Ghost bike Antônio Bertolucci
Antônio Bertolucci tinha 68 anos e pedalava diariamente. Há dois meses, ele morreu atropelado por um ônibus de turismo no acesso à Av. Sumaré, na zona oeste da cidade de São Paulo.
No asfalto da avenida, manifestantes marcaram sua indignação com o desrespeito à vida; no alto do semáforo, penduraram uma bicicleta branca em memória do ciclista.
A evolução das mortes de ciclistas nos Estados brasileiros
Os números abaixo são absolutos, ou seja, representam o número total de ciclistas mortos no trânsito. Não estão consideradas relações segundo população total do Estado, número de ciclistas, número de veículos motorizados, tampouco malha rodoviária ou cicloviária.
A evolução das mortes de ciclistas no trânsito é clara: a cada ano, morrem mais ciclistas no trânsito brasileiro. Em 1998, o DataSus, do Ministério da Saúde, registrou 10 óbitos de ciclistas no Estado de São Paulo; em 2008, foram 311. Um crescimento de mais de 3000%.
Clique no gráfico para navegar pelos Estados
Assassinatos em conflitos no campo, segundo Estado do Brasil
Clique para navegar pelo gráfico. Dados: CPT
Compilamos os relatórios de assassinatos decorrentes de conflitos no campo, da Comissão Pastoral da Terra, entidade que alerta sobre os crimes há tempos.
Para ajudar na visualização da evolução desta calamidade, elaboramos, com uma força do @mauricio, um gráfico em que é possível a navegação por Estado brasileiro (basta clicar na imagem acima para navegar).
Segundo reportagem de João Carlos Magalhães, publicada hoje na Folha de S. Paulo, com dados de duas Ouvidorias do governo federal, 98% dos casos de assassinatos no campo do Pará ocorridos nos últimos dez anos ficaram impunes. O levantamento aponta, ainda, que 20% das mortes sequer foram investigados.
Relacionados:
Quem protege é condenado, quem mata está solto, Blog do Sakamoto
Seis histórias curtas de dor e violência no campo, Blog do Sakamoto
Por um grande ato contra a violência da polícia paulista

Arte: Angeli. Todos os direitos reservados
14 de janeiro de 2011: Durante caminhada de protesto contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo, a PM dispara bombas e balas de borracha à queima roupa. Policiais sacam armas de fogo. Após corre-corre, manifestantes são perseguidos e agredidos aleatoriamente nas ruas do centro. Câmeras são quebradas e fotos apagadas. Questionada, PM nega exagero.
17 de fevereiro de 2011: Durante mais um protesto contra o aumento do ônibus, um estudante é espancado, na frente das câmeras, por cerca de oito policiais visivelmente descontrolados. Gravemente ferido, o garoto é submetido à cirurgia e fica internado por dias. Ao tentar negociação, três vereadores da cidade levam cassetadas na porta da prefeitura da cidade. Armas de fogo são diretamente apontadas para manifestantes. O comando da PM e o governador afirmam que foi preciso retomar a ordem após bexigas de água terem sido jogadass contra a PM e lixeiras serem quebradas.
17 de abril de 2011: Para conter a agitação num show punk da Virada Cultural, guardas municipais decidem entrar com a viatura no meio da multidão e causam pânico. Um guarda mira sua arma para a multidão revoltada. Em meio a chutes, o carro sai em disparada pela plateia.
01 de maio de 2011: Dia do trabalhador. Durante protesto contra a violência policial dedicada aos negros, manifestantes são agredidos no centro.
21 de maio de 2011: Marcha da maconha é proibida pelo judiciário. Após acordo com a PM, manifestantes saem em passeata pela liberdade de expressão. A tropa de choque dispara bombas na avenida paulista causando correria. Os policiais seguem até a rua da consolação, onde acontece uma chuva de bombas e balas de borracha. O pânico toma conta da rua. Motoristas, pedestres e moradores se protegem assustados. Após greve respiro na altura da Praça Roosevelt, e com a marcha já fragmentada, PM corre atrás de manifestantes que estavam na Rua Augusta, dispara mais bombas e esvazia a via. Um PM é flagrado chutando um garoto que caminha a sua frente, o rapaz é agredido e sua câmara tomada. Fotojornalistas que registravam o momento são agredidos pela guarda municipal. Os manifestantes seguem até delegacia nos jardins e os cerca de seis presos são liberados. A PM e GCM, mais uma vez, negam excessos e dizem que os atos serão analisadas por suas corregedorias.
Ok, estamos falando só da capital, ou melhor, do centro da capital. Na periferia da cidade segue a chacina de jovens “suspeitos” e a corrupção escancarada. Fora da capital, a cobertura da impresa é deficiente mas a situação não é diferente.
As imagens dos casos resumidos acima são claras e ninguém que pretende viver em paz pode concordar com policiais enraivecidos apontando armas para garotos de 17 anos só porque eles estão participando de uma passeata. Sejamos sinceros, a polícia paulista está fora de controle.
Em manifestações, a PM simplesmente deixa vir à superfície toda violência das sombras de suas cadeias. Uma pequena aglomeração num canto da cidade e logo viaturas desesperadas começam a chegar pela contra mão, como se alguém tivesse feito reféns num banco. Durante a marcha da maconha, diante de mais de 40 viaturas, quase uma centena de motos e tropa de choque em plena Av. Paulista, alguém no twitter perguntou se se tratava de um golpe militar ou algo do tipo.
Hoje, a polícia de São Paulo entende uma reunião de pessoas como uma espécie de ato terrorista iminente, toma uma ordem judicial como sinal verde para distribuir porrada e caçar sadicamente as pessoas pelas ruas.
Chega! Já basta! Toda vez que um abuso deste tamanho é cometido e comandante, secretário de segurança e governador do Estado dizem que está tudo certo e que “excessos serão apurados” estamos mais perto de um estado policial completo, onde tudo é proibido e todos são suspeitos. Votamos, somos mal representados, temos leis de convívio mas quando um grupo decide se expressar alguém indefeso acaba no hospital.
Estamos indignados! Por um grande ato contra as sequentes agressões gratuitas da polícia de SP em manifestações públicas.
Não precisamos de partidos corruptos, sindicatos falidos ou líderes hipócritas. Já não somos mais os mesmos. Organizações, grupos de amigos, movimentos sociais, turmas do bar, turmas da firma, gente diferenciada, pobres, fudidos e pensantes num só ato pelo direito de protestar. Pela liberdade de dar sua opinião, pela discussão em praça pública. Chega da prática policial em que jovem negro de bermuda e boné é suspeito – que ganha como brinde um tapa na orelha e uma arma na cabeça.
Pelo bom senso policial em manifestações públicas. A polícia deve procurar a ordem, não causar o pânico, o caos. PM, a cidade não é de vocês! Não venham lançar bombas por um bairro inteiro só porque assim decidiram.
Polícia reprime com violência marcha da maconha em São Paulo
A Marcha da Maconha em São Paulo partiu do MASP, na Avenida Paulista, e seguia para o centro quando a tropa de choque, na altura da Rua Augusta, avançou covardemente contra os manifestantes.
Na Rua da Consolação e Rua Augusta, por onde a marcha da maconha passou – já um tanto dispersa pela correria – houve mais bombas, presos e violência desmedida.
Higiene na pólis
O governo desistiu da estação de metrô Higienópolis na Av. Angélica, no meio do bairro nobre paulistano. Após pressão dos moradores e comerciantes do bairro, que não querem “gente diferenciada” circulando pela área, a estação deve ficar próxima ao Estádio do Pacaembu.
“Eu não uso metrô e não usaria. Isso vai acabar com a tradição do bairro. Você já viu o tipo de gente que fica ao redor das estações do metrô? Drogados, mendigos, uma gente diferenciada…”
Disse a psicóloga Guiomar Ferreira, 55, enquanto comprava na tradicional Bacco’s Vinhos da rua Sergipe (FSP, 13/08/2010)
A multidão de funcionários, empregados domésticos, porteiros, seguranças, babás e toda gente que vem de longe para cuidar da vida das famílias do bairro, ficou na mão. Simplesmente porque o governo do Estado não está interessado na cidade como um todo e prefere não desagradar meia dúzia de higienistas.
Pois solta o proibidão, o pagode, o churrasco e a cerveja que esta gente diferenciada tá chegando. Este sábado, dia 14, às 14h, em frente ao Shopping Higienópolis.
>>> Não deixe de ler o sensacional texto de Marcelo Rubens Paiva sobre o assunto: Allons enfants
São Paulo tem ato em solidariedade a ciclistas atropelados em Porto Alegre
Em São Paulo, ciclistas, pedestres e skatistas protestaram contra o atropelamento em massa de ciclistas promovido por Ricardo José Neis em Porto Alegre.
Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Buenos Aires também terão protestos contra a violência ocorrida em Porto Alegre.
Relacionados:
Como foi a manifestação de apoio aos ciclistas de Porto Alegre, Vá de Bike
Uma noite, corpos no asfalto, As bicicletas
Mortes por homicídios e em transportes no Brasil

