto nas ruas aonde anda, quanto no descansso do lar.

Para quem constuma pegar ônibus em horários menos caóticos e pode encontrar um assento vago, abrir um livro e aproveitar o tempo de viagem; para o grupo de pessoas que saía do trabalho e ia batendo um papo; para quem aproveitava para ver a cidade, as pessoas e pensar na vida pela janela no ônibus, o inferno está posto. Qualquer atividade é impossível quando envolta pelo som dos jábas musicais, logotipos e frases institucionais de comando. O som te chama, você olha uma, mais uma e logo a tela hipinotizou a todos/as.

Segundo a empresa responsável, algumas das razões para comprar propaganda na tv deles são:

- “Audiência cativa pelo período médio de duas horas por dia”;
tradução: o povo fica preso no trânsito pelo menos duas horas todos os dias, aproveite esse tempo fazer com que desejem seus produtos

- “Elevada segmentação do público-alvo que, majoritariamente, é composto por classes C e D, ativas, que estudam e trabalham”;
tradução: rico não anda de ônibus, se seu produto é para podres trabalhadores/as e estudantes, ou seja, pobres que almejam uma vida mais confortável e que freqüentemente consomem produtos que passam a sensação de maior status social, anuncie nas tvs dos ônibus

- “Foco único de atenção a bordo dos ônibus”;
tradução: com dois televisores ligados e o povo trancado dentro do ônibus, não tem jeito, sua empresa terá atenção

- “Único canal sem risco de zapping”;
tradução: é goela abaixo mesmo, o usuário do sistema público de transporte não tem como escapar da propaganda privada, só descendo do ônibus e fugindo à pé

- “Os usuários de ônibus passam muito tempo fora dos seus lares, conseqüentemente seu consumo de televisão é baixo”.
tradução: o povo demora horas para ir e volta de qualquer lugar, isso encurta o dia. As empresas, por exemplo, não pagam por essas horas que fazem parte do trabalho diário de qq trabalhador/a. São horas que poderiam ser utilizadas para qq coisa, ócio, lazer, produção, mas, graças ao uso desregrado do automóvel, são desperdicidas. Sua empresa precisa ir até o povo, já que ele não está descansando em casa, anuncie em tvs dentro de ônibus parados no trânsito.

A patente da invasão é da empresa portuguesa bustv, a Bustv Brasil, segundo informa o site da empresa, pretende invadir 20% da frota de São Paulo, serão 250 instalações no 1o. semestre de 2007. A empresa ainda pretende estar em mais 10 cidades este ano.

Paradas de ônibus, traseiras de ônibus, parte externa de trens, trajeto de escada rolante do metrô, bilhetes de metrô, estações inteiras de metrô são propagandas. O público construído com o esforço de todos/as é invadido. O mercado pode tudo. Estupra o olhar e o tempo do Homem que nasceu livre para ver e viver.

Relacionados:
quase morreu de otite
Portaria n.º 79/07 - Estabelece normas de publicidade interna em ônibus

Technorati tags: bustv, bustvbrasil, onibus, transporte


5 comments Março 1, 2007

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