Sociedade da vigilância

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imagem: reprodução safarishop

Add comment Outubro 30, 2009

Um casamento público

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Num evento social tão valorizado como o casamento os sinais de status social estão todos lá reunidos. Como o automóvel é um dos nossos símbolos preferidos, normalmente, vale de tudo para arrumar uma carruagem que impressione.

Mas por que um casal que utiliza bicicleta no dia-a-dia não o faria no dia do casamento? Apenas por convenção? Afinal, o que diriam os vizinhos, a família e os amigos sobre uma noiva que chega de bicicleta?

Willian e Priscila nos lembraram que romper padrões não dói, é de graça e pode ser divertido.

Espanto, felicidade, admiração, excitação foi o que vimos pelas ruas por onde o casal passau. Funcionários deixando seus postos de trabalho, clientes saindo às portas das lojas, pedestres acenando, gritos, palmas, e, claro, motoristas contentes, buzinando, tirando fotos.

O casamento de Willian e Priscila foi um casamento público. O casal estava nas ruas. Sorriram, distribuiram flores, compartilharam a alegria do momento em público, sem convidados selecionados, sem hostless.

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No último par de décadas, nosso espaço público perdeu, meio sem percebermos, sua dimensão característica. Carros privados ocupam quase a totalidade do espaço, pedestres são xingados como invasores do asfalto sagrado, bancos de praça são removidos, crianças são orientadas a não jogar bola na rua, protestos públicos são reprimidos, gráficos são apagados dos muros e festas de rua só com uma dezena de autorizações.

O pedal do casório mostrou que existe disposição de grande parte da população para manifestações públicas e coletivas. Se um jovem casal e um grupo de ciclistas pôde fazê-lo, resta que os governantes tenham alguma vergonha.

Relacionados:
Coleção de notícias sobre o pedal do casório
Cidade em Guerra, artigo, Revista Vida Simples

4 comments Outubro 26, 2009

Parece pouco e é

VW BlueMotion: Emite até 15% menos de CO². Parece pouco, mas faz muita diferença

Após alguns ensaios, o discurso ecológico está hoje totalmente incorporado às campanhas publicitárias. O quanto vai durar ninguém sabe. Talvez um discurso mais interessante surja em breve e a ecologia seja abandonada, talvez demore bastante.

O apelo ecológico na publicidade se apresentará de diversas formas, como já vem sendo. A publicidade de certos produtos, porém terá muito que inventar e reinventar. Se a discussão dos problemas ambientais se ampliar, como vem acontecendo, os anunciantes terão cada vez mais dificuldade para convencer um consumidor informado.

Juntamente com a ampliação do debate ambiental, entretanto, temos o trabalho publicitário e político para garantir que os níveis de consumo alcançados se mantenham. Trata-se, por exemplo, de melhorar a educação sobre questões ambientais e de consumir produtos ecologicamente corretos, mas não se trata de formar críticos autônomos, tampouco de reduzir o consumo de supérfluos.

Enquanto o discurso ecológico ganhava força e, recentemente, deu um pique de importância entre a classe média brasileira; o discurso publicitário tradicional, o do consumo desenfreado, apresentando-se como a única forma de vida possível para um bípede brasileiro, consolidava-se como um estilo de vida.

Se em grande parte trocamos nossa identidade de cidadãos pela de consumidores, a consciência ecológica propagada pelos comerciais, obviamente, não trará sinais para reverter este caminho.

A redução do animal sociável com cérebro desenvolvido a comprador solitário já nos trouxe prejuízos suficientes. Retomarmos as noções de sociedade é um dos caminhos necessários para a consciência ecológica. E esse discurso não estará nos filmes publicitários.

Add comment Outubro 16, 2009

O carro do nosso tempo

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O mundo que vamos deixar para os nossos netos depende do carro que estamos fazendo hoje. Fiat 500: o carro do nosso tempo.

Eu adoro quando as propagandas utilizam diretamente frases populares. “O mundo que vamos deixar para nossos netos” deve ter sido um dos primeiros chavões ecológicos em circulação nas esquinas, feiras e botecos.

Décadas depois, quem diria que ele apareceria numa propaganda de automóvel?

Claro que a indústria automobilística não se tornou ecológica, mas os publicitários não perderiam a oportunidade de tirar um sarro da onda verde na qual são, hoje, obrigados a surfar. E que melhor jeito que utilizar uma frase clichê em vigência por tanto tempo entre nós?

Relacionado:
Continue aprendendo com a natureza

1 comment Outubro 13, 2009

À beira do lago Titicaca

Um dos meios de transporte mais populares em Puno, no Peru, é o triciclo.

E quanto mais decorado melhor.

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4 comments Setembro 22, 2009

Novo Bilhete Único de crédito para o endividamento em massa

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Fotos: cassimano. Alguns direitos reservados

O jornal Agora informa que em dois anos funcionará em São Paulo um bilhete de transporte metropolitano capaz de realizar compras à crédito.

O Bilhete Único-Cartão de Crédito é o mais recente exemplo da lógica do lucro no sistema de transporte público em vigor no Estado de São Paulo e em sua capital.