Clique na imagem para navegar no gráfico dos Homicídios vs. Óbitos em transporte (taxa em 100 mil) – 2008
Em 2008, no Brasil, ocorreram 39.211 mortes em colisões, atropelamentos e outras situações de transporte; no mesmo ano, 50.113 pessoas foram assassinadas das formas mais conhecidas: na bala.
Pistola automática, três oitão e fuzil são regulados por lei, seu uso é restrito e um “acidente” com uma arma de fogo segue os tramites de abertura de inquérito e toda sequência de atos jurídicos.
O uso do carro, da moto e de carros que parecem caminhões também é regulamentado. Seu uso, porém, é fortemente incentivado pelo governo, através de apoios fiscais e investimentos em estrutura para autos, e pelas empresas, através do longo convencimento cultural. Os crimes de trânsito não motivam investigações e tem uma vida nas pastas do judiciário apenas formal – por conta de seguros e similare$.
Jovens
Mais de 18 mil jovens de 15 a 24 anos, que deveriam estar estudando, produzindo e desenvolvendo o país, morreram assassinados em 2008. Quase 9 mil morreram no trânsito e não tiveram futuro no país do futuro.
A taxa de homicídios entre jovens, em 2008, cresceu 1,9% em relação a 1998. Já taxa mortes nos transportes, no mesmo período, cresceu 32,4%. Ou seja, em uma década o país nada fez para conter ou reduzir a chacina provocada por automotores nas ruas do interior e das capitais.

Clique na imagem para visualizar o gráfico das Mortes em transporte no Brasil, 1998 vs 2008
O delegado Gilberto Almeida Montenegro, que culpou dezenas de ciclistas pelo próprio atropelamento, em Porto Alegre, é um exemplo da visão hegemônica no país hoje: a de que avançar com um carro sobre uma pessoa e matá-la não é “morte matada”, é “morte morrida”.
Quando o diretor da Divisão de Crimes de Trânsito de uma de nossas capitais mais ricas declara aos jornais sua preferência pela impunidade, mesmo diante de imagens e testemunhos cabais, a evolução das mortes mostradas pelo gráfico acima torna-se ânsia de vômito.