Por aqui, lucrar com a massa que utiliza o transporte público é tarefa tão corriqueira quanto destinar a maioria dos esforços e verbas ao transporte privado.

Ao contrário do entendimento da população, “transporte de qualidade” e “expansão” não significam conforto, cumprimento de horários, segurança e expansão da rede de transporte.

A admistração pública da cidade limpa entende que a exibição de novelas nos ônibus faz parte dos investimentos em transporte. Afinal, enquanto o sujeito mofa no ônibus, ele merece assistir a uma novelinha e algumas propagandas das Casas Bahia. E, claro, quando for fazer a segunda baldeação no terminal, apreciar as ofertas de celulares e curso profissionalizantes.

Cinco anos se passaram desde a implantação do Bilhete Único e quem ficou com o mico da integração metropolitana foram os milhões de moradores das cidades vizinhas que trabalham e estudam em São Paulo. Eles continuam pagam duas vezes pelo transporte, caso embarquem em ônibus de “sistemas” diferentes.

Sabe como é, são empresas separadas. Fora de São Paulo a EMTU tem a chave do cofre; na capital, a chave é da SPTrans. Integrar os dois bilhetes de passagem na catraca é “muito complexo”, dizem os técnicos.

Com a idéia de emprestar dinheiro privado a juros através do cartão de transporte público, tudo se torna viável. Segundo o jornal Agora, a licitação sai ainda esse ano.

Relacionados:
O pode político das empresas de ônibus, artigo, Luis Nassif on line
Informação? Só ferindo privacidade, artigo, Panóptico
Mais uma do Bilhete Único espião
, artigo, Panóptico
Tarifa única de ônibus em SP, só pagando adiantado, artigo, Panóptico

4 comments Agosto 27, 2009

Governo do Estado tripudia sobre desabrigados: “A gente faz. E faz bem feito”

Famílias do acampamento Olga Benário, no Capão Redondo, que dormiram na rua, o governador e seu secretário de habitação mandam o recado: acreditem, sonhem, respirem, comemorem!

Programa de Desapropriação Popular da Polícia do Estado-1

Um dia após desalojar cerca de 800 famílias usando força policial, o governo do Estado de São Paulo faz publicar nos jornais, em página inteira, propaganda de sua “política” de habitação popular.

Dar de cara com uma propaganda dessas na página 3, enquanto que a página 1 traz as notícias da vergonhosa desapropriação só pode ser uma estratégia de incentivo à revolta popular.

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Foto: Cátia Toffoleto. Alguns direitos reservados

Mas num ponto a propaganda é bem verdadeira. Como todos nós vimos ontem, a tropa de choque e os tratores sempre funcionam: “No Estado de São Paulo é assim: A gente faz. E faz bem feito”

Se o governo seguir sua “política de habitação popular”, como observado na desapropriação do prédio do INSS, depois da expulsão das famílias de suas casas, virão as ordens para que a polícia toque o povo da rua. É o governo de SP sempre inovando: desaloja o desalojado.

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Foto: Cátia Toffoleto. Alguns direitos reservados

Relacionados:
Reintegração SP, galeria de fotos, O Estado de São Paulo
Moradores resistem a reintegração de posse em SP, galeria de fotos, Folha de S. Paulo
Reintegração de posse ocupação Olga Benário, galeria de fotos, Anderson Barbosa
Capão Redondo – 24 de agosto de 2009, artigo, Ferrez
Violentamente pacífico, vídeo e artigo, Apocalipse Motorizado
Em SP, famílias do Olga Benário resistem à decisão da Justiça, artigo, Rede Brasil Atual
Poste de Serra ataca os pobres. Quer que eles voltem ao Nordeste, artigo, Conversa Afiada
Famílias do acampamento Olga Benário são despejadas com violência, artigo, Raquel Rolnik

5 comments Agosto 25, 2009

Cenários futuros

The Fun Future, por R. Crumb
crumb_funfuture

Ecological Disaster, por R. Crumb
crumb_disaster

The Ecotopian Solution, por R. Crumb
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Clique nas imagens para ampliar. Poster completo

(via Boing Boing)

Relacionado:
Uma breve história da América

Add comment Agosto 17, 2009

Obra viária para propagandear transporte coletivo

Expansão CPTM
reprodução: planodeexpansaosp

Até na hora de propagandear investimento em transporte público, o governo de São Paulo só sabe falar de transporte individual.

Afinal, ao falar da integração entre estações de trem, que imagem ilustraria melhor o micro investimento em transporte coletivo do que a de uma ponte milionária por onde só passam carros e motos?

Os detalhes falam, muito.

Atualização
O Flavio percebeu que a foto publicada no site “Plano de Expansão” com a legenda “Ponte Estaiada” é, na verdade, a ponte que termina na estação Santo Amaro

4 comments Agosto 11, 2009

Mostra de Vídeo e debate sobre Mobilidade Urbana

mostra de videos

Dia 08/08, sábado, 17h.
Espaço Ay Carmela, Rua das Carmelitas, 140 – Sé – São Paulo

Add comment Agosto 8, 2009

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